Bebê de Meghan e Harry levanta debate racial na realeza britânica

Representatividade da ex-atriz, que é filha de uma mulher negra, e de seu herdeiro tem sido pauta no Reino Unido

Meghan Markle está grávida de seu primeiro filho com o príncipe Harry. Foto: Fadel Senna / AFP

O casamento do príncipe Harry com Meghan Markle foi um momento histórico para a família real do Reino Unido, em função das origens da ex-atriz, de ascendência afro-americana. Na cerimônia, celebrada em maio do ano passado, a noiva fez questão de chamar o reverendo Michael Bruce Curry, conhecido por se manifestar pela igualdade racial.

Mas há quem diga que o nascimento do filho do casal é ainda mais significativo nesse sentido. O novo bebê real é o sétimo na linha sucessória ao trono e, acredita-se, o primeiro de raça mista em tal posição na história da realeza britânica.

Como Meghan tem mãe negra e pai branco, sua etnia sempre foi pauta nos debates sobre seu relacionamento com o neto da rainha Elizabeth.

“A imagem da rainha Elizabeth e da mãe de Meghan, Doria Ragland, afro-americana, juntas na St. George’s Chapel, será um momento simbólico. Uma é descendente de povos que foram escravizados e a outra é a monarca que está há mais tempo no trono na história britânica”, diz um trecho da biografia não autorizada de Meghan, escrita por Andrew Morton, jornalista britânico autor, e lançada em abril do ano passado, pouco antes do casamento real.

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Meghan Markle e Harry se casaram em maio de 2018AFP

A representatividade de Meghan

A reportagem do NBC News repercutiu a representatividade de Meghan dentro da família real – e, consequentemente, de seu herdeiro.

A diretora da empresa que publica Essence, uma revista norte-americana para mulheres afro-americanas, Michelle Ebanks, vê o lado positivo nessa história:

– Toda vez que podemos quebrar uma barreira e estar, como pessoas negras, em algum lugar onde não somos esperados, isso é para ser celebrado – destacou ela.

Para Ingrid Seward, editora da revista Majesty, o novo bebê será um passo pequeno, mas importante, para a família real.

– Para que a monarquia sobreviva, ela tem que evoluir e esta é outra maneira de se evoluir e se tornar mais sintonizada com a sociedade multirracial em que vivemos agora.

O jornalista Robert Jobson, que também escreveu biografias sobre os membros da família real, considera que a etnia de Meghan impactou em muitas jovens britânicas, que passaram a se sentir representadas também.

– Eu estava cobrindo o casamento real para a televisão americana e havia garotinhas negras vestidas de princesa. Acho que aquelas garotinhas jamais sonharam que poderiam fazer parte desta história.