Alimentação infantil: 1000 dias que valem por uma vida inteira

Nutricionistas Silvia Ozcariz e Carol Bandeira falam sobre a importância da alimentação do bebê da gestação até os 2 anos

silvia ozcariz e carol bandeira
Silvia Ozcariz e Carol Bandeira ajudam as famílias na alimentação dos pequenos Foto Tiago Ghizoni/Diário Catarinense

Se você é mãe e quer que seu filho cresça saudável e tenha uma alimentação de qualidade saiba que o segredo está em educar o paladar quando eles são bem pequenos. Isso significa não colocar sal na comida até um ano, evitar o açúcar até os dois anos e oferecer os alimentos da maneira mais natural e variada possível. Estudos mostram que a introdução alimentar correta ajuda inclusive na prevenção de doenças como hipertensão, diabetes e obesidade.

Como estamos no mês das crianças convidei as nutricionistas Silvia Ozcariz e Carol Bandeira para darem algumas dicas. Elas desenvolvem um trabalho personalizado de consultoria com as famílias onde orientam todo o processo desde a preparação dos alimentos até o armazenamento e montagem dos cardápios. Além de especialistas em nutrição infantil, cada uma têm três filhos, ou seja, ampla vivência no assunto.

A introdução alimentar do bebê deve começar já na gestação?
Carol – Sim, porque tudo aquilo que a mãe se alimenta vai fazer a formação do paladar do bebê, é ali que começa a alimentação da criança, dentro do ventre.

Por que a fase até os dois anos é tão importante?
Silvia – Essa fase que vai desde a gestação até os dois anos, que a gente chama de primeiros 1000 dias de vida, influencia não só na formação de hábitos saudáveis, mas também na saúde da criança e de quando ela for adulta. É uma fase de ouro, um período que vale para a vida toda. A gente orienta as famílias para terem esse cuidado inicial porque depois fica tudo mais fácil, é uma fase em que a gente vai “moldar o boneco de barro” para que depois ele fique bem bonito.

Qual o segredo para uma boa introdução alimentar quando a criança completa seis meses?
Carol – Diminuir a ansiedade da mãe. Até os 12 meses a alimentação é complementar ao leite materno, mas a gente vê mães que ficam desesperadas quando o filho não come. A criança mamou por seis meses aquele leitinho que é completamente digerível e começa a experimentar novas texturas, sabores, temperatura, não dá para querer que ela saia comendo de tudo.

A famosa papinha não é mais indicada?
Silvia – Antigamente os alimentos eram todos misturados, mas se viu que quando a gente faz isso se perde textura, sabor, cor, tudo fica muito parecido. Alimentar não é só comer, é usar todo o sistema sensorial. Importante também saber que as crianças têm sinal de prontidão, não adianta começar a introdução alimentar se a criança não senta e não sustenta o pescoço. Antigamente se recomendava iniciar com quatro meses, mas mesmo crianças que tomam fórmula não devem iniciar antes dos seis meses porque aumenta o risco de alergia alimentar. Se eu pudesse dar um conselho seria calma! E não comparem seus filhos! Tem bebê que começa a se interessar pela comida mais tarde e está tudo bem. O importante é oferecer uma alimentação de qualidade e não se desesperar e começar a dar alimentos industrializados.

Quais outras dicas para que a introdução alimentar seja bem sucedida?
Carol – É importante que a criança esteja sempre presente nos momentos de refeição da família, isso faz parte do processo de introdução alimentar. Mais tarde ela pode colocar a mão na massa, isso é uma alimentação participativa.

Quais os alimentos “mocinhos” e os “vilões” até os dois anos?
Silvia – Os melhores são aqueles naturais, ou seja, tudo que vem da terra como frutas, verduras, proteínas. Hoje em dia se recomenda inclusive peixe, ovo, morango desde os seis meses. O azeite de oliva também é essencial porque é fonte de gorduras muito importantes para o desenvolvimento cerebral e cognitivo do bebê.  O leite materno para quem pode continuar é extremamente importante, pois até os dois anos temos uma fase de desenvolvimento muito intenso e o leite materno tem gorduras especiais para potencializar tudo isso. O que não pode são os alimentos industrializados, o sal até um ano e o açúcar até 2 anos de idade.

Carol – Isso porque os alimentos já contém sódio, se você colocar sal pode sobrecarregar os rins do bebê. O consumo precoce de açúcar atrapalha a introdução alimentar também, além de aumentar o risco de diabetes e doenças crônicas.

A partir de que idade a criança já pode consumir a mesma comida da família?
Carol – A partir de 12 meses já pode ser oferecida a comida na mesma consistência, claro que uma alimentação saudável e sem excessos.

Assista ao vídeo com a entrevista:

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