Conheça iniciativas na arquitetura e design catarinense que se destacaram em 2018

Que em 2019, vozes criativas e críticas possam produzir os mais diversos sons na arquitetura, no urbanismo, no design e na arte

Arquitetura que transforma: a arquiteta Angela Marshall, do Ateliê Urbe, com a revista recentemente lançada sobre o processo de Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social (Foto: CAU-SC/Divulgação)

A alta qualidade das ideias, das criações e das ações humanas faz a diferença na produção de uma vida melhor, em qualquer de suas dimensões — na ciência, na política, no amor… Por isso, nesta edição, apresento alguns dos trabalhos e dos trabalhadores oriundos de terras catarinenses que, em 2018, romperam fronteiras semânticas e articularam a linguagem universalmente compreensível do comprometimento com o ofício e renovaram as possibilidades de inventar um mundo mais justo e belo. Que em 2019, vozes criativas e críticas possam produzir os mais diversos sons na arquitetura, no urbanismo, no design e na arte.

PRÁTICA CRÍTICA DA ARQUITETURA

Escritórios de jovens arquitetos e urbanistas vêm alargando o escopo da prática projetual e lançando olhares reflexivos e engajados sobre questões de cidadania, direitos civis e os impactos sociais do exercício de sua profissão. A Urbe Ateliê de Arquitetura, de Florianópolis, que ao longo de 2018 promoveu o ciclo de debates “Conversas Urbanas” para discutir temas relevantes à construção de cidades melhores, acaba de lançar a revista Athis na Prática, uma publicação financiada por edital do Conselho Regional de Arquitetura e Urbanismo de Santa Catarina (CAU-SC) que documenta e divulga o processo de aplicação da metodologia de Assistência Técnica em Habitação de Interesse Social (Athis) na comunidade quilombola da Toca Santa Cruz, localizada em Paulo Lopes. O projeto iniciou-se como programa de extensão dentro da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 2014, e através da organização do Movimento Negro Unificado (MNU) no Estado contou com professores e alunos dos departamentos de Arquitetura e Urbanismo, Engenharias Civil, Ambiental, Mecânica e Sanitária. A Urbe, formada pelas arquitetas Ana Cláudia Bigi, Ana Luiza Zabotti, Angela Marshall, Daniela Lopes e Paula Cury, foi o responsável pela elaboração dos projetos arquitetônico e urbanístico, além do acompanhamento das obras de implantação. A atuação de escritórios como este, que operam em diversas escalas de trabalho _ do espaço mais privativo às intervenções urbanas de grande porte _ se alinha à de coletivos multidisciplinares interessados na prática refletida de ações propositivas sobre a vida urbana e as interações entre política, cidade e sociedade. Refletir-se é emancipar-se. Acesse a versão digital da revista.

CARA MODERNO

Herança moderna: a poltrona “Bo”, criação de Diogo Tomazzi, tem estrutura metálica, pés em latão, assento em couro e almofada de pele de ovelha, materiais duráveis para compor uma forma leve e acolhedora que homenageia Lina Bo Bardi, Paulo Mendes da Rocha e Flávio de Carvalho (Foto: Giacomo Tomazzi Studio/Divulgação)

Diogo Giacomo Tomazzi, natural de Itajaí, desde 2011 vem atuando como designer de mobiliário entre Santa Catarina e São Paulo. Nos últimos dois anos, entretanto, sua produção vem ganhando reconhecimento na cena nacional com participações nas duas últimas edições da Made (Mercado Arte Design) , na capital paulista. Em 2017, ele apresentou a coleção Modernista, com mesas, tapete e bar referentes às formas sinuosas e orgânicas de Niemeyer e Burle Marx. Neste ano, a coleção Eterno Moderno tomou o movimento modernista paulistano como inspiração, e homenageou os principais projetos da arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi. Também em 2018 veio o convite da marca Breton para que o arquiteto-designer integrasse um time de 12 estúdios que assinam a coleção Nossa Bossa, um conjunto de 40 peças de desenho inspirado nos ideais de uma identidade brasileira universal e na estética pop-cult, que forjaram a Bossa Nova.

INOVAÇÃO NACIONAL

Concreto-abstrato: a translucidez do Lúmina, o cimentício catarinense que cria paredes que filtram a luz natural (Foto: Palazzo revestimentos/ Divulgação)
Bancada alada: A Ícaro possui dois planos dispostos num ângulo tal que gera uma forma alusiva a um par de asas desenhadas geometricamente (Foto: Officina Portobello/Divulgação)

Ao longo de 2018, criativos e empresas catarinenses apresentaram aos mercados de arquitetura e construção civil produtos com atributos inovadores e primazia de qualidade. Eduardo Gomes, de Corupá, criou para a catarinense Palazzo Revestimentos o Lúmina, placa de concreto translúcido que, além de proporcionar inusitado efeito plástico devido à leve transparência do material, incorpora um conceito sustentável, pois permite aproveitar a iluminação natural do espaço, permitindo economia de energia. Assim como o Lúmina, a bancada Ícaro, desenhada pelo catarinense Jader Almeida e produzida pela Officina Portobello, também obteve reconhecimento no 32° Prêmio Museu da Casa Brasileira, o mais importante concurso de design nacional. Outro desenho de Jader, a poltrona Celine, para a movelaria Sollos, foi premiada no IF Design Awards 2018.

NO TEMPO E NO ESPAÇO

Escalas sensíveis: os projetos do escritório OSA, de Blumenau, apresentados em mostra paralela à Bienal de Arquitetura de Veneza 2018, na Itália (Firmorama Design/Divulgação)

Em 2018, o escritório blumenauense Osvaldo Segundo Arquitetos (OSA) foi convidado pela fundação holandesa GAA para participar da quarta edição da exposição Time Space Existence, evento paralelo à 16ª Bienal de Veneza, que aconteceu de 26 de maio a 26 de novembro, na Itália. A mostra apresentou vasta seleção de trabalhos de arquitetos, fotógrafos, escultores e universidades de todo o mundo, assim como projetos realizados em cooperação com instituições e museus. Os projetos do OSA estiveram ao lado de trabalhos assinados por Denise Scott Brown, Peter Eisenman, Arata Isozaki, Curt Fentress e Kengo Kuma. Os três projetos de edificações residenciais apresentados pelo OSA em Veneza “são com a escala da nossa região, que interagem diretamente com as pessoas que lá vivem ou irão viver com suas famílias. Por sua escala, eles interagem com a cidade e a paisagem urbana”, explica o arquiteto Osvaldo Segundo. Pensar a arquitetura como reflexo da cultura e do tempo em que se vive é um exercício fundamental à tarefa de criar e ocupar espaços.

Leia mais colunas de Sandro Clemes