Aula sobre vinho: professor de SC leva alunos da rede estadual para vinícolas da Serra

Formado em História pela UFSC, o jovem professor Gil Karlos Ferri, de apenas 26 anos, retornou a sua cidade natal, Anita Garibaldi, para apresentar aos alunos do ensino básico a importância das vinícolas para a região serrana. Em parceria com as empresas da Vinho de Altitude – Produtores Associados de Santa Catarina, que recebem os estudantes, ele desenvolve o projeto História e Vitivinicultura para ensinar sobre a importância desse mercado para a geração de renda, turismo e desenvolvimento local. Na última terça-feira (22), a garotada também foi pela primeira vez até o IFSC de Urupema para conhecer mais sobre a formação de enólogo. Por telefone, nós batemos um papo sobre o projeto:

Como você começou a se interessar pela vitivinicultura?

Desde quando fui morar em Florianópolis para estudar, o foco era voltar para minha cidade e realizar um projeto que fizesse a diferença no ensino. Quando optei por História, já tinha a ideia de ser professor. Depois de ter uma bolsa de pesquisa, orientado pela Dra. Eunice Nodari, precursora da Environmental History (História Ambiental) em Santa Catarina, tive o insight de desenvolver o projeto. Consegui implementá-lo em 2015, quando voltei para cá depois de formado e passei a lecionar na Escola Padre Antônio Vieira, da rede pública estadual. E, sendo de família com origem italiana, o vinho sempre esteve presente na minha história. Meus antepassados produziam vinho colonial para o consumo familiar, e hoje a bebida continua sendo uma paixão para nós. Alguns parentes ainda produzem vinho de modo artesanal na região de Urussanga.

Você está finalizando o mestrado em História Ambiental pela Universidade Federal da Fronteira Sul. Pretende continuar com o projeto?

Pretendo continuar. Se eu tiver que parar, vai me dar um aperto no coração. Eu estou realizado no ensino com adolescentes. E eu venho acompanhando esse processo desde criança. Eu sou entusiasta da região, tenho orgulho realmente. Quando eu estava em Floripa eu era sempre o serrano nostálgico, o pessoal até ria. Acho que de todos os setores, a vitivinicultura é a principal potência para o futuro. Tivemos pecuária e extrativismo vegetal, e agora a vitivinicultura e o enoturismo. Não temos só o frio, temos a vinícola. Quando você vende isso junto com uma experiência, como se hospedar numa cabana ou participar de uma degustação, é fantástico. Eu acompanho com muito entusiasmo tudo isso.

Como é o interesse dos alunos pelo tema?

Como ainda é algo novo na região, percebi que era esse o momento de trabalhar com eles. E os alunos têm um envolvimento bem bacana. Os empresários e donos das vinícolas os recebem e têm o cuidado de interagir e proporcionar experiência de aprendizado. Mas o objetivo também é incentivar um novo olhar para a região onde eles vivem. Além de conhecer mais sobre o vinho, eles veem o lado do empreendedor, de pensar diferente a região, que tem um terroir único. Ver que pertinho deles têm empresas diferenciadas, de alta tecnologia, e que produzem vinhos de alta qualidade e premiados no Brasil e no mundo. Faz com que pensem em outros campos de atuação para no futuro empreenderem ou trabalharem no setor.

E que retorno você tem dos pais?

Os alunos não bebem, claro, mas tomam suco de uva. Mas é muito legal porque os pais comentam do encantamento. Temos muita sorte porque sempre dá tempo bom, aqui quando tem geada é sinal de céu claro. Já teve excursão com -2°C, no dia mais frio do ano. Fomos recebidos com lareira. Eles adoram porque é uma experiência bem diferente, eles levam cobertores… são adolescentes, né.

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