Campanha em garrafões de água mineral em SC destaca disque-denúncia

Mais de 1 milhão de adesivos com o número 180 serão colados nos garrafões de 20 litros da Acinam, que são utilizados na maioria dos lares catarinenses

Fotos: Acinam/Divulgação

Os dados alarmantes da violência contra mulher chamaram atenção da Associação Catarinense das Indústrias de Água Mineral (Acinam), que lança no dia 30 de janeiro a campanha “Diga não à violência à Mulher, menos ódio mais amor”.

O número de brasileiras que sofrem violência cresce a cada ano. Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública, somente nos oito primeiros meses de 2018 foram registrados quase 1.850 estupros, o que significa cerca de 230 casos por mês, em Santa Catarina. No mesmo período, foram 12,6 mil casos de lesão corporal e 66 feminicídios.

— A Acinam está engajada nesta causa tão importante e urgente. Queremos divulgar o 180 para ajudar a conscientizar a população catarinense e evitar que mais mortes e agressões aconteçam – afirma Tarciano Oliveira, presidente da Acinam.

Tarciano Oliveira, presidente da Acinam, destaca que a causa é urgente e importante

Mais de 1 milhão de adesivos com o número 180 serão colados nos garrafões de 20 litros da Acinam, distribuídos por 14 indústrias de água mineral de Santa Catarina. O objetivo é evidenciar o telefone no próprio vasilhame, já que a grande maioria dos lares utiliza esta embalagem de água mineral.

Segundo o Instituto de Segurança Pública (ISP) do Rio de Janeiro, no Dossiê Mulher, Companheiros e ex-companheiros, familiares, amigos, conhecidos ou vizinhos foram os responsáveis por 68% dos casos de violência física, 65% da violência psicológica e 38% da violência sexual sofrida por mulheres no estado. Os dados, que não diferem muito do que acontece em Santa Catarina, destacam a importância do número estar disponível dentro de casa.

Luta contra a violência

Para o lançamento da campanha, a associação convidou Maria da Penha, que deu nome à lei de proteção a vítimas de violência doméstica e familiar, e palestrará para convidados no Auditório da Fiesc, em Florianópolis.

Maria da Penha tem uma trajetória marcada pela luta contra a violência. Autora do livro “Sobrevivi… posso contar” e fundadora do Instituto Maria da Penha, ela sobreviveu a agressões e duas tentativas de feminicídio do ex-marido que deixaram sequelas para o resto de sua vida.

Se tornou um símbolo na luta contra a impunidade dessa violência que atinge milhares de mulheres, adolescentes e meninas em todo o mundo.

Denuncie

Levantamento do Instituto Maria da Penha mostra que a cada dois segundos uma mulher é vítima de violência física ou verbal no Brasil. Qualquer pessoa pode denunciar casos de agressão por meio de 180. O canal está disponível em todo o Brasil. Pelo número é possível esclarecer denúncias sobre os diferentes tipos de violência. A central atende 24h todos os dias, inclusive em feriados e finais de semana.

Leia também:

Bianca Andrade é acusada de apropriação cultural após publicar foto com black power