Catarinense cria método para ensino do ballet infantil

Catarinense Simone Duarte compartilha seus conhecimentos da dança para crianças em seu novo livro, lançado no Festival de Dança de Joinville

Foto: Mayara Dario/Arquivo Pessoal

Natural de Criciúma, a bailarina Simone Duarte, 28 anos, viaja o Brasil como palestrante levando seu método de ensino de ballet infantil. Bailarina, pesquisadora, formada em Educação Física e pós-graduanda em Neuropsicopedagogia, ela já capacitou milhares de profissionais da dança. Durante o 37ª Festival de Dança de Joinville, que acontece até o próximo dia 27 de julho, a jovem profissional celebra o lançamento de seu terceiro livro: Como tornar seus alunos superflexíveis.

Junto com o doutor em Bimecânica Frank Suzuki,  Simone reúne nesta nova obra ensinamentos práticos sobre a forma correta de executar os exercícios em sala de aula e melhorar a flexibilidade dos alunos de todas as idades.

 

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– Muitos professores não sabem exatamente a diferença entre mobilidade, alongamento e flexibilidade, nem têm conhecimento pleno sobre as estruturas ósseas, musculares e ligamentosas do corpo humano – comenta.

A bailarina também é autora dos livros Baby Class e Como Encantar e Ensinar as Crianças pelo Ballet – comercializados na América Latina, Europa e África.

A profissional lançou recentemente o primeiro podcast do país sobre ballet infantil, Encantos da Bailarina, novidade apresentada durante a Feira da Sapatilha, em Joinville. Os podcasts exploram assuntos como ballet infantil, desenvolvimento infantil, administração de escola e gestão de carreira do  profissional de dança.

Simone começou a dar aula de ballet infantil muito cedo e sentiu dificuldade em encontrar material de estudo para aperfeiçoar suas aulas. Da mesma forma, encontrava dificuldade de aplicar o mesmo método utilizado para as aulas de ballet de jovens e adultos e foi na dificuldade que ela encontrou um nicho no mercado e um público carente de conhecimento. Desta necessidade ela criou a Rede Sapatilha Dourada, referência no mundo da  dança infantil.

 

Qual o diferencial do método que criou?

Alguns professores que me acompanhavam pelas redes sociais – na época pelo Facebook – passavam pelas mesmas dificuldades que eu, e me viam como referência de pequisa. Coisas que eu aplicava em sala e compartilhava, elas também utilizavam em suas aulas e sentiam resultado. Assim, eu fui ganhando notoriedade, de forma natural, mesmo não sendo esse meu objetivo. Essas pessoas começaram a me pedir livros e cursos e eu fui vendo que tinha um mercado, e um público carente de conhecimento, o qual eu poderia contribuir. Nosso diferencial é justamente esse, dar para professores esse conhecimento e ensinar através da ludicidade o ballet para crianças. Por exemplo, nos temos aulas da Alice no País das Maravilhas. A gente se baseia na história e conta ela, só que entre uma
coisa e outra colocamos os passos de ballet.

 

Qual a importância do ballet na infância? Quais os benefícios físicos e psicológicos que a atividade pode proporcionar?

Da forma como desenvolvemos o método, as crianças aprendem a socializar com outras, vencem a timidez. Temos toda uma estratégia para que ela se sinta à vontade ao subir no palco para apresentar uma coreografia. Mesmo com muitas pessoas assistindo, a criança não chora, não trava. Nós conseguimos otimizar e trabalhar essa questão psicológica, além de toda a resolução de conflitos, de passar conceitos e princípios importantes no desenvolvimento delas. Se tem algum conflito em sala, uma querendo sentar no lugar da outra, por exemplo, tentamos resolver da melhor forma possível, porque são coisas bobas ao nosso olhar de adulto, mas a criança fica sentida. Então a gente resolve utilizando a CNV, que é a Comunicação Não Violenta. Sempre conversando e fazendo com que a criança entenda. Então, além dos movimentos técnicos nos preocupamos com a parte psicológica.

 

A partir de que idade a criança deve ou pode começar o contato com o ballet. Em que momento está apta para uma profissionalização?

