“Seguimos para um forte levante das mulheres”: conheça a banda Mulamba

O grupo, formado por seis mulheres, passará ainda este mês por Laguna, Lages, Concórdia e Chapecó

Foto: Luciana Petrelli

Elas já passaram por Joinville, Jaraguá do Sul, Itajaí e Florianópolis, e ainda estarão em Laguna, Lages, Concórdia e Chapecó nos próximos dias de março pelo circuito Sesc. Essa é a maior sequência de shows da carreira das seis mulheres que formam a banda Mulamba, de Curitiba, uma das mais recentes revelações da nova MPB.

Amanda Pacífico, Cacau de Sá, Caro Pisco, Érica Silva, Fer Koppe e Naíra Debértolis trazem nas letras uma série de questionamentos e indignações. Com muita qualidade acústica, as influências musicais vão do rock à música erudita e surgem num contexto de críticas e manifestos.

— Nossa sociedade caminha numa linha patriarcal, machista, e a música segue a mesma lógica. São governos e pessoas ditando regras o tempo todo e o reflexo disso presenciamos nas atitudes do dia a dia. É um caminho longo, mas, a cada passo que damos, todas nós nos seus ambientes, podemos transformar. Seguimos nas pequenas movimentações para um forte levante das mulheres, é só prestar atenção — afirma a violoncelista Fernanda Koppe.

Movimentações que ainda enfrentam resistências. Apesar do sucesso e do apoio nas redes sociais, as meninas percebem as barreiras para alcançar um público maior e consideram que quem às acompanha é um nicho de fãs, “composto por pessoas ligadas à cultura de resistência e que não se identificam com o sistema que está posto”, segundo Cacau de Sá.

— Nunca houve muito apoio em nada. Na verdade, o que tem é gente dedicando vida e morte pra fazer acontecer, mesmo que a contragosto de uma pequena gama da sociedade que detém a grana — aponta a vocalista Cacau de Sá.

Leia também: Banda catarinense de samba-reggae formada por mulheres lança primeiro disco e tem muito a dizer

Ativismo e luta por espaço

O viés ativista da banda é nítido nas músicas “Mulamba”, “Espia Escuta”, “Lama”, “Vila Vintém” e “P.U.T.A”, esta última com um clipe que já bateu mais de 700 mil visualizações e 15 mil compartilhamentos.

— A mensagem é pra desalienar cabeças e propor aos corpos movimentos e vivências mais libertas das garras cristalizadas de uma sociedade patriarcal, que só tem por objetivo maior oprimir e, até mesmo, aniquilar a diversidade. O governo atual só fez foi piorar o que nunca foi bom e sua propaganda de ódio só está nos levando a um retrocesso rápido, voltando a legitimar abusos patriarcais — pontua Cacau.

Nos shows em Santa Catarina, a banda se depara com apoio e novos motivos para seguirem na luta feminista.

— Podemos dizer que ficamos surpresas com a receptividade e calor do público. No entanto, sabemos que cidades como Jaraguá do Sul – por onde nos apresentamos nesse circuito – que é tida como pacífica e hospitaleira, tem um dos maiores índices de violência de gênero de Santa Catarina, assim como outras cidades do Estado.

Foto: Duda Dalzoto

Próximas apresentações:

Laguna
Dia 25 de março, das 20h às 21h30
Endereço: Sáles, SN – Av Engenheiro Colombo Machado Sáles
Ingressos: Gratuitos (retirar na bilheteria do Teatro a partir das 19h no dia da apresentação)
Classificação: 16 anos
Informações: (48) 3644-3087

Lages
Dia 27 de março, das 20h às 21h
Endereço: Av Dom Pedro ll, 1693
Ingressos: Gratuitos (retirar na bilheteria do Teatro a partir das 19h no dia da apresentação)
Classificação: 16 anos
Informações: (49) 3251-5150

Concórdia
Dia 29 de março, das 20h às 21h30
Endereço: Rua Romano Anselmo, 620
Ingressos: Gratuitos (retirar na bilheteria do Teatro a partir das 19h no dia da apresentação)
Classificação: 16 anos
Informações: (49) 3442-0303

Chapecó
Dia 29 de março, das 19h30 às 21h
Endereço: Rua Brasília, 475-D
Ingressos: Gratuitos (retirar na bilheteria do Teatro a partir das 18h30 no dia da apresentação)
Classificação: 16 anos
Informações: (49) 3319-9100

Leia também: Luiza Trajano: de executiva poderosa a ativista em defesa das mulheres