Conheça Maurício, um dos arquipélagos mais cobiçados do planeta

Paisagens incríveis, praias encantadoras, águas perfeitas para esportes aquáticos e um caldeirão de culturas esperam os viajantes na República de Maurício

República de Maurício
Próximo à baía de Le Morne, há um local conhecido como “cachoeira submersa”, paisagem criada por uma ilusão de óptica. Foto: Tourism Mauritius / Divulgação

Por Carlos Marcondes

Soa fascinante e exótica e é pouco familiar aos ouvidos brasileiros. O desconhecimento sobre a República de Maurício é justificado: por ano, apenas alguns milhares de viajantes do Brasil desembarcam no cobiçado arquipélago, encravado a quase 2 mil quilômetros do sudeste do continente africano, adiante de Madagáscar.

Um dos mais exclusivos refúgios do Oceano Índico, Maurício divide holofotes com a rival Seychelles na preferência de jet-setters, milionários e celebridades que buscam experiências sofisticadas em praias hipnotizantes e isoladas da badalação.

Seu nome vem de uma homenagem, feita em 1598, ao famoso príncipe holandês Maurício de Nassau. Ele, solteirão convicto, teria ficado surpreso ao saber que, ironicamente, o lugar se transformaria, quatro séculos depois, em uma espécie de “Xangri-lá” da lua de mel, repleta de hotéis preparados para surpreender casais apaixonados.

Foi a partir do final da década de 1990 que esse canto do Índico, de água azul-turquesa, começou a chamar a atenção de grandes redes de hotéis de luxo, que decidiram investir intensivamente na infraestrutura de resorts. Na disputa pelos melhores pontos da costa, estão marcas como Four Seasons, St. Regis, Intercontinental, One & Only, Shanti Maurice e dezenas de outras.

O caldeirão cultural que se tornou o arquipélago de Maurício, localizado no meio do Oceano Índico, pode ser compreendido pelo “entra e sai” de seus colonizadores. Primeiro, vieram os árabes, no século 9, e os portugueses, no 16. Ambos não se instalaram. Desembarcaram, então, os holandeses, seguidos dos franceses, que levaram escravos africanos, até a vinda dos ingleses, em 1814. Com eles, Maurício se encheu de indianos, além de chineses e muçulmanos, até que, em 1964, veio a independência.

Surgiu uma pequena babel, onde o francês e o inglês são línguas oficiais. Pelas ruas, entre os nativos, ouve-se crioulo e muitos outros idiomas e dialetos das mais diversas origens.

Embora as “rostos” indianos sejam as mais comuns (65% da população), bastam algumas horas na capital, Port Louis, para vislumbrar uma pluralidade cultural bem interessante. Distintas etnias e religiões antagônicas convivem na mais santa paz, algo que enche os mauricianos de orgulho e serve como um belo exemplo ao mundo.

Mauritius / Divulgação
Entre os “rostos” do país, o mais comum é o do indiano (65% da população)Mauritius / Divulgação

Por mais que a quebra do ritmo relaxado das regalias de um resort de luxo possa parecer uma difícil missão, para sentir essa mescla cultural é compulsório visitar o centro da cidade. O mercado central é uma experiência única. Além de ser o melhor local para comprar suvenires (pechinchar é preciso). É lá que o turista encontra o povo verdadeiramente da ilha, gente simpática e alegre.

O mercado, simples e despojado, tem três andares. No térreo, encontram-se quiosques com dezenas de quitutes como as samosas indianas ou o yakisoba chinês. Entre as bancas de frutas tropicais e legumes, é possível comprar uma enorme variedade de especiarias, além das masalas e de produtos à base de baunilha, muito popular na ilha.

Aliás, a baunilha também é bastante usada para infusões com os chás, outra grande produção da agricultura mauriciana. As plantações se perdem entre montanhas que lembram episódios da série Elo Perdido e, no meio de enormes canaviais, responsáveis por uma gerar quase 500 mil toneladas de açúcar por ano. O pequeno país é um dos maiores exportadores da commodity no mundo.

No centro, vale também a visita ao jardim botânico da cidade, amplo e muito bem cuidado. Pelas ruas de Port Louis, aromas capturam os turistas. É vasta a cultura do chamado street food.

