Arvo Festival: conheça sobre a mistura de sons do line-up da quarta edição

Com influências de diversos gêneros e valorizando a música nacional, o festival destaca os ritmos brasileiros

Foto: Divulgação

O Brasil possui diversos estilos musicais que vão se reinventando e se fundindo com o passar do tempo. Com a velocidade da internet, aliada a esse movimento natural da música brasileira, criou-se uma tendência: a não-rotulação em gêneros.

— Essa questão das misturas sempre foi algo muito inerente da produção da música popular brasileira, com construções a partir de gêneros genuínos, que vinham da África, da colonização europeia, passando por transformações até chegar na MPB, Bossa Nova, Tropicalismo… Mas hoje esse movimento está potencializado pela troca de informação entre compositores, produtores, a maneira como se dialoga entre vários estilos, transitando em várias nuances de timbres, melodias e também influências estéticas e políticas. Isso está enriquecendo muito a produção brasileira — comenta o jornalista cultural e musical, Marcos Espindola.

Segundo o jornalista, essa era contemporânea da MPB se mostra cada vez mais em ebulição e cosmopolita, além de muito mais política. Esse também é o entendimento da cantora catarinense Dandara Manoela, que está no line-up da quarta edição do Arvo Festival, que acontece no feriado de 7 de setembro em Florianópolis.

— Meu gênero é música preta brasileira e eu tenho pensado que o gênero musical atualmente vai muito além do estilo em si, mas está muito alinhado com a mensagem. Meu álbum é político em todos os sentidos, desde músicas que falam sobre afeto até as que falam especificamente sobre questão racial e de gênero — comenta Dandara.

Assim como ela, o músico Tiné, compositor e cantor da Academia da Berlinda – que também se apresenta neste final de semana no Arvo Festival – destaca as influências culturais nessa formação de gênero.

— O mais valioso da música brasileira, para mim, seria a forte ligação com a música africana e a grande mistura do nosso povo, que torna a música híbrida, com várias influências — afirma Tiné.

Para o compositor, a riqueza de ritmos do Brasil também merece destaque. O percussionista da banda, Irandê Naguê, ainda relaciona as influências latino-americanas nesse movimento e pontua inspirações para essa construção musical.

— Nossa música é inspirada na atmosfera tropical, litorânea, no mar, no amor, na brisa e na natureza. A banda nasceu em uma cidade histórica, patrimônio da humanidade, inebriada pela arte que aqui pulsa fortemente, pela natureza e história da cidade — comenta o músico pernambucano.

Arvo Festival no circuito da música brasileira

Consagrado e já na quarta edição, o Arvo Festival ganha destaque pela representatividade de trabalhos autorais de diferentes regiões do país, como a Academia da Berlinda, diretamente Pernambuco e Castello Branco, do Rio de Janeiro, um dos destaques da nova MPB.

— A proposta que a curadoria musical do festival traçou para esta edição foi fazer a junção de artistas locais com artistas de diferentes regiões do Brasil, para proporcionar para o público uma experiência que reflete a diversidade cultural que temos em nosso país. Entre bandas e DJs, temos atrações de cinco estados diferentes — destaca André Pardini, produtor cultural do evento.

Como exemplo, André destaca a presença da banda pernambucana, Academia da Berlinda. 

— A banda vem diretamente de Pernambuco para se apresentar pela primeira vez no Sul. Isso reflete para nós, da curadoria musical, a importância de criarmos esse diálogo cultural e musical entre regiões do nosso país. Na discotecagem, também fazemos uma larga pesquisa, com a intenção de apresentar artistas em início de carreira ao lado de artistas com larga experiência, para compartilharem esse momento. A brasilidade é a diretriz musical — comenta. 

Com a diversidade do line-up, o festival catarinense ganha reconhecimento no cenário musical brasileiro e entra para o circuito nacional, que já mapeia mais de 1700 festivais de música no Brasil, segundo dados da pesquisa feita pelo DATA SIM.

— Acho que nunca o universo da música brasileira esteve tão conectado e isso reflete até mesmo em dados. A indústria criativa da cultura está conquistando um patamar muito alto, com 2,6% do PIB brasileiro, que é maior que o PIB da indústria farmacêutica, por exemplo. Precisamos também fomentar isso em Santa Catarina, onde ainda falta incentivo para dar visibilidade para a circulação de artistas, principalmente, para fora do Estado — finaliza o jornalista Marcos Espindola.

 

Serviço

O quê: Arvo Festival 4ª edição
Quando: sábado, 07/09/2019
Horário: a partir das 14h
Onde: SC-405, 3520, Campeche – Florianópolis
Ingressos: a partir de R$ 50 pelo site​

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