Animadores e produtores debatem oportunidades da indústria criativa em Florianópolis

Encontro reúne grandes produtoras e estúdios de conteúdo infantil e importantes nomes do mercado de animação até o próximo sábado, 27

Animação Irmão do Jorel
Animação Irmão do Jorel (Foto: Divulgação)

O crescimento e o potencial de expansão do mercado de animação no Brasil foram algumas das pautas debatidas na abertura do 1º Encontro da Indústria Criativa da Região Sul – Animação, Games e Conteúdo Infantil, no último sábado, 20. Entre os convidados, o diretor do festival Anima Mundi, Cesar Coelho; o designer-chefe da Maurício de Sousa Produções, Bruno Honda; Jonas Brandão, do Split Studio; Leonardo Minozzo, do Santacine, e Arthur Nunes, da Plot Kids. Promovido pela Mostra de Cinema Infantil de Florianópolis, o encontro vai reunir grandes produtoras e estúdios de conteúdo infantil e importantes nomes do mercado de animação até o próximo sábado, 27, na Associação Catarinense de Tecnologia (Acate).

O animador Cesar Coelho, diretor e um dos criadores do Anima Mundi, o Festival Internacional de Animação do Brasil, destacou que “espaços como esse são o cimento da indústria, o cimento do mercado, onde conseguimos traçar rumos e objetivos e avaliar o que foi feito”. Na opinião dele, “precisamos de mais escolas de animação e escolas aprofundadas neste setor. Isso precisa de investimento. Em uma indústria aquecida, os profissionais experientes de animação estão todos ocupados. Santa Catarina tem grandes estúdios, mas os profissionais acabam se profissionalizando e migrando para outros países que funcionam na base de ‘reputação’, como Canadá, França e Japão”.

Já Jonas Brandão, da Split Studio, destacou alguns dos principais gargalos do mercado no Brasil.

— Temos muita dificuldade de encontrar mão de obra para produção. O que costumamos fazer é treinar os profissionais, o que envolve tempo e investimento. Por isso também vejo com muito bons olhos o surgimento de empresas e de estúdios pelo Brasil afora. Precisamos ultrapassar esses gargalos de capacitação profissional e capacidade de entrega — explica.

Indústria Criativa da Região Sul

Segundo levantamento recente da Fiesc, Santa Catarina tem a quarta maior indústria criativa do país. Para se ter ideia, são 1,5 mil empresas em Santa Catarina que geram quase 10 mil empregos diretos. Para Luiza Lins, diretora da Mostra de Cinema Infantil e realizadora do 1º Encontro da Indústria Criativa da Região Sul, os números comprovam a importância da iniciativa e demonstram o potencial da indústria criativa de impulsionar outros segmentos industriais.

— Mas, para além das estatísticas, é preciso refletir sobre o conteúdo que estamos transmitindo para o público infantil. Para isso, precisamos ultrapassar o uso da linguagem audiovisual como mercadoria e provocar uma reflexão crítica nos produtores, realizadores e no público. Precisamos que esse mercado em desenvolvimento produza conteúdos que qualifiquem a educação, que sejam auxiliares às práticas educativa e cidadã das nossas crianças. Porque pensar em conteúdo para criança é também pensar na construção de um país melhor em todos os sentidos — disse.

Arthur Nunes, também curador do encontro, destacou que a linha principal do encontro é a de amadurecimento.

— Faremos uma semana de imersão para pensar e debater essa indústria que está latente e em expansão. E desde já nos comprometemos a fazer todo o ano esse encontro, cada vez mais robusto, com olhar para o Brasil — destacou.

Durante a semana, até o próximo sábado, 27, serão realizadas oficinas, laboratórios, painéis e palestras com grandes nomes do mercado de animação e games. O Senai, uma das entidades parceiras do encontro, também promove a 6ª Semana da Indústria Criativa, com oficinas e palestras gratuitas para provocar os alunos que estão começando na área de desenho, animação e jogos.