Aspirina pode salvar vidas em caso de infarto

O ácido acetilsalicílico (AAS) tem efeitos anticoagulantes que ajudam a combater o problema

aspirina
Foto: Bruno Alencastro / Agencia RBS

Imagine a seguinte situação: você acorda no meio da noite sentindo pontadas agudas no peito. A dor irradia para o braço esquerdo e para a mandíbula. Você se sente enjoado, começa a suar e a sentir palpitações. Os sintomas indicam que pode ser um infarto. O que você faria?De acordo com um texto que vem sendo compartilhado no WhatsApp, duas aspirinas dissolvidas e um gole de água poderiam salvar a vida de alguém nessa situação. Mas será que essas instruções são verdadeiras?

Conversamos com o médico cardiologista Enio Buffolo que, de acordo com a mensagem, é o autor do texto. Ele disse que não escreveu nada disso, mas as instruções são reais.

– Provavelmente, ela foi criada por algum de meus pacientes, com orientações passadas durante uma consulta. As informações contidas na mensagem são verdadeiras e devem ser consideradas – declara Buffolo.

O ácido acetilsalicílico (AAS), popularmente conhecido como aspirina, tem efeitos analgésicos e antipiréticos, usados para combater dores e febre. Tem também efeitos anticoagulantes, ou seja, previne a formação de coágulos sanguíneos. Essa função pode ajudar durante um infarto, que ocorre quando uma ou mais artérias que levam o oxigênio ao coração são obstruídas por um coágulo formado em cima de uma placa de gordura existente na parede interna da artéria.

De acordo com o cardiologista Domingos Vitola, do Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, a aspirina atua na formação desse coágulo e, portanto, pode ser ingerida quando os sintomas são sentidos.

A mensagem que circula nas redes também está correta ao orientar que a pessoa ligue para a emergência logo após tomar o medicamento. Caso o paciente esteja sozinho, o ideal é chamar o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) pelo telefone 192. Na presença de algum familiar, o aconselhado é ir para o hospital mais próximo e o mais rápido possível.

– Os primeiros momentos são os de maior risco, especialmente por se estar fora do hospital – alerta Vitola.

Mas nem tudo que está escrito na mensagem faz sentido: a recomendação de forçar a tosse não passa de um mito popular. Tossir seria útil apenas no caso de uma parada cardíaca, o que ajudaria a reverter a situação.

Vale lembrar que é importante ficar atento ao próprio histórico médico antes de ingerir os dois comprimidos. Pessoas com gastrite ou úlcera e que já apresentaram sintomas como azia ou sofreram sangramento digestivo não devem tomar a aspirina, já que, nesses casos, a dor pode estar sendo causada no esôfago, e o medicamento só iria piorar a situação. Além disso, vale ficar atento aos sintomas e fatores que são associados ao infarto.

– Caso a pessoa já tenha sentido dores no peito antes, durante o infarto ela será mais forte. Se não, o mais provável é que se sinta uma sensação de dor ou aperto. Pessoas com diabetes, colesterol alto e fumantes são mais propensas a ter um infarto – informa Vitola.

Preste atenção aos sinais que o corpo transmite e sempre busque um profissional para realizar periodicamente os exames preventivos. Caso existam casos de infarto no histórico familiar, o cuidado deve ser redobrado.

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