Diário de mãe: a importância e as dificuldades da amamentação

Congresso em Florianópolis discute os benefícios e dificuldades do aleitamento

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Foto: Marco Favero

Se tem uma coisa que ninguém conta pra gente quando estamos grávidas é que o início da amamentação é punk, pra não dizer palavra pior. São pouquíssimas – e sortudas demais – as mães que tiram de letra esse desafio. Comigo não foi diferente, e vou dividir logo abaixo um pouco da minha experiência, com o primeiro e segundo filho. Mas antes vou falar sobre um evento muito bacana que acontece hoje e amanhã na Assembleia Legislativa, em Florianópolis.

Idealizado pelo médico pediatra Cecim El Achkar e pela enfermeira Soninha Silva, consultora em amamentação do departamento de Atenção Integral à Saúde da Qualirede em SC (e que foi minha fada madrinha nesse assunto), o evento gratuito é focado nos profissionais da saúde, trazendo palestrantes renomados no Brasil.

Soninha lembra que uma em cada quatro mulheres enfrenta dificuldades na hora de amamentar, e que todas precisam de assistência profissional pré-natal e depois do nascimento do bebê. Agora conto um pouco sobre a minha experiência.

Amamentando de novo: a experiência do segundo filho

Quando fui mãe do Bernardo, no final de 2015, entendi logo de cara o significado de tal amor incondicional. Só esse sentimento é capaz de explicar como algumas mães não desistem de amamentar. Foi o meu caso! Apesar de ter feito cursos e consultas ainda na gestação e ter lido tudo o que podia sobre o assunto, as dificuldades começaram já na maternidade. Ele não pegava meu seio de jeito algum. Foram 48 horas de desespero até que uma profissional especializada, a enfermeira Soninha Silva, me auxiliou com uma bomba extratora e me ensinou a dar o leite na seringa. Fiz isso algumas vezes sempre oferecendo o seio antes, até ele ir aprendendo a mamar (e eu ir aprendendo a amamentar).

Lembrava daquele cena linda de mães amamentando e juro que não conseguia entender como era possível. Eu sentia muita dor. E não foram só nos primeiros 10 dias como me disseram. Posso dizer que os primeiros meses foram difíceis. Recorri algumas vezes à ajuda profissional, mas meu filho estava ganhando peso e era saudável então não seria eu que iria desistir. E não desisti.

Fiz esse relato inicial porque sei que muitas mães passam por isso. Depois de muita insistência este virou sim um momento prazeroso e razão de muito orgulho. O Bernardo mamou exclusivo no peito até 6 meses e seguiu mamando até 1 ano e meio, deixando o seio naturalmente.

O tempo passou e chegamos a 2017. Grávida novamente, agora de uma menina, já começo a ficar tensa pensando em iniciar de novo todo o processo da amamentação. Uma coisa eu tinha certeza: não iria desistir. Quando a Alice nasceu, pertinho do Natal, já fiquei ansiosa por aquele primeiro contato. Então imaginem a minha felicidade quando ela pegou o seio e mamou ainda na sala de parto! Foi um misto de alegria e alívio.

Essa tranquilidade com certeza foi a responsável pelo sucesso que tive na minha segunda experiência como mãe. Minha bebê sugava muito bem e já fazia intervalos regulares, tanto que em um mês ganhou mais de 1 quilo! Mas não pensem que não doeu. Na primeira semana um dos seios ficou machucado, mas a experiência me deu segurança pra ordenhar e oferecer só uma mama, até a outra estar cicatrizada. Em 10 dias eu já estava amamentando normalmente, sem dor e com muito amor, curtindo aquele momento especial que temos o privilégio de viver.

Desta vez foi sem aplicativo, sem caderninho, sem a ditadura do lado correto, sem cobranças excessivas. E tudo fluiu melhor. Ainda temos uma longa jornada pela frente, e dessa vez espero curtir cada minutinho porque tenho certeza que no futuro sentirei muita saudade!

Camille Reis, mãe da Alice e do Bernardo

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