Soberano no topo da ilha

Como badalado destino insular, Maurício conta com muitos resorts. Um dos mais exclusivos é o Royal Palm Beachcomber, chancelado pela associação de hotéis de luxo Leading Hotels of the World – e onde me hospedei. Ele é a estrela maior do grupo Beachcomber, que fez da ilha o celeiro de seus empreendimentos de sucesso. São oito propriedades, sendo metade de luxuosos cinco estrelas.

Beachcomber Resorts / Divulgação
Resort Royal Palm MauritiusBeachcomber Foto: Resorts / Divulgação

Por terem sido um dos primeiros a acreditar no potencial turístico do país, seus resorts conseguiram localização privilegiada, como Dinarobin e Paradis, ambos aos pés do principal cartão-postal de Maurício, o imponente monte Le Morne. O monólito de basalto de quase 600 metros de altura integra uma imensa baía de água azul-turquesa, na região sudoeste, que impressiona até os mais experientes viajantes. A região foi tombada pela Unesco como Patrimônio Cultural da Humanidade.

Mauritius / Divulgação
Foto: Mauritius / Divulgação

O Royal Palm fica na região norte, próximo à badalada Grand Baie, uma área com as melhores opções de lojas e restaurantes da ilha. O refúgio esconde-se em um cantinho privado, com heliporto e acesso ao Mont Choisy Le Golf, um campo de golfe profissional. A propriedade exala romance. Do hall de entrada intimista, até a praia – praticamente privada –, é evidente o clima construído para agradar a casais apaixonados.

A arquitetura de paisagismo impressionante ressalta o uso de madeiras locais e imprime tropicalidade como identidade. O lobby estende-se a um vão semiaberto, que revela galeria de arte, bar de uísque e vista espetacular do Índico. Nesse amplo espaço, há três restaurantes chancelados pelo premiado chef francês Michel de Matteis, eleito em 1991 como o melhor chef artesão da França, honra concedida pelo governo francês a cada quatro anos.

De estilo contemporâneo, são ao todo 69 suítes de frente para o mar. A mais desejada é a Royal, com nada menos do que 300 metros quadrados e diárias a partir US$ 3,5 mil (cerca de R$ 14 mil).

Praias de areias brancas

Mais de 160 quilômetros de praias estonteantes: boa parte delas de areias claras e todas públicas, embora algumas das melhores estejam diante dos luxuosos hotéis, como as impressionantes Trou aux Biches (a noroeste), de água azul-turquesa e coroada por palmeiras. Inclua no roteiro a Le Morne (a sudoeste), com quatro quilômetros de areias claras, um paraíso do kitesurfe. Já Tamarin é muito procurada para surfe e mergulho com golfinhos.

Mauritius / Divulgação
Ao norte de Mauricio, avista-se a pequena ilha de Coin de MireMauritius / Divulgação

De volta ao norte, Grand Baie é uma das mais animadas, repleta de bares, restaurantes e todos os esportes aquáticos que você pode imaginar. Há até salto de paraquedas na região. Outra belezura de Maurício, talvez uma das mais lindas, é a Belle Mare, que conta com 10 quilômetros de areias brancas e onde há o The Pass, o melhor ponto de mergulho da costa leste. Os ventos também são generosos para velejadores e praticantes de windsurfe.

Mauritius / Divulgação
Na costa oeste da Ilha, praias de areias brancas contrastam com o azul-turquesa do Índico. Foto: Mauritius / Divulgação

Por fim, também do lado leste, imperdível é a visita a famosa Île aux Cerfs – a Ilha dos Cervos. Trata-se de uma pequena ilha com convidativos bancos de areia branca e banhada por águas translúcidas. Romântico durante a semana e bem cheio aos sábados e domingos, o acesso é de ferry (30 minutos) ou em passeios com catamarãs organizados por hotéis e agências de turismo. É uma das mais célebres áreas para snorkel em águas mornas e tranquilas e, sem dúvida, um dos principais cartões-postais de Maurício.

