Anã, atriz Juliana Caldas ajuda a combater preconceitos

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Por Raquel Rodrigues

Ao encarar uma personagem de peso na TV, Juliana Caldas, a rejeitada Estela de O Outro Lado do Paraíso (Rede Globo), torce para que fique a lição de que qualquer pessoa anã merece respeito. Na história, além do desprezo da própria mãe, Sophia (Marieta Severo), ela se decepciona com Amaro (Pedro Carvalho) ao descobrir o interesse dele por sua herança e deixa o caminho livre para Juvenal (Anderson Di Rizzi). Para a atriz, todo o sofrimento que a personagem passa vai muito além das tramas amorosa e familiar, e serve para chamar a atenção para os dramas reais de quem tem nanismo.
– Espero que as pessoas entendam e aprendam que todo mundo deve ser tratado da mesma forma. Mesmo sendo bastante parecida comigo, a Estela me ensinou muita coisa com a sua história de preconceito. Acredito que a personagem mostra ao público como é importante respeitar os outros – ressalta.

Juliana em cena com Marieta Severo. Foto: TV Globo, Divulgação

Na novela, Estela passou boa parte da vida na Suíça escondida por Sophia, que não aceita o fato de ter uma filha anã. Sua volta ao Brasil trouxe tensão à família, até que ela foi confinada novamente, dessa vez em Pedra Santa, próxima das minas de esmeralda. Segundo Juliana, tanto faz o lugar, o preconceito está sempre presente. Mas, felizmente, ela não teve esse problema em sua família.
– Não vivi preconceito na minha casa, mas existe na sociedade. Tudo depende de como a família ensina. Os pais precisam ser conscientes para educar os filhos, tendo eles algum tipo de deficiência ou não. É essencial que as pessoas saibam, desde cedo, receber e lidar bem com o
diferente – complementa a atriz.

Durante o período de preparação para a trama, Juliana e Marieta tiveram cenas em que havia a explosão dessa repulsa da mãe pela filha. Tais sequências emocionaram as duas atrizes. Para a intérprete de Estela, ouvir tantas ofensas dói, mas ela já aprendeu a separar a personagem da vida real. Inclusive, defende a importância de sua personagem ter um papel dramático, já que a imagem dos anões costuma estar atrelada à comédia.
– Em uma das preparações, do nada, a Marieta começa a me dizer várias coisas, só para a gente conseguir entrar nessa relação de rejeição. Eu comecei a chorar, sentindo o que estava ouvindo. No final da cena, ela foi às lágrimas porque também doeu falar, afinal, é um amor de pessoa. Mas machuca escutar tudo isso e saber que realmente existe – conta.

Vida independente

Uma das particularidades de Estela foi a casa adaptada que ela pediu a Sophia. Sua intenção era ter um certo grau de independência, sem precisar da ajuda frequente de Rosalinda (Vera Mancini). Na vida real, Juliana conta que nunca teve essa facilidade e que foi ensinada por sua mãe a se cuidar sozinha.
– Minha mãe nunca adaptou nada na minha casa por eu ser anã. Fazia eu me virar, não depender dos outros e, ao mesmo tempo, me ensinava que o mundo não se adaptaria a mim. Sou independente, mas tenho de aceitar que, às vezes, necessito da ajuda das pessoas – reflete.

Juliana e o irmão, Fernando Caldas. Foto: Reprodução, Instagram

Antes da novela, Juliana fez, durante dez anos, peças e musicais infantis. Por conta da experiência, a atriz teve de conviver com crianças que não tinham noção de que ela era adulta e, por isso, a tratavam como uma coleguinha. A situação é desconfortável, mas, mesmo assim, ela não se deixa abalar.
– Muitas me confundem. Eu trabalhava com crianças de sete anos que me chamavam para brincar. Ficava com elas em vez de estar com os adultos. Digo que respeito vem desde cedo, por isso, acho fundamental que pais e responsáveis ensinem seus filhos a importância que essa palavra tem na vida de todos – conclui.

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