Em busca de qualidade de vida, mulheres aderem à corrida e cresce a presença feminina em competições

Nas 10 maiores provas do país, mais de 40% dos concluintes são mulheres

Mell Porto
Foto: Felipe Carneiro

Uma perda há dois anos e meio fez Mell Porto, de 41 anos, mudar totalmente seu estilo de vida. A morte repentina do pai levou a advogada a repensar valores e dar um novo rumo para a sua vida. Casada e mãe de uma menina, ela viu no marido uma inspiração para aderir à corrida. Ele já praticava o esporte há um ano e havia perdido 30 quilos, e foi o estímulo que ela precisava.

– Mudei a alimentação e voltei a praticar exercício físico. Tomei aquela situação como uma lição. Eu resolvi ser mais e ter menos – conta a advogada, que hoje usa as redes sociais para motivar outras pessoas.

Logo no início, Mell procurou orientação em uma assessoria de corrida. Ela não praticava esportes há dez anos, desde o nascimento da filha. Com supervisão, viu as mudanças
surgirem rapidamente.

– Vi melhorias em tudo. Na pele, no sono, na disposição, no humor, no corpo. Não emagreci muito, mas mudei completamente minha estrutura muscular, ganhei massa magra e perdi massa gorda – relata a atleta, que se prepara para fazer sua primeira
maratona em agosto deste ano.

Mell Porto
Aos 39 anos, Mell perdeu o pai e resolveu mudar seu estilo de vida e a corrida foi seu apoio para superar o luto. Foto: Felipe Carneiro

A advogada é um exemplo de que com pouco ou nenhum investimento você pode começar uma atividade física. Utilizar os espaços públicos ao ar livre é uma boa alternativa para quem deseja começar ou manter uma vida saudável, e a corrida tem sido uma boa opção na conquista de qualidade vida.

O aumento de corredores de rua tem sido significativo nos últimos anos, reflexo disso é o grande número de provas em Santa Catarina e no Brasil.

– Correr virou febre e envolve das crianças aos idosos. Tanto que a estimativa atual é de oito milhões de pessoas correndo por ruas, parques e avenidas, e que este seja o segundo esporte mais praticado no Brasil, atrás apenas do futebol – aponta o vice-presidente da Associação de Treinadores de Corrida de Santa Catarina, Fabiano Braun.

Dentro desta realidade, é possível fazer um recorte do número de mulheres que têm na corrida uma aliada na busca por uma vida mais saudável e equilibrada. Em 2017, um levantamento do site de corridas Ativo.com apontou que nas 10 maiores provas do país, 41% dos concluintes eram mulheres.

– Grande parte das mulheres busca na corrida a oportunidade de cuidar do corpo e da saúde, fazer amigos e ter momentos de descontração com os treinos em equipe – conta Fabiano.

Um exemplo disso em Florianópolis é a corrida Night Run, realizada nas areias da praia do Santinho, que bateu o recorde de mulheres inscritas na oitava edição. Do total de participantes, 52% são mulheres, percentual que vem crescendo ano a ano, conforme apontam os dados da prova. Em 2018 elas eram 48% e, em 2017, 38% do total de corredores inscritos.

– As mulheres são muito mais organizadas e unidas, por isso estamos vendo esse crescimento nas provas. Os homens fazem mais inscrições individuais, enquanto as mulheres se inscrevem em grupo – destaca Eduardo Marcondes de Mattos, organizador da prova.

 

Prática em grupos

Para além do suporte técnico, os grupos de mulheres corredoras, na sua grande maioria, são para troca de experiência, apoio e informações sobre provas e treinamento. Mas é claro que há mulheres competitivas, cujo objetivo é superar limites e melhorar o desempenho.

– É muito bonito ver essa corrente de uma mulher inspirar a outra, levar para treinar junto. Considero uma vitória, afinal além de termos que vencer a rotina de ser mulher, dona de casa, trabalhadora e mãe, ainda temos que vencer o assédio quando treinamos sozinhas. Então ter esse apoio mútuo no mundo da corrida é essencial – comenta Fernanda Gabriella Lüttke, 37 anos, jornalista e autora do blog “Mulheres na Pista” em parceria com
a também jornalista Carolina Spricigo, 36 anos.

Carolina e Fernanda dividem no blog informações sobre provas, treinos e vitórias. Foto: Divulgação

Em 2011, quando iniciaram o blog, ambas trabalhavam no jornal A Notícia e receberam o desafio de participar da segunda edição da Joinville 10k. O relato dos treinos virou o canal que elas mantêm até hoje.

– Eu não corria nem meio minuto na esteira e foi muito legal compartilhar os treinos, dificuldades, evolução e vitórias com os leitores. Foi muito engraçado no começo ver as pessoas nos reconhecendo nas provas. Isso só nos inspirou a seguir – acrescenta Fernanda.

Para Carolina, a paixão pela corrida já havia iniciado muito antes, quando muito jovem acompanhava um vizinho que todos os dias passava treinando em frente à sua casa, em Concórdia, onde nasceu. Pela TV, acompanhou várias edições da São Silvestre, com o desejo de um dia figurar entre os corredores.

– Assisti a praticamente todas as São Silvestres da minha vida, pensando que algum dia eu participaria daquele evento. Mas demorei um bocado para tomar uma atitude e começar a correr. Foi apenas em fevereiro de 2011, então com 28 anos, que decidi cuidar da minha saúde e procurar uma assessoria de corrida. Já no início de abril daquele mesmo ano, participei de uma corrida de 5km. Foi incrível. Só conseguia pensar: “Por que foi que eu demorei tanto para começar?” Precisávamos compartilhar tudo isso – acrescenta a corredora, que até hoje mantém os ritmos de treino.

Carolina ainda pontua a importância de um acompanhamento profissional e ressalta que não há limite para a prática do esporte.

– Nunca é tarde demais para começar. Quanto antes você começa, antes percebe os resultados no corpo e na mente. Mas não faça isso sem antes ter um check-up completo em mãos juntamente com o OK dos médicos. Você pode começar a correr sozinho, mas uma assessoria de corrida é especializada em ensinar a prática, por isso eu recomendo que procure uma. Há diversas. Só precisa encontrar uma que pense da mesma forma que você e que esteja contigo nos treinos – aponta.

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