Ansiedade e a compulsão alimentar: entenda como as emoções influenciam na alimentação

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Em tempos de reclusão, nós brasileiros estamos entre os campeões mundiais em matéria de ansiedade. O estado de alerta provocado pela pandemia do novo coronavírus tem feito crescer rapidamente o nível de estresse nas pessoas. Para lidar com a situação é preciso cuidar da saúde mental, por isso, para esta coluna convidamos a psicóloga Maria Ângela da Cunha Isoppo para trazer alguns esclarecimentos sobre o assunto.

A especialista refere que o cenário gera dúvidas, medo do futuro, ambivalência, e isso, inevitavelmente leva a dificuldade para relaxar. Nesses casos a angústia aparece, a irritabilidade, as dores, o formigamento, a tontura e a compulsão pela comida. É a somatização de fatores e as crenças disfuncionais que ocasionam as variações de humor e como consequência uma predisposição ao comer compulsivo, que atinge não somente os adultos, mas também as crianças, como temos acompanhado clinicamente nas últimas três semanas.

Comer por demanda de compulsão

A compulsão alimentar em tempos de introjeção — momento onde a criança absorve e incorpora valores paternos ou de seu meio social — é o resultado de uma luta psíquica, um ato, ou uma força incontrolável entre a frustração e a gratificação. O que caracteriza a compulsão alimentar neste período não é a gula, mas a relação de cada um com o que come e com suas emoções. Questões não tratadas serão evidenciadas e aparecerão em estado de angústia.

O comer está relacionado a sensação de prazer e isso ameniza questões incômodas. Substâncias químicas, ou seja, os neurotransmissores como: serotonina, ocitocina, dopamina — presentes em certos alimentos — ativam a sensação compensatória do prazer e, assim, temporariamente há um processo psicológico de relaxamento. Diante da incerteza e da frustração do momento atual, torna-se preferível comer excessivamente a ter sensações desagradáveis geradas pelo confinamento. Mas esse comer excessivo trata-se de um comportamento compensatório inapropriado, já que leva o aparelho digestivo a funcionar erroneamente.

Devemos tratar as emoções e os sentimentos, de adultos e crianças, e ficar atentos a forma com que nos alimentamos. Dietas restritivas também não são aconselháveis, é preciso reconhecer e, se possível, alimentar-se de forma saudável. “Beliscar”, poderá ser um reforço para o excesso. Quando possível, de forma consciente, estabeleça rotinas, coloque atenção ao que come, planeje suas refeições com carinho, e eventualmente, coma algo fora da regra e saboreei um merecido presente. A rigidez em tempo de reclusão é inimiga.

Deste modo, é preciso saber e reconhecer sinais e sintomas referentes aos acontecimentos presentes. O sistema compensatório alimentar não deve ser entendido como regra, sendo necessário diferencia-los adequadamente: um ou alguns episódios compulsivos diante das circunstancias não evidenciam Transtorno de Compulsão Alimentar, segundo o Manual de Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais.

O que fazer

1. Procure ajuda e cuide da saúde mental. A psicoterapia é o melhor caminho e existem várias alternativas on-line e inclusive de forma gartuita.

2. Evite controlar tudo e todos. Tenha fé e confiança.

3. Exercite-se com segurança. Faça exercícios mesmo em espaços reduzidos. Cante, dance, faça atividades que tragam bem-estar.

4. Busque informação sobre o que está acontecendo, mas evite o bombardeio de notícias, isso pode gerar pânico.

5. Estabeleça uma rotina.

6. Utilize a tecnologia para se aproximar das pessoas amadas e aproveite para manifestar seu afeto.

7. Escreva, leia, e antes de tudo, medite. Meditar alivia a alma.

8. Humildade e amor. Ninguém está isento a mudanças, reflexões e sofrimento, uns mais, outros menos, aproveite e tente positivar, tornar-se melhor.

Lembre-se “O pensamento é o
ensaio da ação” – Freud

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