Alice Wegmann diz que se cobra menos hoje e ‘empoderamento está na fragilidade também’

No ar como a vilã Dalila, de “Órfãos da Terra” (Globo), Alice Wegmann, 23, afirma adorar a complexidade da personagem, que, mesmo dura, mostra suas fraquezas em alguns momentos. Fora das telas, a atriz afirma estar numa fase semelhante, em que se cobra menos e se permite mostrar fragilidades.

“Antes eu queria provar cada vez mais a minha força. E hoje em dia há momentos em que penso: ‘Nossa, que dia esquisito’. E tudo bem chegar eu em casa e querer ficar um pouco sozinha, reconhecendo o que aconteceu, o que posso melhorar, os meus erros… Sem me culpar tanto pelo que estou fazendo de errado. Hoje estou mais leve.”

No caso da personagem, Wegmann afirma ser essa complexidade o que mais a atrai. “O empoderamento está na fragilidade também, em você se reconhecer frágil. Acho bonito esse milésimo de segundo em que Dalila se reconhece frágil”, afirma atriz, que diz ter entendido melhor as camadas da vilã a partir da reação do público.

“Ela não é uma vilã superficial, que faz maldade por fazer. Ela tem muito mais para contar. Tem dores e fragilidades, e isso é o mais bonito. Essas são as cenas que mais gosto de fazer. Quando ela fica sentida por algo, quando ela sente a paixão por Jamil, a perda dos pais…”

Um dos momentos mais fortes de Dalila até agora foi a morte da mãe, Soraia (Letícia Sabatella), pelas mãos do pai da jovem, o sheik Aziz (Herson Capri). Na avaliação da atriz, a grande virada da personagem, na qual ela aparece impotente diante da situação, ao chegar no momento em que Aziz estava praticamente dando o tiro em Soraia.

“Mãe significa muito na vida da gente. É origem. Tudo surge a partir de uma mãe. Soraia foi extremamente importante na vida de Dalila. Apesar de ela ter essas características frias e calculistas, acho que tinha um afeto pela mãe, então por isso acredito que tenha sido tão impactante aquela cena”, avalia Wegmann.

De vento em popa

Alice Wegmann tornou-se uma das grandes apostas da Globo em 2018, quando se destacou na pele de Maria, protagonista da série “Onde Nascem os Fortes”, aclamada pelo público e pela crítica. Quando foi convidada para ser a antagonista de “Órfãos da Terra”, ela já estava cotada para outro folhetim, ao qual declinou.

“O propósito desta novela foi o que mais me aproximou daqui, mais ainda do que o fato de fazer uma vilã. Ela é muito humana, fala de relações, emoções e sentimentos. De cara, pensei: ‘Será que tem a ver eu fazer uma muçulmana?’ Depois, fui entender o quanto o Líbano é um país diverso, o quanto a cultura árabe é gigante e depois de um certo estudo, tive certeza de que eu queria fazer”.

A questão do refugiado, em particular, já era um tema que ganhava a atenção da atriz e agora a tem estimulado também profissionalmente: “Estou cada vez mais envolvida com o meio artístico, com a atuação, a interpretação e com o fato de querer contar histórias sobre pessoas. E me aventurar nisso está sendo muito emocionante.”

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