Além-bordas: arquitetos, designers e artistas se unem em diversas frentes de trabalho

Eles buscam novas sinapses, novas sensibilidades, novas fronteiras

coworking público
Arte térrea: a geometria de core leves do artista urbano Rodrigo Level para a Square Lab faz um belo contraponto às arquiteturas históricas do centro da Capital (Foto: Divulgação)

Cada vez mais arquitetos, designers e artistas se unem para formar equipes mistas de projetos em diversas frentes de trabalho. Tanto no atendimento às mais ortodoxas demandas, como projetos de edificações e mobiliário, quanto na organização de eventos que aproximam arte, vida urbana e marketing, esses profissionais tornam permeáveis os limites de atuação de suas formações profissionais e ampliam as perspectivas de suas experiências de criação, o que afeta intimamente suas visões de mundo e os resultados de seus projetos. Eles buscam novas sinapses, novas sensibilidades, novas fronteiras.

CO-INVENTAR

A antiga quadra de esportes da escola Antonieta de Barros – edificação dos anos 1920 no Centro de Florianópolis, há dez anos sem uso por problemas de conservação – serve atualmente como estacionamento de uma entidade pública. Há uma semana, entretanto, o local ganhou vida com a ocupação efêmera do evento Subtropikal, que levou pessoas, e não carros, para a área. O novo uso sinaliza a futura transformação da quadra em praça pública. Com o nome de Square Lab, a iniciativa é do Centro Sapiens e tem projeto urbanístico e identidade visual a cargo do Co Studio, um time de jovens profissionais que atua nas áreas de arquitetura, design e marketing. “O conceito é o de uma praça experimental, que possa receber intervenções espaciais de tempos em tempos”, diz o “co-arquiteto” Lucas Passold. O primeiro elemento do projeto já foi executado no piso: uma arte urbana assinada por Rodrigo Level. O resultado tem o frescor conceitual característico dos que pensam e agem em coletivo.

CO-DESIGN

Desenho composto: as linhas rígidas da poltrona Hound Dog + Baume&Haut, uma colaboração entre o arquiteto Felipe Protti e a marca de acessórios de Carol Baum (Foto: Prototyp&, divulgação)

Criado em 2014 pelo arquiteto, designer e diretor de arte Felipe Protti, a Prototyp& é um estúdio que produz arquitetura, interiores, cenografia, mobiliário, design gráfico e projetos especiais de produtos desenvolvidos para marcas ecolabs. Uma equipe transdisciplinar atua sob o conceito de “chão de fábrica” – um caminho de design independente que alia o delineamento conceitual à experimentação e ao conhecimento das técnicas e materiais de produção. O espaço físico do estúdio, localizado na Vila Madalena, em São Paulo, é também um showroom aberto ao público, com oficina de protótipos, onde são criados e executados projetos envolvendo pequenos fornecedores em processos dinâmicos e feitos à mão.

TRANS-ARQUITETURA

A praça é das pessoas: o projeto em Guaratuba privilegia o tráfego de pedestres e ciclistas e aproxima cidade e mar (Foto bloco b, divulgação)11

O Bloco B Arquitetura trabalha não apenas na criação de projetos urbanísticos e de arquitetura e interiores residenciais comerciais e corporativos, mas na concepção e organização de eventos culturais e formativos. As arquitetas Camilla Ghisleni, Gabriela Fávero e Julia de Faveri estabelecem novas conexões com criativos de várias áreas de conhecimento e constroem uma trajetória singular que vai além da arquitetura. Elas integram a equipe da Paralela Arquitetura e Artes, evento bienal com programação cultural que reflete sobre a cidade sob a ótica crítica de quem exerce ativamente o pensamento urbanístico. Também promovem ações que convidam os cidadãos a tomar consciência de aspectos sócio-políticos dos espaços urbanos. E todos esses diálogos urdem uma performance abrangente no fazer arquitetônico. Por exemplo, o projeto da Praça Coronel Alexandre Mafra, no centro de Guaratuba (PR), não por acaso feito em parceria com Desterro Arquitetos e Giz de Terra Paisagismo, parte de um amplo olhar sobre a cidade. O desenho propõe a conexão e valorização dos elementos históricos, a integração de áreas verdes e o ecossistema local.”Principalmente, propomos o resgate da relação da praça e da cidade com o mar”, afirma Julia. Essas premissas resultam em um desenho que prioriza o pedestre, a acessibilidade universal e a restrição ao automóvel, estimulando o uso da bicicleta através de ciclofaixas e vias compartilhadas. Bravo!

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