Uma aspirina por dia oferece risco para idosos, sugere estudo

Consumo preventivo em pessoas mais velhas saudáveis não apresentou benefício nenhum

aspirina
Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS

Conhecida por suas propriedades analgésicas e antitérmicas, a aspirina (ácido acetilsalicílico, ou AAS) também assume papéis importantes em outras funções: pode salvar uma vida em caso de infarto e é estudada como uma forma de lutar contra o Alzheimer. Contudo, um estudo realizado nos Estados Unidos e na Austrália alerta para os possíveis riscos do uso diário da droga por idosos.

Publicado no periódico The New England Journal of Medicine, o Aspree (ASPirin in Reducing Events in the Elderly) analisou dados de mais de 19 mil pessoas com 70 anos ou mais (ou 65 ou mais entre negros e hispânicos nos EUA) sem histórico de problemas cardíacos, demência ou incapacidade. Eles foram divididos em dois grupos: um (9.525 participantes) recebeu aspirina e o outro (9.589 participantes), placebo. Os resultados apontaram que ocorreram 1.052 mortes em quase cinco anos de acompanhamento dos pesquisadores.

O risco de morte por qualquer causa foi de 12,7 a cada mil pessoas por ano no grupo que tomou aspirina. No placebo, foram 11,1 a cada mil/ano. A maior causa de morte foi o câncer, que ocorreu em 3,1% do grupo que tomou o medicamento, contra 2,3% no placebo. Outro achado do relatório foi que aqueles que tomaram aspirina aumentaram o risco de sangramento na comparação com o placebo. Dessa forma, afirmam os pesquisadores, uma aspirina por dia não prolonga a vida e tampouco reduz o risco de sofrer um infarto ou acidente vascular cerebral (AVC).

— Apesar de a aspirina existir há mais de cem anos, não sabemos se idosos saudáveis devem tomá-la como uma medida preventiva para viver mais. Essas respostas ajudarão os médicos que prescrevem a droga sobre se devem recomendar a aspirina a pacientes saudáveis que não têm nenhuma razão médica para isso — disse John McNeil, líder do estudo da Monash University, da Austrália, ao site da instituição.

McNeil alerta que os pacientes devem seguir as orientações dos médicos e que os resultados não se aplicam para aqueles que já tiveram problemas cardíacos como infarto e AVC. Nesses casos, o AAS é recomendado como droga preventiva.