Afinal, resoluções de ano novo funcionam?

Especialistas dão dicas para quem quer traçar metas a cumprir em 2019

Arquitetar o que virá no próximo ano não é problema, mas o ideal é evitar metas muito ambiciosas. Foto: Stock.xchng/Divulgação

*Por Marcel Hartmann

Quase todo fim de ano conta com um balanço dos últimos 12 meses e uma listinha de objetivos: perder peso ou ganhar músculos, estudar mais, promover alguma mudança no trabalho, investir mais em um relacionamento. O Ano-Novo, como bom ritual de renovação, inspira mudanças. O problema é quando as metas naufragam no oceano de expectativas e causam frustração. Especialistas não veem problemas em arquitetar o ano que virá, mas concordam que o ideal é evitar metas muito ambiciosas.

— É importante ter perspectiva: o que irei buscar na frente e que é viável? — questiona o psiquiatra Cláudio Meneghello Martins, diretor secretário da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP). — É bom pensar no que não foi concluído neste ano e tentar concluir o que ficou para trás e buscar metas alcançáveis. Por que desejo mudar de trabalho? Quero salário? Satisfação?

Leia também: O post-it na porta da geladeira: a lógica por trás das resoluções de ano-novo

A consultora organizacional Rosângela Campos salienta que são grandes as chances de descumprir metas se você traçar muitos objetivos. A dica, aqui, é ser minimalista:

— Com listas grandes, a tendência é não cumprir. O ideal é listar, no máximo, seis itens. Temos 12 meses no ano, então são dois meses para cumprir cada objetivo. Se você botar muita coisa, inevitavelmente irá se frustrar.

Muitas vezes, os objetivos dão errado simplesmente porque traçamos metas sem a real dimensão do impacto que isso pode gerar em nossa vida. Há uma regra básica: se você quer transformar um sonho em realidade, precisará arregaçar as mangas e ter disciplina.

Seja realista com seus limites, porque são grandes as chances de abdicar de algum privilégio e mudar um hábito. Ninguém emagrece de forma saudável e perene sem exercícios e com uma dieta desequilibrada. Grandes mudanças só vêm com grandes esforços.

— Criamos permanentemente ilusões. Imaginamos que metas disciplinadas vão acabar com o pouco esforço emocional aplicado ao longo do tempo na vida. Só que a estrutura sempre fala mais alto. Uma lista pequena e simples é melhor — aconselha a psicanalista Eliane Nogueira.

Fracione o objetivo em partes menores

Ao traçar um objetivo, fracione-o em partes menores, factíveis e mensuráveis. Quer ganhar mais dinheiro? Trace pit-stops: primeiro escolha um curso para se qualificar, depois dedique tantas horas de estudo, em seguida busque um outro emprego ou peça uma promoção. Dessa forma, você sente estar mais próximo à linha de chegada, anima-se a cada passo dado e ganha autoconfiança.

Uma tática eficaz é colocar as tarefas em uma lista e riscá-las conforme cada uma for completa. Ao colocar as preocupações no papel, você as retira da cabeça. Quando finaliza, fica com sensação de alegria por “ir para a frente”.

Essa ferramenta também ajuda a vencer um grande inimigo da realização de objetivos: a procrastinação, que assumiu ares tecnológicos na modernidade em função da tonelada de estímulos que recebemos com smartphones e redes sociais. No fundo, enrolar revela dificuldade em por em prova as próprias habilidades.

— Há uma tarefa, mas surgem temores internos de a pessoa não ser capaz de realizá-la. A pessoa posterga a realização para adiar o julgamento externo sobre seu desempenho. Há o medo do fracasso. Em outras palavras, é o temor do desamor — analisa o psiquiatra Cláudio Meneghello Martins, diretor secretário da Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP).

Só não se culpe demais se você não cumprir o objetivo. Caso não consiga, você não é uma pessoa pior. E sempre há o ano que vem.