A partir dos três anos é a idade ideal, porque normalmente ela já desfraldou, já consegue ter autonomia. A profissionalização depende, nosso método trabalha com a qualidade de vida e são coisas bem diferentes. Quando falamos em alto rendimento, hoje tem criança com cinco ou seis anos que treinam para isso. Mas eu não faço esse trabalho pois prezo pela preservação da parte psicológica e física da criança.

 

Fala um pouco sobre o seu novo livro Como tornar seus alunos superflexíveis.

O livro é sobre flexibilidade. Tenho percebido, nos últimos cinco anos, nos cursos que tenho ministrado a dificuldade de os professores em trabalhar a flexibilidade com crianças, até porque muitos não possuem uma formação em Educação Física ou Fisioterapia. Então, não têm esse conhecimento do corpo, fisiologia, como funcionam os músculos, os ossos, os ligamentos, tendões. A gente traz nesse livro conceitos técnicos importantes, de uma forma muito fácil de aprender. Tentando descomplicar ao máximo, para que a partir dali eles já consigam aplicar em sala de aula. Expomos as ideias que podem ser aplicadas na rotina desses professores e também trazemos a fundamentação para que eles entendam como o corpo funciona, para evitar lesões, que é o ponto principal.

 

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Fala também sobre o canal Encantos da Bailarina. É voltado para qual público e quais são os temas abordados?

O podcast é para professores e pais de alunos. A ideia é conversar e levar conhecimento sobre todo esse universo do ballet infantil, já que existe muita mistificação. Para os pais, passar a forma como trabalhamos em sala de aula, e a importância da dança. Muitas pessoas não sabem trabalhar com o lúdico, as vezes fazem coisas sem saber e criam um pré-conceito com o lúdico, mas ele é essencial para um bom desenvolvimento. Então levamos isso para os professores. Tem um podcast que vou gravar agora sobre coreografia. Sempre pensando e fazendo a ponte entre pais e professores, trazendo um entendimento maior e fazendo com que a criança se beneficie com tudo.

 

Sobre o Festival de Dança de Joinville, qual a importância dele para quem está no mundo da dança?

O Festival de Joinville é o principal evento no Brasil para os amantes da dança. A gente espera o ano inteiro para estar lá, pois além de receber do pessoas do país inteiro, existe uma troca de conhecimento enorme. São pessoas dançando por todos os cantos da cidade e conversando sobre dança. Porque o ballet é grande, mas não chega nem aos pés do futebol, por exemplo. Então, quando a gente encontra pessoas que falam a “mesma língua” conseguimos desenvolver uma conversa com conhecimento. Para todos que estão lá, é uma emoção quase indescritível. Por ser um grande encontro, lançar um livro durante o Festival está sendo maravilhoso.

 

E você continua dando aulas?

Sim, eu não largo os meus pequenos por nada. Justamente para ser um laboratório. Eles nascem praticamente com o tablet na mão, então se a gente não se atualizar e não tiver junto com eles, pensando como eles, entendendo o que almejam, nos não vamos conseguir nos conectar. O nosso sucesso também está ligado a isso, nós estamos antenados na necessidade das crianças de hoje. Elas têm uma carência psicológica muito grande, e o ballet consegue agregar nisso tudo. Eu estou sempre de olho para entender onde podemos ajudar mais, e tenho que estar em sala de aula. Amo meus pequenos, me divirto. É a minha terapia.

 

A valorização do ballet clássico em Santa Catarina, que é sede de uma escola do Bolshoi, é realmente diferente de outros estados?

Acho que em Joinville é mais especifica essa divulgação do ballet, apesar de que hoje já temos ballet em quase todas as cidades. Tem gente que faz curso comigo, de cidade de três mil habitantes, e está abrindo escola. É logico que o Bolshoi abre portas. Quando falamos em ballet a pessoa já pergunta se é da escola russa. Ela ajuda nesse sentido. O Bolshoi levou para o público leigo o que é o ballet, mas o nosso método não trabalha com alto rendimento, então essa referência não é tão boa. Nas seletivas do Bolshoi, por exemplo, se você não nasceu com físico para o ballet você já é logo eliminado. Mas, acredito que a dança é uma atividade para todo mundo. Tem esses dois lados. Nós fazemos essa parte de divulgar o ballet como inclusivo, e não focados no rendimento.

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