Protetor de pano, coletor e calcinha menstrual: conheça alternativas ao absorvente

Três mulheres que usam protetores de pano, coletor e calcinha absorvente falam sobre suas experiências

Foto: Pixabay

Por Camila Maccari

Seja para diminuir o impacto ambiental ou para entrar em contato mais direto com o próprio corpo, os protetores menstruais alternativos como absorventes ecológicos, coletor menstrual e a própria calcinha são opções cada vez mais procuradas. A ginecologista Adriana Arent explica que todos os métodos são seguros, desde que você fique atenta à higiene:

– O coletor é um dispositivo colocado dentro da vagina, que capta o fluxo menstrual, fazendo uma barreira, e a preocupação quanto à higiene e à troca é muito comum. Muitas usuárias carregam junto uma garrafinha d’água, por exemplo. Já a calcinha de algodão ainda faz com que muitas meninas que estão bem no começo da menstruação se sintam mais seguras e se adaptem mais facilmente. Até as mulheres com fluxo intenso podem ter menos acidentes de vazamento com as calcinhas, e depois é só lavar normalmente.

Quer saber mais sobre diferentes tipos de protetores menstruais? A seguir, três mulheres que usam protetores de pano, coletor e calcinha absorvente falam sobre suas experiências.

Calcinha menstrual

Foto: Pantys/Divulgação

“Desde o início, usei o absorvente por achar outros métodos, como o interno e coletor, muito invasivos. Costumo ser bem resistente à mudança no que diz respeito aos meus hábitos e tinha muita desconfiança com a calcinha menstrual até experimentar. Antes de comprar, pensei que seria algo estranho e questionava se realmente absorveria, como seria lavá-la e se realmente evitava o mau cheiro. Mas a calcinha superou as minhas expectativas: uso há cerca de seis meses, e todas as experiências foram superpositivas. Nunca vazou e me deixa muito mais segura do que o absorvente comum – só me preocupo em não ultrapassar as 12 horas de utilização recomendadas e tenho a certeza de que não vai vazar. A calcinha me proporcionou mais liberdade e autoconfiança.”

Gabriela Thozeski, 22 anos

Absorvente de pano reutilizável

Foto: Divulgação/Bela Gil

“Faz mais ou menos 10 anos que uso absorventes reutilizáveis. Quando troquei os descartáveis pelos de pano, passei a prestar mais atenção no meu fluxo menstrual, para saber em quais dias e horários é mais intenso. No início, desenhei modelos que vi na internet e pedi para uma costureira fazer os absorventes. Hoje, já existem diversas lojas de produtos naturais ou artesanato que vendem, com medidas diferentes. A maioria tem o formato de um absorvente descartável, com abertura para colocar outros panos dentro. Assim, dependendo do fluxo, coloca-se um ou mais paninhos.

Costumo lavar com sabão neutro e desapeguei um pouco das manchas, pois fica levemente manchado mesmo. Além dos absorventes, pedi para a costureira uma nécessaire, onde pudesse acomodar os absorventes limpos e os já usados na bolsa. Como meu fluxo não é muito intenso, uso de dois a três por dia. Minha indicação para quem quer testar é levar na bolsa além dos reutilizáveis, um descartável – para dar uma certa segurança.

Sempre me perguntam sobre o cheiro. O sangue tem cheiro de ferrugem, e é com esse odor que os absorventes ficam. Bem diferente do cheiro dos reutilizáveis usados. Muitas mulheres comentam sobre a sensação que o útero vai escorrer perna abaixo quando estão menstruadas: para mim, essa sensação desapareceu depois do uso do absorvente reutilizável.”

Camila Camargo, 29 anos

Coletor menstrual

Foto: Divulgação

“Faz algum tempo que questionei hábitos do meu período menstrual. Como comprar mensalmente caixas e caixas de absorventes internos e protetores diários. Menstruação é natural, poluir e gastar com isso não precisa ser. Desabafando nas rodas de amigas, descobri o coletor menstrual e adotei.

Exige persistência: não é amor à primeira vista. Os primeiros meses foram bem complicados. Não encontrava a maneira certa de introduzir. Já senti cólica, desconfortos, mas insisti por ser realmente um método em que acredito. Existe um ponto certo para criar um vácuo que se forma assim que o copo abre dentro de você, que dá sentido ao método e impede que o sangue vaze. Mas você descobre tudo isso sozinha. A dica é conversar com quem usa, tirar as dúvidas e não desistir. Com o tempo você vai encontrar o jeito correto de introduzir e ficar confortável.

Coisas que escuto de amigas que nunca usaram: “É higiênico?”. Sim! Muito mais do que absorvente interno ou externo. Não conta com um algodão possibilitando a geração de bactérias. É apenas um copo de silicone que você pode lavar com água e sabonete neutro. Uma dica: faça as trocas no banho, assim você já faz a higienização na hora, da forma correta. Já fiz trocas desastrosas no banheiro. Outra: “Quanto tempo posso ficar com o coletor?”. Até 12 horas. Sim, dá para dormir com ele. E acreditem, menstruamos muito menos do que imaginamos. O meu fluxo intenso, em 12 horas não chega a um terço do copo.

Tem quem utilize o sangue nas plantas como adubo, o chamado “plantar a lua”. Já fiz, mas não é um hábito. O meio ambiente e meu bolso agradecem!”

Camila Baí, 35 anos

Leia mais:

DIU: dói para colocar? A menstruação acaba? Tire suas dúvidas

Pesquisa mostra que 45% das brasileiras não se importam de menstruar