“É importante dar asas ao diferente”, diz Alessandra Maestrini sobre peça que estreia em SC

"O Som e Sílaba", que tem direção de Miguel Falabella, estreia nos palcos catarinenses em outubro unindo comédia, drama e musical para falar sobre o autismo

Foto: Priscila Prade / Divulgação

Vencedor do troféu de melhor roteiro original no Prêmio Bibi Ferreira 2018 e circulando pelo Brasil no último ano, o espetáculo O Som e Sílaba estreia nos palcos catarinenses nos dias 4, 5 e 6 de outubro, no Teatro Governador Pedro Ivo, em Florianópolis. Com texto e direção de Miguel Falabella, o musical foi concebido especialmente para Alessandra Maestrini e Mirna Rubim, duas cantoras atrizes com registro lírico.

O espetáculo conta a história de Sarah Leighton (Alessandra Maestrini), uma jovem com diagnóstico de autismo altamente funcional, uma savant, com habilidades específicas em algumas áreas, entre elas a música, e sua relação com Leonor Delise (Mirna Rubim), sua professora de canto. A música vai unir essas duas mulheres e esse encontro mudará a vida de ambas.

Os ingressos para as sessões já estão à venda nas bilheterias dos Teatros CIC, TAC e Pedro Ivo e na loja e site da Blueticket.

Alessandra Maestrini e Mirna Rubim
Foto: Priscila Prade/Divulgação

Confira a entrevista com a Alessandra Maestrini:

A peça trata de um tema super delicado: o autismo. Como é tratar disso nos palcos?

Podemos dizer que o tema central desta peça é, na verdade, o quanto é importante a gente dar asas ao “diferente”. E dar força aos nossos sonhos mais loucos. Tanto em nós quanto no outro. E é por isto que todo mundo se identifica com o humor cúmplice, tão característico do Miguel em tudo que ele escreve, tanto na TV quanto no teatro. Fala sobre quanto a graça da vida está justamente em pensar fora da caixa e em ser quem a gente é, ser quem a gente sonha, ser quem a gente veio pra ser e tudo o que a gente pode ser neste mundo.

Como foi a preparação para viver a personagem?

Miguel escreveu esta peça não só para mim, mas por paixão pelo tema. Pesquisou incansavelmente a respeito. E eu quis honrar isto também. Pesquisei muito, vi filmes, séries, vídeos, depoimentos de autistas famosos e sites criados pelos próprios autistas. Meu maior aprendizado foi conhecer pessoalmente a Julia Balducci, cineasta portadora da Síndrome de Asperger – autismo altamente funcional – assim como a minha personagem. Eu sou essencialmente cinestésica. O que significa que meu aprendizado pela empatia é muito superior ao visual, mental, teórico ou mesmo auditivo. Conhecer, conversar e, assim, poder sentir a Julia de perto, me fez finalmente sacar mais do mundo interior de minha personagem, Sarah: seus anseios, medos, desejos, charmes… e como transparecer tudo isto para o público leigo ou “neurotípico”. E tudo isto apresentado de maneira tão espirituosa, como é próprio do Miguel e meu, e mesmo da Mirna, com sua personagem Leonor Delise, a professora de Sarah… E ainda com direito às músicas mais lindas…. Ah! É irresistível.

O espetáculo une drama e comédia. Acredita que o humor torna mais fácil abordar assuntos como o autismo, que ainda são um tabu?

Certamente. A peça é hilária, emocionante e transformadora. Abordamos a questão do preconceito profundamente. Mas de maneira, por incrível que pareça, divertida, charmosa. É claro que há momentos dramáticos. Mas o sabor da peça é absolutamente, preponderantemente de bom humor, boa música e suspiros da alma em êxtase.

A peça também é musical. Como unir tantas linguagens num espetáculo?

A receita é a seguinte: Miguel Falabella no texto (Prêmio Bibi Ferreira 2018 de Melhor Roteiro Original), Miguel Falabella na direção, Alessandra Maestrini e Mirna Rubim em cena. Voi la! Você tem aí uma aclamadíssima “dramédia musical fora do normal” de Miguel Falabella, há mais de um ano em turnê pelo país, e que vai virar filme. Vai deixar escapar?

O que o público de Florianópolis pode esperar desta peça?

O público pode ter a certeza de que vai se divertir e se emocionar com a história que Falabella criou. Vai mergulhar conosco e sair encharcado de alegria, empatia e encantamento.

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