Camille Reis: “O mais difícil é o pré-julgamento”, afirma Maria Angélica Colombo sobre os sete anos como primeira-dama do Estado

Maria Angelica Colombo - Foto Felipe Carneiro, Diário Catarinense

Maria Angélica Colombo – Foto Leo Munhoz, Diário Catarinense

Quem vê esta jovem senhora malhando numa academia de Florianópolis pode até nem saber de quem se trata, apesar da beleza e boa forma que chamam a atenção nos seus recém-completados 62 anos. Conhecida pela discrição, Maria Angélica Colombo optou por atuar nos bastidores do poder. Sem cargo público, ela se dedica a causas sociais e organiza eventos em prol de entidades. Casada com o governador Raimundo Colombo há quase 40 anos – com quem tem 2 filhos e 3 netas – tem como lema de vida a fé e o otimismo.

Com uma fala calma que revela muito do seu jeito de ser, ela me recebeu na Casa d´Agronômica para um papo daqueles que poderia durar uma tarde inteira.

Como é ser a primeira-dama do Estado? As pessoas te tratam de um jeito diferente?
Acredito que não, eu sou a mesma que era antes, se as pessoas me olham diferente, depende delas, mas a minha vida é normal. Acho que isso também é um reflexo de como a gente se coloca para o outro. O Raimundo sempre lembrou que estamos num lugar com data para entrar e sair.

Como é o seu dia a dia aqui na Casa d´Agronômica?
Você é dona de casa? (ela me pergunta e respondo que sou de tudo um pouco). Aqui não é muito diferente, minha rotina é como dona de casa, uma mulher que trabalha, que quer ajudar. Tudo tem o meu olhar. Eu gosto muito daqui, do espaço, do verde, da tranquilidade, fico agradecida pela oportunidade de morar num lugar tão lindo. Gosto de Florianópolis, tem uma energia muito gostosa, mas gosto muito da minha terra também, Lages.

Apesar de ser primeira-dama você optou por não ocupar nenhum cargo público. Por que?
Eu fiz essa opção de ficar na retaguarda e agir mais como voluntária porque isso me deu mais liberdade, sem depender do cargo público. Todas as ações que tive a oportunidade de realizar foram com o apoio das pessoas, até pra mostrar que a gente pode fazer alguma coisa sem depender do governo.

Qual considera o maior problema social do Estado hoje?
Todas as áreas possuem grandes desafios, os recursos diminuíram, mas eu acho que a educação é o principal, e isso passa pela família.

No próximo ano se encerra o mandato de Raimundo Colombo. Nesses 7 anos, qual foi o momento mais difícil?
Eu sempre procuro ver o lado positivo de qualquer situação, mas o mais difícil na vida pública é a maldade e o pré-julgamento que as pessoas fazem. Porque ninguém sabe tudo o que está por trás. Hoje isso não me afeta mais. A gente supera essas situações através da fé, que eu cultivo muito dentro de mim.

Você é muito apegada à religião?
A fé na minha vida é muito forte, ela me impulsiona a fazer muitas coisas e superar os desafios e me deixa mais leve, o que me fortalece. Quem tem fé consegue superar melhor os momentos de dificuldade.

A fé está presente inclusive nas suas obras, como artista plástica…
Sim, eu gosto muito da arte sacra, já restaurei algumas imagens, pinto ícones também, tem dois quadros aqui nessa sala que são meus. Eu gosto muito de pintar, é uma oportunidade de refletir, um momento só meu.

Quais as maiores realizações nesse período como primeira-dama?
Fiz vários eventos aqui na Casa d´Agronômica, vendendo convites, além de eventos no teatro, palestras e sempre 100% para ajudar as instituições. Realização pra mim é conhecer as pessoas e saber que você despertou algo no coração delas para servir o outro. Se cada um fizer um pouquinho vira um “poucão”.

É verdade que fez curso de cabeleireira para cortar o cabelo de pessoas
carentes?
Sim, fiz há uns 4 anos, todos temos que escolher o que gostamos de fazer e se doar, então eu vou nos asilos e corto o cabelo dos velhinhos, é um momento único, porque estou como cidadã cortando o cabelo deles, é uma troca, a gente tem muito a aprender com eles.

Tem algo que ainda sonhe fazer?
Apenas continuar com as minhas ações, incentivar as pessoas através do voluntariado. Se doar é genuíno, você não pensa em receber nada em troca. Sou muito otimista, evito escutar notícias ruins, acho que o mundo está contaminado e tudo depende de nós, da maneira como a gente olha. A esperança é o que move as pessoas a serem melhor.

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