Ativistas fazem abaixo-assinado para estilista negra substituir Donata na Vogue

A baiana Carol Barreto tem mais de dez anos de carreira que une moda e pesquisa

Carol Barreto
Foto: Reproduão/Instagram

Depois da polêmica envolvendo o nome de Donata Meirelles e sua saída do cargo de diretora de estilo da Vogue Brasil, o Coletivo de Entidades Negras (CEN), criou um abaixo-assinado online sugerindo o nome da estilista baiana Carol Barreto para ocupar o cargo. No texto que acompanha a petição, a instituição nacional do movimento negro explica que o racismo estrutura a sociedade e afasta negras e negros de espaços de prestígio na sociedade:

“Tomar as riquezas da Casa Grande é uma ação de reparação, principalmente quando se tem todas as condições de gerir essas riquezas de modo a proporcionar igualdade. A Vogue Brasil, ao obrigar a saída de Donata Meirelles da cadeira de diretora de estilo, pode agora fazer com que aquelas que são herdeiras da ancestralidade negra do Brasil retomem seus assentos.”

Para Nina Fola, socióloga e coordenadora do coletivo de mulheres negras Atinuké, a possibilidade de mulher negra ocupando o cargo de diretora de estilo da Revista Vogue é resultado de um esforço coletivo que vem se construindo há décadas. Ela explica que o movimento começa desde a inclusão dessas mulheres na academia e sua formação até o trabalho constante da militância negra e da denúncia do racismo.

– É extremamente importante que esse cargo seja ocupado por uma mulher negra pela simbologia e pela quebra de paradigma da branquitude, que a todo momento precisa ser atacado e ser revisto – afirma.

Para a pesquisadora, além da diretoria, a Vogue vive o momento para investir em uma equipe mais diversa, com parceiros e consultores.

–  A potência do olhar da diversidade de uma mulher negra é muito mais ampla e pode, sim, ser muito mais complexa e muito mais inclusivo do que simplesmente o de uma mulher feminista e branca, que permanece com as lógicas do racismo estrutural.

Em sua conta no Instagram, a estilista Carol Barreto se manifestou sobre a indicação. Ela conta que foi surpreendida pela indicação do CEN de seu nome como adequado para a diretoria da Revista Vogue e que ficou sabendo através de um amigo, que lhe enviou o link.

“Assim, venho aqui agradecer às pessoas integrantes do movimento social antirracista por considerarem meu nome como materialidade de um protesto, por me entenderem como aliada nesse campo, o que para mim é um reconhecimento especial do âmbito da minha existência que mais prezo: a criação sob a perspectiva feminista e antirracista, onde atuo há mais de dez anos como criadora, docente, pesquisadora e ativista”, escreveu Carol.

Com mais de dez anos de carreira, Carol tem uma trajetória reconhecida dentro do mundo da moda, relacionando pautas de gênero e antirracistas às suas criações. Ela foi a primeira brasileira a participar do Black Fashion Week Paris, em 2015, quando desfilou a coleção Vozes: Moda e Ancestralidades. Foi, também, a primeira brasileira a participar da Semana de Moda de Dakar, no Senegal.

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