Viagem: jornalista mostra roteiro de 10 dias para explorar as paisagens do Chile

Chile
FOTOS Diogo Baigorra, Arquivo Pessoal

Por  Diogo Baigorra

Santiago, no Chile, é uma cidade muito limpa em comparação com as grandes capitais brasileiras. O sistema de metrô cobre praticamente toda a sua extensão, e é possível se deslocar tranquilamente nele adquirindo um cartão azul chamado BIP, que pode ser recarregado sempre que necessário (o valor mínimo de recarga é de 1 mil pesos chilenos, o equivalente a cerca de R$ 6). O cartão é comprado nos guichês das próprias estações de metrô, e o valor da passagem varia de acordo com o horário (quando há maior movimento, o preço é mais caro).

Entre as principais atrações turísticas da capital chilena, estão os cerros de Santa Lúcia e de San Cristóbal. O primeiro fica próximo ao centro da cidade. Sua entrada lembra o Parque Lage, do Rio de Janeiro. No topo do cerro, há um mirante construído sobre os escombros de uma fortaleza.

O Cerro de San Cristóbal é o maior. Pode-se subir e descer nele por teleférico, funicular, a pé ou de bicicleta. O sistema do teleférico permite, inclusive, que os ciclistas subam com suas
bikes para depois poderem descer pedalando.

De ambos os cerros, tem-se uma visão panorâmica de Santiago. Infelizmente, devido ao excesso de poluição, as montanhas da Cordilheira dos Andes não são muito visíveis, principalmente pela manhã. Mesmo assim, são duas paradas interessantes para quem está na capital chilena.
Outra atração é a Sky Costanera, a maior torre da América Latina até o momento. Com 300 metros de altura, ela se destaca de qualquer ponto na cidade, não apenas pelo tamanho impressionante, mas também por sua arquitetura moderna, que lembra os prédios de Dubai. A entrada custa 15 mil pesos (R$ 87). O melhor horário para a visita é ao anoitecer, para se contemplar o pôr do sol, que no verão ocorre bem tarde, entre 21h e 21h30min.

A noite em Santiago

A capital chilena tem dois famosos bairros boêmios que atraem turistas e santiaguinos: Lastarria e Bellavista. O primeiro é muito frequentado por universitários, uma vez que a Universidade Católica do Chile está localizada no coração da região. Seus cafés ao ar livre
e sua arquitetura lembram o charme europeu.

Trata-se de um bairro com estilo underground, que reúne importantes prédios históricos, como o Centro Cultural Gabriela Mistral, o Museu de Artes Visuais e o Museu Violeta Parra. Um local onde sempre é possível tomar uma cerveja ou um chope gelado por um preço acessível.
A mais famosa bebida servida nos estabelecimentos da região é o “terremoto”, feita com vinho branco doce, sorvete de abacaxi, fernet e açúcar. Fica bem doce e com uma espuma branca e espessa em cima. O nome até hoje é motivo de discussão em bares, mas a história que ouvi de dois chilenos é que o drink foi assim batizado depois que dois jornalistas alemães que estavam cobrindo o sismo de 1985 no Chile experimentaram a bebida (até então não famosa) e, em seguida, foram surpreendidos por um tremor da terra. Assustados, eles teriam exclamado: “Isso é um terremoto!”.

O Patio Bellavista, localizado no bairro Bellavista, é um lugar requintado e com uma vibe mais noturna. Ao redor de um espaço a céu aberto, concentram-se muitos restaurantes e pubs. À noite, o local é iluminado por uma variedade de luzes coloridas, que combinam com as fachadas dos estabelecimentos e os drinks sofisticados. Os shows de música ao vivo costumam embalar a noite dos frequentadores do Patio.

O litoral

A cerca de uma hora e meia de viagem, há as cidades litorâneas de Viña del Mar e Valparaíso. Enquanto a primeira chama atenção por seus prédios altos ao longo da orla, a segunda, considerada Patrimônio da Humanidade pela Unesco, atrai os turistas por suas casas coloridas
construídas ao longo dos morros e pelas ruelas estreitas.

