As Golpistas é uma aventura cômica e niilista sobre o auge e o declínio do mundo noturno norte-americano

as golpistas
Foto: Divulgação

*Andrey Lehnemann, especial

– O dinheiro não lhe deixa com tesão?

Após palavras aleatórias numa noite solitária e quente, essa é a primeira frase real de As Golpistas. Ela é dita por Ramona (Jennifer Lopez), cuja performance hipnotiza a jovem Destiny (Constance Wu). Naquele momento, a história das duas se cruza — entre o glamour e o paradoxo da solidão e da camaradagem do mundo que habitam. O filme de Lorene Scafaria é baseado na história real de strippers que decidiram se vingar dos grandes magnatas de Wall Street, após crise de 2008, e se adonar de um pouco de seus milhares de dólares. Ao apresentar o mundo das boates americanas para Destiny, Ramona também expõe os diferentes tipos de clientes que esses mundos possuem e quais serão os que mais proporcionarão o dinheiro mais rápido e mais fácil. “É a transação mais honesta que fazem no dia”, reflete a personagem de J-Lo sobre os ricaços que procuram os serviços das garotas.

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Principalmente na primeira metade do filme, o roteiro de Lorene Scafaria é um achado. A reunião confessional das dançarinas, enquanto discorrem sobre suas vidas sexuais reais, é uma das grandes cenas de 2019. Nela, a cineasta desglamouriza os bastidores com aleatoriedades sexuais e cinismo certeiros. Ao passo que uma personagem fala que não transa há anos e outra pensa que, por trabalhar seis dias por semana, quer só chegar em casa, colocar pijamas e tomar sorvete sem maquiagem, uma última discursa sobre as facilidades de um vibrador. “Só reclama quando preciso trocar sua bateria”, diz. “Pena que não tem dinheiro”, responde Ramona. Scafaria transita pelas soluções rápidas para grandes problemas que levaram as profissionais a cometer fraudes. Após a crise financeira de 2008, os clubes noturnos perderam milhares de clientes. As strippers ligavam para os antigos clientes mais ricos, chamavam para um rápido drinque e, após dopá-los, levavam para as boates – com o objetivo de lucrar o máximo que o cartão de crédito permitisse para elas e para a casa, conforme acordo prévio.

Quando não é expositivo demais com seus personagens, As Golpistas consegue ser uma obra instigante sobre o mundo ao qual se inspira. Lorene é uma diretora entusiasmada e seu filme é eficaz na primeira metade. O moralismo demagogo que invade a segunda metade, todavia, assim como a solidão de Wu sendo apontada todo momento deixa sequelas nefastas ao longa-metragem, que só consegue respirar novamente na grande cena de Jennifer Lopez falando pela primeira vez sobre seus sentimentos e sua vida pessoal. Um momento honesto que é trocado logo depois, infelizmente, por uma dança burlesca com as protagonistas.

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