Startup de Florianópolis cria aplicativo que promove segurança à comunidade LGBTI

A partir desta quinta-feira, a startup dará início a uma vaquinha online para arrecadar o valor necessário para fazer o lançamento do aplicativo

Foto: Divulgação

Um grupo de Florianópolis, a partir de reuniões com a comunidade, se uniu para construir um aplicativo que promove segurança, assistência e prevenção às pessoas LGBTI. A idealização e o planejamento do aplicativo, chamado Nohs Somos, já tomaram forma, e o projeto agora segue para a etapa de financiamento coletivo. A partir do dia 9 de maio, a startup dará início a uma vaquinha online e terá 60 dias para arrecadar o valor estipulado de R$ 88 mil. O link para doações estará disponível a partir do dia 9.

O aplicativo usa da tecnologia como ferramenta de apoio entre os usuários. São duas principais interfaces: na primeira, quando o usuário estiver em perigo, pode acionar o botão do pânico. Sua localização e as principais informações são enviadas para as pessoas próximas e seus amigos cadastrados no aplicativo, que podem prestar assistência e chamar a polícia.

— Em uma situação de risco, ligar para a Polícia pode sim ser difícil. Vamos supor que a vítima não tenha tempo para informar seus dados durante a ligação. Isso pode levar minutos! Nesse momento, seus contatos conectados ao app conseguem ajudar, porque eles terão acesso a esses dados — explica Bruno Jordão, diretor operacional da Somos.

Na segunda interface, o usuário conta com um mapa de segurança que mostra os lugares seguros e também eventos, estabelecimentos e profissionais LGBTIs e simpatizantes. Além disso, o usuário pode identificar no mapa se existem relatos de LGBTIfobia em alguma rua, por exemplo, ou antes de ir a um estabelecimento, pode se informar quanto às avaliações que aquele local já teve sobre a receptividade e respeito ao público LGBTI.

— Temos que entender, também, que tipo de violência o aplicativo busca combater, já que os riscos de agressão não são iguais para todo mundo. Por exemplo, uma pessoa heterossexual, homossexual e transexual. As três, só por saírem de casa, já estão vulneráveis à violência urbana. A grande questão é: além dessa probabilidade, tem pessoas que sofrem o risco de serem agredidas simplesmente pela orientação sexual ou pela identidade de gênero, e é esse tipo de violência, em específico, que o aplicativo busca combater — defende Nadyne Garcia, diretora de criação da Somos.

A versão beta será lançada em outubro e a previsão de lançamento nacional será no 1º semestre de 2020.

O aplicativo foi idealizado por cinco amigos que compõem a startup – dois arquitetos, uma designer, um jornalista e um desenvolvedor (Bruno Jordão, Hottmar Loch, Nadyne Garcia e Felipe Figueira e Douglas Gimli). A concepção do projeto teve início em março e reuniu diversas pessoas da comunidade LGBTI, que foram convidadas para reuniões de cocriação, onde eram debatidos os problemas que cada um enfrenta e quais melhorias poderiam ser agregadas ao app.

— Quando falamos que esse é um projeto NOSSO, estamos falando de todos que já contribuíram de alguma forma — ressalta Hottmar Loch, diretor geral.

 

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Falta muito pouco para o início da nossa campanha de financiamento coletivo. No dia 9 de maio, vamos dar start, comemorando na rua Victor Meirelles. Vai ser uma noite com a união de alguns bares e estabelecimentos, que toparam apoiar nosso projeto 🥰 Cada um terá uma ação social voltada a ajudar o desenvolvimento do aplicativo. Além disso, teremos intervenções na rua, com projeções e desenhos. Estamos muito felizes com a sensibilização de todos esses parceiros ❤ Vem pra rua, gente! Vai ser lindo 🌈 Compareçam nos bares, e já vai se preparando para aquela foto babadeira marcando a Somos. Quanto mais pessoas em todo o Brasil conhecerem nosso projeto, maiores as chances de fazermos acontecer!!! Quer ajudar? Chama um amigo e marca ele aqui!!! O Vale conta com você 🏳‍🌈 #juntostodosSOMOS

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Bares e estabelecimentos da rua Victor Meirelles, no centro de Florianópolis, também se uniram para apoiar a construção do aplicativo. Um evento acontecerá no dia 9 de maio, com início às 19h. Cada estabelecimento parceiro desta iniciativa se propôs a uma ação de marketing social, onde parte da verba arrecadada é revertida para o aplicativo. Além disso, o evento contará com apresentações artísticas e intervenções na rua, com projeções e desenhos. Nesta data, é dado início à campanha de financiamento coletivo.

Os locais participantes são Madalena Bar, Lar Doce Bar, Picnic Food, Ateliê 389, Sirene e Tralharia.

Outras funcionalidades previstas para o aplicativo, como integração com a Polícia e Disque Direitos Humanos, vêm sendo estudadas pela startup.

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