Em Viña del Mar, vale a pena visitar o Castelo Wulff, construído pelo alemão Gustavo Wulff em 1906. O lugar abriga uma sala de exposições que conta sobre sua fundação e sobre a história da cidade. Do topo de sua torre, é possível contemplar as ondas do Oceano Pacífico quebrando junto às rochas. No interior do castelo, ainda há um trecho de piso transparente que permite vislumbres do fundo do mar.

As dunas Concon, em Viña del Mar. Foto: Diogo Baigorra

As dunas Concon, também localizadas em Viña del Mar, me encantaram muito. Em primeiro lugar, não imaginava encontrar uma paisagem dessas – que lembra muito os Lençóis Maranhenses – no Chile. Em segundo lugar, o contraste proporcionado pelos montes de areia que separam o mar da cidade é impressionante.

As montanhas

A primeira contemplação que tive da Cordilheira dos Andes foi ainda no avião, quando estava chegando ao Chile. Vale muito a pena sentar à janela para admirar a grandiosidade das montanhas, cujos picos geralmente mantêm-se cobertos de neve mesmo no verão. O voo sobre a Cordilheira dura em torno de 10 minutos.

Nos 10 dias em que estive no país, fiz dois passeios às montanhas para conhecer Embalse el Yeso e Termas Colina. Embalse el Yeso é um enorme reservatório de águas azul-turquesa a 2,5 mil metros de altitude, com as montanhas da Cordilheira dos Andes em seu entorno. O reservatório, que demorou 10 anos para ser construído e é fruto do represamento do Rio Yeso, comporta 253 milhões de metros cúbicos de água. Termas Colina é uma região localizada a cerca de cem quilômetros de Santiago e abriga uma série de piscinas naturais com águas termais provenientes do vulcão San Jose. A temperatura varia de piscina para piscina e pode chegar a 50°C. Elas se espalham pela própria encosta da montanha, e a temperatura da água vai aumentando de acordo com a subida. É um lugar muito silencioso, ideal para relaxar.

Em conversa com guias locais, descobri que muitos turistas procuram esse passeio na temporada de inverno, pois a paisagem fica ainda mais deslumbrante, visto que o terreno arenoso dos arredores das piscinas dá lugar à neve, que se espalha dos cumes das montanhas até a encosta. Nessa época, a temperatura chega a níveis abaixo de zero. As piscinas naturais oferecem, portanto, um refúgio muito bem-vindo para quem quer fugir do frio. Deve-se atentar, contudo, que, no inverno, devido às tempestades de neve, o trajeto de Santiago até as termas fica mais perigoso e que muitas agências não realizam o passeio nesse período.

Combarbalá

Ao norte de Santiago, numa região mais desértica, está localizada a cidade de Combarbalá. Como eu tinha muitos dias no Chile (mas não o suficiente para conhecer o deserto do Atacama ou a Ilha de Páscoa), resolvi fazer um bate-volta até esse município localizado a cinco horas da capital para conhecer o Observatório Cruz del Sur.

A viagem, em ônibus, é um tanto cansativa, mas a experiência de poder contemplar as estrelas de um lugar afastado dos grandes centros urbanos é incrível. A cidade é bem pequena, mas conta com restaurantes e mercados. Cheguei por volta das 19h e fui logo comprar meu ingresso para a visita ao observatório (é bom reservar antes, mas o ingresso só pode ser adquirido ali mesmo).

Para o tour de observação estelar, há dois horários: o das 21h e o das 23h. Optei pelo segundo. Depois de comprado o ingresso, é necessário encontrar um táxi que o leve da cidade até o observatório. O percurso demora uns 10 minutos. No local, há uma introdução sobre como os povos antigos observavam o céu para a agricultura, uma pequena aula sobre as principais constelações do sul e a observação propriamente dita através de um telescópio de 16 polegadas.

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