Adriana Calcanhotto faz show da turnê de apresentação do álbum Margem

Apresentação será no Centro de Cultura e Eventos da UFSC no dia 21 de setembro

Foto: Murilo Alvesso, divulgação

No mês de agosto Adriana Calcanhotto lançou, em Belo Horizonte, a turnê de apresentação do álbum Margem, que fecha a trilogia de Marítimo e Maré. O novo trabalho levou quase uma década para ser produzido, conta com nove canções autorais e será apresentado no dia 20 de setembro em Florianópolis, no Centro de Cultura e Eventos da UFSC. Sócios do Clube NSC tem desconto de 20% na compra do ingresso antecipado no site Ingresso Nacional.

O espetáculo assinado por Adriana traz os músicos que também a acompanharam na produção do mais recente trabalho de estúdio. Rafael Rocha (mpc, bateria, percussão, Handsonic, assovio), Bruno Di Lullo (baixo e synth) e Bem Gil (guitarra e synth), os dois últimos estiveram com Calcanhotto na turnê A Mulher do Pau Brasil que rodou o Brasil no segundo semestre de 2018.

O repertório do novo show tem como esqueleto as canções do novo álbum e resgata músicas dos outros dois discos da trilogia marinha como Mais Feliz, Vambora, Quem vem pra beira do mar, além de sucessos da carreira de Adriana, como Devolva-me e Maresia canções arranjadas especialmente para o espetáculo, como Futuros amantes, de Chico Buarque, de 1993, que a cantora gravou como faixa exclusiva para a versão japonesa do álbum.

Bandeira do meio ambiente

O mar e a natureza estão no olhar de Adriana, neste trabalho ela traz uma crítica na capa do álbum. A foto mostra a cantora afundada em um mar de garrafas plásticas.

– Aquilo ali é a condição dos oceanos, é resultado de ação humana e, por isso, não podemos chamar de tragédia. Sem dúvida, Margem é um grito para a questão ambiental – ressalta a Calcanhoto.

Em todas as apresentações da turnê haverá exposição da lojinha Margem, com uma pegada sustentável. O espaço terá diversas opções de produtos e souvenirs que estarão à venda antes e após o espetáculo. Em parceria com a empresa Papel Semente, a tag das camisas, feita com papel artesanal, ecológico e biodegradável, poderá ser plantada e em 20 dias nascerá uma flor chamada de mosquitinho branco. Já as sacolas plásticas utilizadas na lojinha são da empresa Tudo Biodegradável. A decisão ecológica é fruto de uma parceria com a ONG Funverde, que investe no plantio de árvores.

 

Entrevista

“Nós temos que olhar para esse drama, tratar como drama e tratá-lo sobretudo”

Margem é fruto de uma inquietação e de um processo criativo iniciado há mais ou menos uma década. Por que demorou tanto tempo para produzir este trabalho?

Entre o lançamento do primeiro e o de Margem, fiz outras coisas e com um tempo solto, sem expectativa. Estava fazendo este disco só para mim, com um repertório que demorou para virar um álbum, até gravar. Ele foi gestado com todo o tempo do mundo porque não tinha um compromisso de data. Os meninos da banda ajudaram com paciência e todos os envolvidos entenderam que era um projeto para ficar pronto em seu próprio tempo.

O novo trabalho é fruto de um processo criativo de quase uma década ao lado dos músicos Rafael Rocha, Bruno Di Lullo e Bem Gil. Foto: Leo Aversa, divulgação

Como foi a pesquisa sonora para construção de Margem. Quais referências você traz nas canções?

A pesquisa sonora de Margem foi sendo feita com muita calma e leveza porque não tinha compromisso, prazo, expectativa, pressão interna se quer. Então o processo foi, na verdade, gostar de sons, gostar de timbre e experimentar coisas. E confiando também muito no tipo de sonoridade que a banda base do Margem, que é Bem Gil, Bruno Di Lullo e Rafael Rocha, trabalhava e pesquisava entre eles, muita coisa de timbre e sintetizadores, por exemplo. Fomos por um caminho que é achar o som bonito, que acho que é o critério.

