Boteco é coisa de casal: conheça histórias de casais que administram bares em Florianópolis

Casal Vanessa e Roberto. Foto: Leo Munhoz

Reunir amigos, tomar uma cerveja gelada e comer um bom petisco. Um boteco é sempre convidativo quando o objetivo é relaxar depois de um dia de trabalho. A simplicidade e a comodidade de se sentir em casa é o que oferecem o casal Vanessa Ribeiro e Beto Horcades, proprietários de um bar, no bairro Santa Mônica, em Florianópolis. Ela trabalhava com marketing e ele era chef de cozinha de um badalado restaurante da cidade. O espaço era administrado por outros donos quando o casal, que já frequentava o bar, resolveu assumir o ponto. Na época com mais um sócio, por isso recebeu o nome Canto do Trio.

– Aqui era um barzinho bem pequeninho, administrado também por um casal que já não estava mais conseguindo dar conta, mas que não queria que o espaço perdesse a essência. Há seis anos, quando assumimos, não tinha nada aqui em volta, eram só lojas diurnas, éramos a única opção – relembra Vanessa. Ela diz, sem modéstia, que ajudou a construir a cena gastronômica do bairro, que hoje conta com vários outros bares e restaurantes.

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A política no Canto do Trio é self-service. O cliente pega sua cerveja na geladeira e marca na lousa que fica em um pequeno balcão no interior do estabelecimento. Vanessa explica que o bar não tem funcionários, quando precisa ela chama amigos para dar uma força no atendimento. O esquema do bar só muda nas sextas-feiras quando uma roda de samba agita o lugar.

– Religiosamente, há seis anos, temos um samba das nove horas até a meia noite. Funciona assim: temos um músico profissional – que é um amigo nosso – e que faz voz e violão, e o restante da ‘banda’ são os clientes. Disponibilizamos instrumentos de percussão, quem tem instrumento traz também, e a roda vai acontecendo. Tem sexta que é profissional e tem sexta que são só os doidões — conta a proprietária, que ressalta que nos dias de samba, com o movimento maior, o controle é feito por comandas, mas o cliente continua com a autonomia de escolher sua cerveja nas geladeiras, que ficam logo na entrada do bar.

Um pequeno deck coberto e algumas mesas e cadeiras, um espaço interno com uma cozinha que fica visível aos clientes, dois banheiros e uma decoração que conta um pouco da história do local, o Canto do Trio se consolidou na região, mesmo com o aumento da concorrência.

– Hoje nosso público é muito misto. Com a crise financeira do país as pessoas começaram a apostar em negócios próprios, então hoje a cada 100 metros você encontra um bar, uma lanchonete. Próximo às agencias de propaganda, que eram nosso grande público inicial, já existem outros bares e cervejarias, o que acabou dando uma diversificada no nosso público – comenta Vanessa.

Bar democrático

Em um bairro próximo, no Saco do Limões, outro casal de botequeiros também tem uma história parecida com a de Vanessa e Beto. Fernando Jones dos Santos, mais conhecido como China, e a namorada Jéssica Soares, administram o CSC – Centro Social da Cerveja. Ao lado da Universidade Federal de Santa Catarina, o bar é frequentado por universitários, mas também por outros perfis de clientes.

Fernando com o petisco criado para edição 2019 do Comida di Buteco. Foto: Leo Munhoz

Em 2012, Fernando frequentava o CSC com amigos e percebia que o bar tinha um potencial para melhorar.

– Em determinado momento um amigo começou a trabalhar aqui e eu comecei a frequentar mais o bar. Daí ele me falou que o espaço estava à venda. Outros três amigos acabaram se interessando pelo negócio e em sociedade assumiram o ponto. Eu acabei não entrando na sociedade no começo, mas fui convidado para fazer consultoria na cozinha, porque eu já trabalhava com isso há mais ou menos 15 anos – conta Fernando.

Dois dos sócios acabaram deixando o negócio e Fernando e Jéssica, que se conheceram e começaram a namorar depois da sociedade, assumiram juntos o bar. Com foco na gastronomia, o CSC abre para almoço com buffet e à noite reabre num clima mais de happy hour.

Com um salão espaçoso e também um espaço externo, o estabelecimento segue a principal característica de um bar, a democracia.

– A principal característica do nosso bar é a democracia de preços e de produtos. Hoje temos um Centro Social da Cerveja, e levamos muito a sério a palavra social, no sentido de todos os públicos, raças, credos, religiões, idade e ‘bolsos’, tanto que trabalhamos com litrão a R$ 9,90 e cervejas artesanais de R$ 45. O nosso segredo é não ter um público definido – ressalta Fernando.

 

Concurso Comida Di Buteco

Petisco Canto do Noel. Foto: Leo Munhoz

Além de histórias parecidas, os bares CSC e Canto do Trio tem mais algo em comum, pelo segundo ano consecutivo participam do concurso Comida Di Buteco, que acontece até 5 de maio, em Florianópolis e em outras 20 cidades brasileiras. Em Floripa são 16 bares participantes, que servem petiscos a um preço fixo de R$ 20. Os interessados poderão provar os pratos e votar.

Os bares participantes são Zeca Bar (Campeche), Toca do Paru (Itaguaçu), Tonho Boteco (Santo Antônio de Lisboa), Restaurante Moca (Itaguaçu), Sufocos Bar (Rio Tavares), Miltons Bar (Centro), Centro Social da Cerveja (Saco dos Limões), Coisas de Maria João (Santo Antônio de Lisboa), Conversa Fiada (Coqueiros), Canto do Trio (Santa Mônica), Boteco Vai Quem Quer (Centro), Botequim das Flores (Santo Antônio de Lisboa), Canto do Noel (Centro), Boteco Caravela (Praia do Forte), Armazém do Córrego (Córrego Grande) e Bar Becool (Trindade)

O público e um corpo de jurados visita, vota e elege o campeão, avaliando quatro categorias: petisco, atendimento, higiene e temperatura da bebida. O petisco leva 70% do peso da nota e as demais categorias 10% cada uma. O voto do público vale 50% do peso total e dos jurados 50%.

No ano passado, o campeão do Comida Di Buteco em Florianópolis foi o Tonho Boteco, de Santo Antônio de Lisboa, com uma coxinha de costela.

Já na segunda etapa, em junho, uma comissão de jurados, escolhida especificamente para esse momento, vai visitar os campeões de cada cidade avaliando sua performance nas mesmas quatro categorias (petisco, atendimento, temperatura da bebida e higiene). Cada campeão recebe três jurados (um jurado da sua cidade e dois de outros locais). Elege-se aí o “Melhor Buteco do Brasil”, que será conhecido e premiado no mês de julho.