Blumenauense recebe indicação para o Prêmio Jabuti 2019

Mareclo Labes está concorrendo na categoria Poesia com a obra Enclave

Foto: Caiaponte/Divulgação

O blumenauense Marcelo Labes está na lista dos finalista do Prêmio Jabuti 2019. O escritor concorre na categoria Poesia com a obra Enclave, da Patuá Editora. Concedido pela Câmara Brasileira do Livro, este é o prêmio de maior destaque da literatura brasileira.

— Santa Catarina está à margem da literatura nacional. Temos Carlos Schroeder, hoje, que publica por uma grande editora e traz visibilidade para o estado, mas há muito mais autoras e autores produzindo excelente literatura em prosa e verso. Ou seja: é mais um lembrete para que não se esqueçam de colocar SC no mapa da literatura brasileira — comenta Labes.

Em sua 61ª edição, o Prêmio Jabuti recebeu 2.103 inscrições e foram selecionados 5 nomes para as 19 categorias desta edição. Os vencedores de cada uma delas receberá R$ 5 mil e uma estatueta, e o ganhador do Livro do Ano ganha R$ 100 mil. A cerimônia de premiação será realizada no Auditório Ibirapuera, em São Paulo, no dia 28 de novembro.

A indicação que coloca o Estado na lista de um prêmio como o Jabuti, dá esperança para o blumenauense.

— O mais importante é essa oportunidade de ser lido por pessoas que ainda não conhecem meu trabalho e que podem passar a conhecer a partir daquela lista.

 

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Obrigado a todo mundo que participou desse livro, que vive a vida comigo.

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Indicado na categoria Poesia, Enclave, é um livro crítico a construção de que vivemos, os catarinenses, num pedaço da Europa. Essa desconstrução se tornou norte na literatura de Labes é aparece também na obra Paraízo-Paraguay, que foi publicada pela editora independente Caiaponte.

— É muito importante que esse anúncio tenha vindo em outubro, quando Blumenau se veste de cidade europeia e invisibiliza toda outra forma de expressão. Enclave é sobre isso, e esse momento é grandioso — acrescenta o autor.

Editora Caiaponte

Marcelo Labes junto dos também escritores Telma Scherer e Gustavo Matte iniciaram em janeiro deste ano uma campanha de crowdfunding, uma vaquinha online, para arrecadar recursos para imprimir os primeiros livros da Caiaponte Edições, o objetivo era dar espaço para publicação de obras independentes. O resultado do projeto, Labes divide com alegria:

— Caiaponte surgiu depois dessa campanha. Publicamos nossos três primeiros livros, meu romance Paraízo-Paraguay, o romance Nuvem colona, de Gustavo Matte, e romance Lugares ogros, de Telma Scherer. Estão quase esgotados. Em seguida publicamos “Microcontando”, de Adriano Salvi e Marcio Markendorf, que será lançado dia 12/10 em Balneário Camboriú, e ainda está em fase de edição o livro de poemas Revoluta, da Coletiva Abrasabarca, um coletivo de mulheres poetas de Florianópolis. Ganhar um prêmio significa ter grana para editar tudo que precisa ser publicado por aqui. Já que a ideia é ter uma editora que sobreviva dos livros e não precise cobrar as publicações de seus autores — finaliza Marcelo.

 

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