Aulas de música a partir do sexto mês de idade auxiliam no desenvolvimento do bebê

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Crianças são seres em pleno desenvolvimento, com olhares atentos e questionadores. Estão prontas para repetir todas as percepções que aparecem à sua frente. Por isso, é cada vez mais comum a preocupação dos pais em oportunizar para seus filhos atividades que contribuem para a construção como indivíduos e, principalmente, que colaborem com a evolução cognitiva, o equilíbrio emocional e a interação social.

A musicalização infantil oportuniza todos esses benefícios e de acordo com Noemi Kellermann, diretora da Escola de Música do Teatro Carlos Gomes, de Blumenau, quanto mais cedo for iniciada, mais influenciará na formação dessa criança.

— O contato com a arte, em todos os sentidos, faz diferença no desenvolvimento das crianças. Para cada idade são utilizadas abordagens diferentes, que atendam as habilidades de cada fase — explica.

A partir dos seis meses

Bebês nessa faixa etária são muito estimulados pela música, que ativam de forma mais potente do que outras atividades os circuitos do cérebro. Por isso, nas aulas são exploradas as propriedades do som, com variações de tempo, intensidade, altura e timbre. São utilizados instrumentos e brinquedos sonoros adequados para a idade, como tambores, clavas, guizos e instrumental Orff.

Na chamada pré-iniciação, brincadeiras e jogos musicais se baseiam na exploração dos sons do corpo, de objetos, na realização de esquemas rítmicos, na execução de instrumentos, na apreciação, no canto e nas danças, onde a criança participa de forma ativa, estimulando a sensibilidade e expressão, raciocínio, desenvolvendo a concentração, coordenação motora, expressão vocal e corporal.

— Nesse primeiro momento, o objetivo é favorecer o desenvolvimento sócio-afetivo, psico-motor e cognitivo-linguístico, incentivando o prazer em ouvir, reconhecer e fazer música. Nos três primeiros anos de vida, a criança vive um momento mágico e importante, onde as conexões cerebrais se desenvolvem enormemente — comenta Carolina de Almeida Coelho Wachholz, professora das turmas para bebês.

Entre os cinco e sete anos

As crianças são familiarizadas com os sons e suas características, como pulso, ritmo, andamento, intensidade e altura. As vivências iniciam a partir do corpo, escuta, chegando à execução e improvisação musical. A partir do envolvimento com este universo, ocorre um processo gradual de sensibilização, consciência e percepção sonora que contribuem para o desenvolvimento integral da criança.

Elas também conhecem novos repertórios, compositores e instrumentos musicais. Fazem atividades rítmicas e melódicas com o corpo, voz e instrumentos. Reconhecem as notas musicais, quais são e como são organizadas, além de brincadeiras cantadas, jogos de mãos e rodas.

— A fundamentação para as aulas de educação musical infantil foi desenvolvida por pedagogos musicais, a partir do início do século XX. Não é um método, mas sim uma abordagem, uma forma de pensar e realizar as propostas, onde os pilares são escutar, executar, criar, jogar e mover — explica Júlio César Bach, professor das turmas até sete anos.

De oito a 12 anos

A prática infanto-juvenil visa o conhecimento e a prática com diferentes linguagens musicais, desenvolvendo a concentração, musicalidade, leitura rítmica e melódica, expressão, criatividade, manuseio com instrumentos de percussão e flauta doce. A criança evolui aspectos psicomotores, sócio-afetivos, audição, canto, expressão criativa e performance instrumental.

Há uma interação maior com os colegas, através da prática em conjunto, onde utilizam e compreendem os elementos simbólicos da estrutura da música (leitura, escrita e interpretação musical).

Nas aulas também são utilizados diversos instrumentos de percussão, o instrumental Orff (metalofones e xilofones), flauta doce, piano e, muitas vezes, um instrumento de preferência da criança, como bateria, flauta, violão, violoncelo ou violino.

— Como nesta idade as crianças já têm seus estilos, gostos e referências musicais mais definidos, muitas vezes o repertório que trabalhamos são conhecidos, o que contribui para que elas criem melodias simples ou escolham repertórios, tornando as aulas mais divertidas e atraentes — acrescenta Ana Betina Plautz professora das turmas dessa faixa etária.

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