Esportes aquáticos

Mauritius / Divulgação
Le Morne é ideal para a prática de kitesurfe. Foto: Mauritius / Divulgação

Uma atividade para casais fazerem juntos é o imperdível mergulho com golfinhos na região de Tamarin, perto do Le Morne, onde também há ótimas ondas para surfe. Experientes capitães aproximam-se deles para que o turista salte do barco munido apenas de máscaras e pé de pato. A visão é de estar dentro de um imenso aquário natural, assistindo ao balé das doces criaturas. O passeio leva também para conhecer a impressionante Crystal Rocks, formações de origem vulcânicas que parecem brotar na superfície das águas das águas claras da baia. O snorkel é a melhor pedida.

Próximo ao Le Morne, está a região do One Eye (um olho), uma linda península, considerada meca do kitesurfe no mundo, o segundo melhor pico, atrás apenas do Havaí. Meca do mergulho, Maurício tem mais de 30 pontos de mergulhos espalhados por 330 quilômetros de costa, entre corais e naufrágios.

Em terra

Mauritius Tourism / Divulgação
Parque Nacional Gargantas do Rio Negro. Foto: Mauritius Tourism / Divulgação

Há muitas atividades no interior da ilha, como na região de Chamarel. Um dos destaques é o passeio guiado de bike elétrica, que começa em um dos restaurantes mais cênicos do lugar, com um mirante de tirar o fôlego, o Le Chamarel, onde é produzido um premiado café. De lá, o grupo segue para uma terapêutica pedalada pelas montanhas até o Parque Nacional Gargantas do Rio Negro, onde fica a cachoeira que leva o nome da região, com cem metros de queda. Não há acesso à base, mas a vista é magnífica.

Vizinha a ela, está a Terra das Sete Cores. Tratam-se de curiosas formações de sedimentos vulcânicos como pequenos montes, expostos em paralelo, de diferentes colorações. O lugar é cartão-postal, assim como as destilarias de rum, como a renomada Chamarel, uma das seis que produzem rótulos agrícolas (o equivalente à cachaça de alambique). A trip de bike termina na famosa Baie du Cap (B9), que serpenteia as águas turquesas do sudeste. Estonteante, ela é tida pelos locais como uma das mais lindas rodovias costeiras do mundo.

Mauritius / Divulgação
O lago sagrado, considerado para os hindus uma extensão do Rio Ganges, na Índia. Foto: Mauritius / Divulgação

A fé também é algo que salta aos olhos em Maurício, principalmente na visita ao famoso lago sagrado Grand Bassin (foto acima). Considerado para os hindus uma extensão do Ganges (Índia), o local recebe milhares de pessoas que levam oferendas para estátuas de deuses como Shiva e Ganesha. O santuário inspirador conta ainda com duas estátuas de deuses com mais de 30 metros de altura, que podem ser avistados ao longe.

Se a viagem for em fevereiro, certifique-se de ir na semana em que ocorre o Maha Shivatree. Principal festival espiritual da ilha, reúne milhares de hindus em uma demonstração de fé singular.

Mauritius / Divulgação
Foto: Mauritius / Divulgação

Para conhecer

O país é formado pelas ilhas de Maurício, Rodrigues, Agalega e São Brandão – estas últimas, sem estrutura turística significativa.

  • -Visto: para entrar, basta passaporte válido por seis meses
  • -Fuso-horário: sete horas à frente do horário de Brasília
  • -Idioma: inglês e francês, mas os locais também falam crioulo
  • -Moeda: rúpia mauriciana, porém o dólar é bem aceito. R$ 1 equivale a 10,25 rúpias
  • -Quando ir: a temperatura é agradável o ano todo. No verão, chega a 34°C e, no inverno, a por volta de 22°C
  • -Transporte interno: são cerca de duas horas de carro, de um extremo ao outro, para desbravá-la. É a distância, por exemplo, entre Le Morne, na costa oeste, até a Ile Aux Cerf, cartão-postal de areias brancas no lado leste, onde turistas se encantam com a prática de snorkel ou parasail

Do Brasil

Para conhecer as ilhas Maurício, o recomendável é combinar a trip com uma parada na África do Sul, onde há incríveis opções safári no Kruger National Park e uma visita à cênica Cidade do Cabo. São cerca de oito horas de São Paulo a Johanesburgo, pela South Africa Airways, e mais quatro horas até Maurício.

Leia também: 

Casal transforma roteiro de viagem em série de TV

Uma viagem pelos melhores destinos de Portugal e Espanha

Viagem: jornalista mostra roteiro de 10 dias para explorar as paisagens do Chile