A música Meu Bonde é um funk com 150 BPM, ritmo que se tornou dominante no funk carioca. Por que colocar um funk no seu projeto? É um ritmo que você costuma ouvir?

Nossas vivências e tudo que ouvimos sempre se tornam inspirações, sem dúvida. Uma ou outra coisa do funk carioca de vez em quando eu ouço. Eu gosto da batida. Tenho experimentado, eu ouço funk, enquanto funk, mas enquanto samba ao mesmo tempo. Acho lindíssimo.

Este trabalho demonstra uma preocupação sua com o meio ambiente. A capa de Margem, diferente das outras capas, tem um tom crítico. Qual a importância desse trabalho no momento em que estamos vivendo, principalmente em relação a Amazônia?

Eu costumo dizer que a capa do álbum tem um foto sem metáfora. Aquilo ali é a condição dos oceanos, é resultado de ação humana e, por isso, não podemos chamar de tragédia. Sem dúvida, Margem é um grito para a questão ambiental. Nós temos que olhar para esse drama, tratar como drama e tratá-lo sobretudo.

Quando falamos em meio ambiente também estamos falando de política. Temos vivido um período bastante conturbado no Brasil, também em relação a cultura e a educação. Como você enxerga esse período da história do país?

Eu considero esse período do Brasil e da história do país conturbado, como tantos outros que a gente já viu. Mas sempre fui otimista, então eu não perco a fé.

Este ano você ministrou o curso “Como escrever canções” na Universidade de Coimbra, que você é embaixadora desde 2015. Como foi essa experiência? Os alunos chegam esperando que você dê uma fórmula pronta?

Coimbra é um capítulo incrível que se abriu. Eu tenho gostado muito de estudar a composição de canções, tenho adorado. Me ajuda a compor, a aprender, a conversar com os alunos principalmente. Mas não existe fórmula pronta para fazer música.

No disco Nada Ficou no Lugar, lançado em fevereiro, você reuniu um time de jovens talentos da MPB. Como foi ver as suas canções sendo interpretadas por outras vozes?

Foi surpreendente e maravilhoso.

Nada Ficou no Lugar é uma forma de levar a sua música para novas gerações?

Sem dúvida. Alguns dos artistas eu conhecia, alguns deles não me conheciam. Foi um projeto muito bacana.

O que você acha da renovação da MPB?

Como sempre tivemos na história do Brasil, há muita oferta de música, para todos os estilos e gostos. Acho que sempre há talento. Tem gente muito boa atualmente. Eu tenho muito prazer em ouvir.

Você está retornando para santa catarina, e está rodando o país com essa turnê. Você gosta dessa fase de apresentar o trabalho?

Esse é um show que nasceu muito resolvido. Eu adoro apresentar o trabalho e a expectativa é sempre máxima em cada lugar.

 

Serviço

Adriana Calcanhotto*
Quando: 21/9, às 21h
Onde: Centro de Cultura e Eventos da UFSC (Trindade, Florianópolis)
Desconto de 20% para sócio na compra do ingresso antecipado no site Ingresso Nacional.

* No dia 20 de setembro estava agendado um show em Criciúma, mas a apresentação foi remanejada para uma nova data em 2020 ainda em definição, no mesmo horário e local. Os valor dos ingressos será reembolsado. Mais informações no e-mail cancelamentos@ingressonacional.com.br

 

Para ser sócio do Clube NSC, você deve assinar um dos jornais ou o NSC Total em assinensc.com.br. A partir de R$ 9,90 por mês na modalidade digital, você tem acesso a todo o conteúdo e tem direito a utilizar os descontos do Clube em festas, shows, restaurantes, cinema, educação, serviços e muito mais. Aproveite, os benefícios são ilimitados. Saiba mais em clubensc.com.br00