Ana Botafogo revela os desafios como curadora do Festival de Dança de Joinville

A menos de um mês da abertura do Festival conversamos com a bailarina que é uma das principais referências para jovens dançarinos de todo o país

ana botafogo
Foto ANARTE Produções e Empreendimentos Artísticos

Quem vive da dança sabe que a profissão não é fácil. Exige disciplina, esforço, renúncias. Exatamente por isso a bailarina Ana Botafogo se tornou uma unanimidade. Considerada pelo público e pela crítica o principal nome da dança clássica brasileira, ela construiu nos últimos 40 anos uma trajetória impecável. Aposentada dos palcos, mas super envolvida na dança, Ana segue inspirando jovens bailarinos de todo o país. Integrante da Curadora Artística do Festival de Dança de Joinville, cuja 37ª edição começa no dia 17 de julho, ela falou à Versar sobre a paixão pela dança e os desafios no festival.

É seu terceiro ano como curadora do Festival de Dança de Joinville. Como manter o nível do evento e trazer novidades a cada ano?
O nível é mantido quando garantimos jurados de alto padrão para a pré-seleção dos vídeos. Após a pré-seleção, cabe a curadoria ainda passar outro pente fino e depois termos a garantia de excelentes jurados de prestígio nacional e internacional para as noites competitivas. As novidades de cada ano são estratégias para fazer o Festival dinâmico, desafiador e educacional para todos que participam.

Qual a importância do Festival de Joinville para o universo da dança no país?
O Festival é responsável pelo encontro de milhares de participantes de todo o Brasil que de alguma forma estão ligados à dança em geral. Além de um encontro artístico-educacional com alunos, professores, diretores de cias e bailarinos profissionais é também um encontro do meio empresarial. Muitos negócios são realizados e muitos contratos artísticos fechados com artistas bailarinos, professores e coreógrafos. No Festival de Joinville cada instante é momento e/ ou oportunidade de aprendizado.

Todos os anos centenas de crianças e adolescentes demonstram todo o seu amor pela dança no festival. Para se tornar um profissional o que é mais decisivo: talento ou dedicação?
Talento é bom, mas o fator decisivo para um aluno se profissionalizar é o empenho, a determinação em querer progredir a cada dia. Sem trabalho o bailarino-atleta não se desenvolve. Trabalho diário e dedicação são fundamentais.

Viver da dança é viável hoje no país?
É árduo, mas é viável. Mais uma vez a determinação é primordial. E saber que somos operários da nossa arte. Todo dia é de trabalho com vigor para o físico estar preparado para os desafios das coreografias.

O balé se tornou quase uma disciplina nas escolas. Que benefícios ele traz para as crianças?
A dança nas escolas é o momento das crianças terem contato com a música e a descoberta das possibilidades de movimentação corporal aliados à coordenação motora e ao trabalho da atenção para aprender as coreografias e sequências de aula. Isso faz com que a mente e o cérebro estejam em constante ativação.

Você ainda pratica diariamente?
Sim, diariamente faço aula de balé. Faço também Pilates ou uma fisioterapia dirigida para ter sempre a musculatura trabalhada.

Que conselho daria para quem sonha em fazer da dança uma profissão?
Tenha certeza que ama o que escolheu fazer. A vida do artista bailarino pode ser deliciosa, mas para isso é necessário muitas renúncias e trabalho corporal diário. Determinação e disciplina deverão fazer parte de sua vida sempre, senão não conseguirá um resultado satisfatório.

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