Asma pode ser fator de risco para desenvolvimento de obesidade infantil, diz estudo

Pesquisa, maior já feita sobre o início precoce da asma e da obesidade, foi realizada com mais de 20 mil jovens de toda Europa

obesidade infantil
Foto: Divulgação

Um estudo internacional recentemente publicado pela Universidade do Sul da Califórnia (USC) mostrou que a asma pode ser um dos fatores responsáveis por tornar os jovens mais suscetíveis a problemas de saúde no futuro. As informações são do site EurekAlert.

De acordo com os cientistas, as crianças que têm asma são as que mais correm o risco de se tornarem obesas. Como a obesidade tem sido frequentemente vista como um precursor da asma em crianças, a descoberta é considerada uma reviravolta. A pesquisa, conduzida por 40 cientistas, incluindo pesquisadores da Escola Keck de Medicina da USC, foi publicada no European Respiratory Journal.

O estudo é o maior já feito sobre o início precoce da asma e da obesidade e foi realizado com mais de 20 mil jovens em toda a Europa. Com isso, foi possível verificar que, além de chiado e falta de ar, a asma pode proporcionar corpos que tornam os jovens mais suscetíveis a outros problemas de saúde.

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 Segundo Lida Chatzi, autora sênior e professora de medicina preventiva da USC, a asma e a obesidade têm um efeito duplo na saúde das crianças, o que faz aumentar a preocupação com uma crise de saúde pública.

— Nós nos preocupamos com essa questão porque a asma afeta aproximadamente 6,5 milhões de crianças (cerca de uma em cada 10) nos Estados Unidos. É um distúrbio crônico na infância e, se aumenta o risco de obesidade, podemos aconselhar os pais e os médicos sobre como tratá-lo e intervir para ajudar as crianças a crescerem e terem uma vida adulta saudável — disse Chatzi.

Durante duas décadas, cientistas documentaram as epidemias de asma e obesidade, com foco em como a obesidade é um fator de risco para asma, especialmente entre as mulheres, mas as relações parecem diferir em crianças. Uma das motivações dos cientistas para analisar o problema ao contrário foi a pouca quantidade de estudos disponíveis.

Com base em grandes dados sobre a saúde infantil coletados na Europa, os pesquisadores investigaram cerca de 21,1 mil crianças nascidas entre 1990 e 2008 em nove países, incluindo DinamarcaFrançaAlemanhaGréciaItáliaHolandaEspanhaSuécia Reino Unido.

As crianças foram diagnosticadas com asma entre os três e quatro anos, e o cientistas acompanharam-nas até os oito anos. O objetivo era concentrar-se nos riscos para a saúde oferecidos pela asma com início precoce. Em média, descobriu-se que as crianças com diagnóstico positivo para a asma tinham um risco 66% maior de se tornarem obesas do que aquelas que não tinham asma.

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Para crianças com sintomas persistentes de problemas respiratórios, o risco de desenvolver obesidade foi 50% maior em comparação com crianças sem esses sintomas. Os resultados são consistentes com estudos anteriores, mas menores, realizados nos Estados Unidos, que observaram que a asma aumentava o risco de obesidade.

A relação entre a asma e a obesidade ainda não é bem compreendida. O problema respiratório é considerado um obstáculo para a atividade física entre as crianças, o que pode levar ao acúmulo de gordura no corpo, enquanto doses mais elevadas de corticosteroides inalados foram postas como hipótese de aumentar o risco de obesidade em crianças com asma. De acordo com o estudo, as crianças com asma que usavam medicamentos tinham maior risco de se tornarem obesas.

Como a asma e a obesidade têm origens no início da vida, é possível que a associação entre um problema e outro também seja estabelecida nesta janela de tempo, momento crítico para o desenvolvimento infantil. Além disso, estudos anteriores mostraram que exposições no útero, como dieta pré-natal ou a obesidade da mãe, estão associadas a um risco maior de ambos os transtornos.

— A asma pode contribuir para a epidemia de obesidade. Precisamos urgentemente saber se a prevenção e o tratamento adequado da asma podem reduzir a trajetória em direção à obesidade — disse Frank Gilliland, professor de medicina preventiva da Keck School of Medicine, que participou do estudo.