Camille Reis: Após vender a maior rede de franquias de alimentação saudável do país, Jeane Moura fala sobre a nova fase

Foto: Felipe Carneiro

Há 10 anos, quando abriu a primeira loja de sucos e comidas naturais num shopping de Florianópolis, a catarinense Jeane Moura não tinha ideia do sucesso que faria à frente do que se tornaria a maior rede de alimentação saudável do país. Case de empreendedorismo feminino, ela foi citada em inúmeras reportagens e começou a ser assediada por investidores e outros grupos, até decidir vender 60% do negócio no ano passado. Os planos de crescimento acabaram ofuscados por divergências com os sócios e há dois meses Jeane optou por seguir outro rumo. No papo especial para a Versar ela falou sobre esse novo momento, a chegada aos 40 anos e como transformou um estilo de vida em algo tão lucrativo.

A que você atribui o sucesso da marca que criou?
A DNA Natural foi construída com muito carinho, numa época de crescimento do mercado de alimentação saudável e todo mundo tinha um mesmo ideal, que era melhorar a vida das outras pessoas, acho que esse foi o grande ingrediente.

O surgimento da empresa coincidiu com o nascimento do seu filho, Davi. Foi difícil conciliar a vida de mãe com a de empreendedora?
Foi. Restaurante ocupa muito tempo e eu tinha que cuidar de pesquisa, cardápio, fornecedor, obra, foi uma loucura. Quando o Davi tinha 1 ano eu levava ele pra dentro do caixa, sorte que tive muita ajuda também, mas a minha vida era no shopping com ele.

Alimentação saudável sempre foi uma preocupação sua?
Sim, a gente se acostuma a comer bem, até tenho meus deslizes mas no dia seguinte sinto um desconforto, então prefiro me alimentar de maneira saudável e isso reflete na pele, no humor. DNA significava Dicas Nutricionais de Alimentação, a ideia sempre foi dar dicas para o dia a dia, estudei muito sobre o assunto e era muito fácil viver aquilo que eu estava pregando.

Você também pratica atividade física?
Antes minha vida era bem corrida, tinha meia hora por dia, viajava muito, me apaixonei por corrida de rua por causa disso, eu não conseguia ter uma rotina. Agora entrei para a musculação e estou fazendo outras coisas que gosto, como jogar frescobol e praticar slackline.

A chegada aos 40 anos mudou alguma coisa?
Sim, a gente repensa muita coisa, cheguei nos 40 e vi que sempre fiz tudo pelos outros, agora quero cuidar mais de mim, inacreditável como a gente fica mais segura, estou apaixonada pela minha idade, de verdade.

Como foi o processo que te levou a vender a rede de franquias?
Eu sempre fui muito procurada por grandes grupos, investidores, mas nunca dei atenção porque a DNA estava crescendo num ritmo interessante. No ano passado me identifiquei com um grupo catarinense que tinha uma proposta bem ética e intenção de crescer o negócio de uma maneira progressiva, além de grande experiência em franquias, porque eu achava que depois de 10 anos já tinha crescido o que eu conseguia. Vendi 60%, tivemos um ano de muitas conversas e acabamos divergindo em alguns momentos. Como eu sempre trabalhei sozinha pareceu mais interessante deixar a DNA crescer com um grupo com experiência e um potencial maior, então fizemos um acordo e eu saí. Agora estou pensando em quais vôos vou alçar.

Como tem sido esse período, conseguiu desacelerar?
Estou estranhando bastante, a palavra é essa. Eu acordo e falo assim: o que eu tenho pra fazer? Nada! (risos) Virei até síndica do meu condomínio pra me ocupar. Eu estava acostumada a ter uma lista de 50/60 coisas pra fazer num dia, 300/400 e-mails, muita gente dependendo de mim. Hoje eu consigo deixar coisas para o dia seguinte, fazer massagem, cuidar de mim, coisas que eu nem imaginava. Claro que eu ainda trabalho, dou consultoria para outras empresas, estou com 5 clientes que estão virando franquia, mas consigo colocar horários, antes era tudo na urgência.

Tem vontade de começar do zero de novo?
Claro, pra mim o mais gostoso é ver o negócio nascer, colocar energia nele, só não sei ainda o que, acho que já tive umas 40 ideias de empresas que poderiam ser um bom negócio. A diferença é que hoje tenho um pensamento diferente, quero focar mais na minha família, casei novamente há 6 meses, meu filho está entrando na adolescência, então qualquer negócio que eu abra hoje não abriria sozinha e não teria 100% de dedicação. Estou num outro momento.

Mas você já poderia se aposentar com a venda da DNA, certo?
Acredito que sim, fiz um bom negócio, só que eu não conseguiria. Acho que vou viver até os 110 anos, imagina quanta coisa dá pra fazer até lá!

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