Como podemos demonstrar nosso amor àqueles que amamos?

Fotos: Pexels

Lembro de não saber que gostava do Ricardo, mas de me disponibilizar para ajudá-lo, despretensiosamente – eu juro! – em um dos nossos “encontros de monitoria”. Em nossa empresa temos um grupo que estuda junto – que se reúne toda segunda-feira para debater e estudar ferramentas de autodesenvolvimento – e ele fazia parte do time da época.

Em uma outra monitoria – não a da ajuda sem pretensão – ele chegou dizendo que estava pensando em se mudar para o Canadá, e que estava “a toda” nos cursos de inglês. As monitorias ficam gravadas para quem não veio ou não pode assistir, e nesse dia eu dei uma resposta nada-padrão, em tom de humor – falando que eu o ajudaria a atingir outras metas, mas não aquela: “Como assim vou ficar sem você nas monitorias?!”, eu disse. Talvez meu inconsciente já soubesse, e minhas palavras já diziam. No vídeo, agora que estamos juntos, fica claro que eu queria estar com ele, só eu não sabia. Nem ele.

Eu amo muito. Cuido de gente, gosto de quem gosta de mim, brinco que sou carente – porque vivo pedindo carinho – em palavras, de preferência. Então eu não entendi que estava dando na cara, porque era amor do tipo que eu entrego – espontâneo, pedido e dito.

Naquela noite o tema era como cada um de nós demonstra e identifica amor. O debate tinha relação com o best seller do Gary Chapman – o livro “As 5 linguagens do amor”. Ele propõe essa avaliação: de como naturalmente demonstramos nosso amor e de como percebemos como somos amados. Uns preferem (1)contato físico, outros (2)palavras de afirmação e incentivo, minha mãe é do tipo que prefere (3)tempo de qualidade, tem quem goste de receber (4)presentes e surpresas e outros, (5) atos de serviço.

Para que a gente possa descobrir as nossas linguagens, a gente pode se perguntar: O que alguém poderia fazer por nós essa semana, que demonstraria que essa pessoa nos ama? Eu, pessoalmente adoraria ganhar umas flores, ser convidada para jantar alguma coisinha boa e receber aquela declaração de amor, com muitas palavras cheias de elogios. Minhas linguagens básicas são palavras e presentes-surpresa. Outro dia ele saiu para comprar um bolinho de milho e voltou com uma barra de chocolate que eu gosto: Ah! como ele me ama.

Naquele dia o Ricardo disse: “Queria que alguém fosse ao shopping comprar umas roupas comigo”. Eu, que estava misteriosamente imparável, mandei: Posso ir! O pessoal riu e eu não entendi a razão. Ué?!

O amor está conosco o tempo todo, às vezes a gente só não viu ainda, porque a gente acha que o amor só acontece com namorado. Das duas coisas que eu aprendi, uma é declarar o que eu sinto, em todas as relações – comigo mesma, família, amigos, no trabalho e no amor – porque a reciprocidade é valiosa e estou leve com as iniciativas. Amo amar todas as relações. A outra é pedir o que preciso – antes eu acreditava que o outro tinha que sacar, que se me amasse saberia do que preciso. Demorei para aceitar que o amor é sempre generoso e não sente orgulho ao compartilhar suas necessidades. O amor sente alegria ao permitir que o outro contemple nossos desejos.

Cá estamos nós, celebrando a espontaneidade das linguagens do amor – que é a todos, essencial. Já fomos às compras algumas vezes – e eu adoro poder fazer isso – e talvez eu nunca soubesse que isso importa para ele, se eu nunca tivesse perguntado. É chegada a hora de pensar: Como vamos demonstrar nosso amor àqueles que amamos e como vamos deixar que nos amem? Eu amo que podemos estar aqui. Obrigada por todo nosso carinho e uma feliz semana do amor para gente.

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