Cachaça de catarinense entre as melhores do mundo

Produzida pelo empresário e mestre cachacier, Renato Bittencourt, a cachaça Antonieta participa pela primeira vez do festival mais importante de destilados do mundo, em Bruxelas, e é premiada com a Grande Medalha de Ouro

Foto: lara Decker

É produzida por um catarinense a cachaça premiada no Spirits Selection by Concours Mondial de Bruxelles 2019 (Concurso Mundial de Bruxelas), o mais importante e prestigiado concurso mundial de destilados. A cachaça Antonieta, armazenada em tonéis de amburana, levou a Grand Golden Medal, que é a premiação máxima do concurso. Apenas 48 destilados no mundo receberam tal distinção este ano.

A cachaça é o terceiro destilado mais consumido no mundo. No Brasil é a bebida nacional por decreto federal, onde 70% da produção é de cachaça industrial e 30% artesanal, segundo os dados deste ano do Centro Brasileiro de Referência da Cachaça (CBRC).

A fabricação da Antonieta é artesanal, realizada em alambiques de cobre e armazenada em tonéis de amburana (também conhecida como cerejeira). Essa nobre madeira brasileira confere coloração dourada à bebida e um buquê aromático com notas de baunilha, mel, frutas secas e especiarias. O processo artesanal confere aroma e sabor distintos e complexos.

O criador da cachaça premiada em Bruxelas é o empresário Renato Bittencourt, que formou-se em mestre alambiqueiro, cachacier (sommelier de cachaças) e master blender e possui o título de Mestre Cachacier. Natural de Tubarão, é radicado em Florianópolis e sócio-proprietário do charmoso Empório Capella, na Capital. Ele também produz a Antonieta desde 2017, Minas Gerais, estado considerado berço da cachaça, ao lado do Mestre Cachacier Arnaldo Ribeiro, diretor da Associação Nacional de Produtores de Cachaça de Qualidade (ANPAQ) e professor na Cana Brasil.

— Trata-se de uma conquista histórica para a cultura catarinense, nos dando a certeza do caminho escolhido e o reconhecimento do trabalho desenvolvido para entregar ao público uma cachaça de qualidade excepcional — conta o empresário.

Ele explica que os blend da Antonieta é exclusivo. Blends elaborados (uma espécie de assinatura do mestre cachacier) ainda são poucos utilizados na produção de cachaças.

— Essa técnica confere características sensoriais distintas ao destilados e é um recurso valioso para produzir uma bebida com tons peculiares e únicos, explorando a melhor expressão de cada uma das madeiras, dos diferentes tratamentos dos barris, do tempo de armazenamento e envelhecimento. É um universo de possibilidades infinitas — explica.

 

Para apreciar com moderação e estilo

Degustar uma boa cachaça é tarefa para se executar com calma e satisfação. Renato Bittencourt indica a taça de formato alongado, com estreitamento da boca e bojo, para que o líquido se movimente livremente, formando lágrimas na parede e liberando os aromas da bebida.

— A haste permite que o calor das mãos não interfira na temperatura e no sabor. Através da taça também é possível observar a cor, oleosidade, limpidez e o brilho — aponta o cachacier.

Para se tornar especialista

Há quatro tipos de análises principais ao se degustar uma cachaça. Na visual, observe se há turvidez ou qualquer outro tipo de impureza. Agite a garrafa fechada e observe a formação de bolhas, elas deverão desaparecer em até dez segundos.

— Uma boa cachaça deve ser cristalina e suas lágrimas devem escorrer pelo cálice como um óleo fino — explica Renato.

Na análise olfativa, três a quatro centímetros de distância entre copo e nariz já são suficientes. Faça um movimento circular com o cálice para liberar os aromas. O primeiro a ser percebido é o da cana, o aroma secundário é adquirido durante a fermentação, produzido por ésteres e óleos, e o terciário é transmitido pela madeira onde a cachaça foi armazenada.

Na análise gustativa, coloque uma pequena quantidade na boca e faça percorrer todos os seus cantos. Uma boa cachaça é aveludada e não deve provocar a sensação de descer queimando. Seus sabores também devem estar integrados ao aroma.

Já a análise retro-olfativa permite descobrir novos sabores. Inspire preenchendo parcialmente os pulmões com ar, coloque a cachaça na boca e a sinta. Só então, expire lentamente. Analise o conjunto de sabores e a persistência que fica em sua boca. Uma boa cachaça mantém as características por vários segundos após sua degustação. Por fim, é possível perceber o conjunto da obra, revelado pelo buquê de aromas, sabores, qualidade e requinte.

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