“As tendências voltam, cada um tem que usar o que tem vontade”, diz Lilian Pacce no Trend Talk

Lilian Pacce no Trend Talk
Lilian Pacce no Trend Talk

Aconteceu na noite desta quinta-feira, dia 1 de março, no Iguatemi Florianópolis, o Trend Talk, evento de moda e comportamento que contou com a participação da jornalista e apresentadora do GNT Fashion Lilian Pacce, do colunista de moda Lucca Koch e da professora especialista em moda Ilma Godoy. O assunto principal do bate-papo intermediado pela jornalista Yasmine Holanda foi “moda sem gênero”, uma macro-tendência que retorna para abraçar um público que transita livremente entre os limites do feminino e do masculino.

A essência da moda sem gênero é a fluidez, a quebra dos limites. Grandes grifes da moda já trabalham essa temática há algumas coleções, impulsionadas pelo desfile inovador da Gucci, de 2015, que pela primeira vez misturou em um desfile modelos masculinos e femininos em um produção andrógina em que não era possível saber o gênero do modelo.

– O desfile foi um tapa na cara da moda inteira, de uma coragem enorme. Foi uma prova de que tudo mudou – comenta Lilian Pacce.

Trend Talk
Lucca Koch, Lilian Pacce e Ilma Godoy

De acordo com Ilma Godoy, o movimento da moda sem gênero é pautado por uma necessidade de mudança que vem com o desejo de autenticidade do público dos millenials. Há uma busca por formas de expressão que favoreçam a inclusão e a diversidade. E a moda entende e absorve esses desejo:

– Conhecer os sinais socioculturais é importante para entender como estamos vivendo hoje e representando tudo na moda. Há sinais na moda que indicam mudanças, como a campanha da Amazon Fashion “don’t look like me, look like you” (não se pareça como eu, se pareça com você mesmo, em tradução livre) – comenta Ilma.

Ilma Godoy no Trend Talk
Ilma Godoy no Trend Talk

Ela menciona ainda outros exemplos de como a moda tem abraçado diferentes comportamentos e necessidades do público. Cada vez mais inclusiva, hoje já há marcas que focam na aceitação de todos os estilos, biótipos, gêneros e necessidades. A marca que criou peças com botões magnéticos para quem sofre de Parkingson ilustra como, cada vez mais, a indústria da moda se torna versátil.

Um consumidor de hoje é mais criterioso e exige que a marca tenha discurso alinhado com ações. Esse é um dos motivos que ressaltam que o consumidor dita o que vai ser de um produto, do início ao fim. E se a moda quer ser cada vez mais inclusiva, é importante que haja no mercado produtos que atendam a todos os perfis – dos mais tradicionais aos mais particulares – e que se mantenham fiéis à essência da marca.

– A moda é cíclica. Dependendo do contexto, as tendências voltam. Cada um tem que usar o que tem vontade – reforça Lilian.

Trend Talk

Além da conversa com os especialistas, os 80 convidados do evento puderam ver o conceito de moda agênero na prática. Seis modelos desfilaram vestindo looks que seguiam a proposta unissex, mostrando que é possível ter estilo usando peças que se desprendem dos padrões e modelagens pensadas para um único gênero.

Leia mais:

Moda sem gênero prega uma forma de se vestir livre de preconceitos