Câncer de pele: saiba quais são os tipos, como prevenir e tratar

A empresária catarinense Manu Berger está nas estatísticas do Inca desde os 25 anos de idade

Foto: Vera Bonfante

O assunto é clichê, repetido todos os anos quando chega o verão e novamente vem à tona, pois a maioria das pessoas parecem não se preocupar muito com os riscos da exposição ao sol, e o câncer de pele é coisa séria e questão de saúde pública. Dados do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam que o Brasil deva ter 165.580 novos casos registrados de câncer de pele não melanoma e outros 6.260 melanomas (tipo de câncer mais agressivo) neste ano. Em 2013, foram 3.316 mortes por câncer de pele, dos dois tipos, sendo 2.547 homens e 1.413 mulheres. Números altos e que servem como alerta.

Segundo a médica dermatologista Mariana Barbato, membro da Sociedade Brasileira de Dermatologia, as pessoas não levam a proteção tão a sério porque acabam se protegendo só quando vão à praia e têm a sensação de dever cumprido.

— Muito se fala sobre o câncer de pele, mas as pessoas ainda desconhecem que a radiação ultravioleta está presente o ano inteiro. Essa radiação, a ultravioleta B, que é a responsável pelo câncer de pele, está presente o ano todo. Então não dá para se preocupar apenas no verão, ou pior ainda: só quando vão à praia — ressalta.

manu berger
Manu Berger (Foto Diorgenes Pandini/Diário Catarinense)

A empresária catarinense Manu Berger está nas estatísticas do Inca desde os 25 anos de idade. Mesmo com todo cuidado que tinha com a saúde e com a pele, hoje, aos 33 anos, ela já soma dois casos de câncer de pele do tipo melanoma, cirurgias e muitas marcas.

— Eu sempre tive o cuidado com a saúde da pele porque a minha avó já teve câncer de pele, meu pai também, então nossa família sempre foi muito atenta em relação a isso. Descobri os dois cânceres bem no início, e foram resolvidos com cirurgia, pois a lesão estava localizada nas costas e sem metástases. Depois do primeiro passei a fazer uma análise geral na pele a cada três meses, e foi assim que também aos 27 anos descobri o segundo câncer, bem no início — conta Manu.

Estamos falando do maior e mais exposto órgão do corpo humano. As doenças de pele podem deixar não só marcas físicas, mas psicológicas também. A empresária conta que quando descobriu o primeiro câncer de pele, ficou bem assustada e evitava falar do assunto com as pessoas.

— Demorei para entender o que estava acontecendo comigo e depois da cirurgia não conseguia falar sobre o assunto. Não usava nada que mostrasse as minhas costas para as pessoas não perguntarem o porquê das cicatrizes. Eu ficava muito irritada. Me senti um pouco perdida, fiquei um pouco neurótica ao ponto de não pegar sol por dois anos, examinar todas os sinais o tempo todo. Hoje essa fase está superada, me sinto forte, segura e procuro compartilhar com as pessoas minha história tentando ajudar outras pessoas que buscam superar a doença — relata Manu.

Segundo a dermatologista, mesmo as pessoas se protegendo no verão, muitas não passam o protetor da forma correta: não reaplicam de três em três horas, ou usam fatores muito baixo, ou usam óleos bronzeadores e esquecem da saúde.

— Outra informação importante que as pessoas não sabem, principalmente os pais, é que o sol que se pega na infância e o número de queimaduras solares são os maiores responsáveis pelo câncer de pele do tipo mais agressivo, que é o melanoma — explica.

Por esse motivo, a proteção deve começar ainda na infância e se estender às barreiras físicas como chapéus, guarda-sol, roupas com proteção ultravioleta e filtros específicos para as crianças, que são mais resistentes.

Tipos de câncer

Entre os tipos de câncer mais comuns estão o basocelular e o espinocelular, que quando detectados a tempo são mais fáceis de resolver. O mais agressivo e que fica no radar dos médicos é o melanoma, pois pode gerar metástase, tem mortalidade alta e geralmente se apresenta em pacientes jovens.

O melanoma pode surgir de um sinal antigo congênito, aquele que nasce com a pessoa e depois se modifica ou um sinal que nasce com o tempo. Esse geralmente é escuro, com borda irregular. Os médicos utilizam a regra do ABCDE para avaliar o sinal. “A” para a assimetria, “B” de borda, “C” de cor, “D” de diâmetro e “E” de evolução.

A médica alerta para os “machucadinhos” na pele, aqueles que vão e voltam, demoram para cicatrizar e os sinais que sangram com facilidade.

— Qualquer suspeita deve-se procurar o dermatologista o mais rápido possível, pois lesões identificadas precocemente são facilmente tratadas — afirma.

Tecnologia

Você já ouviu falar sobre Mapeamento Corporal e Seguimento Digital? O uso dessas tecnologias para o diagnóstico precoce do câncer de pele, especialmente o melanoma, está se mostrando uma grande revolução na dermatologia. Com elas é possível detectar muito mais precocemente mudanças que ocorram nos sinais, ou lesões novas que venham a surgir, evitando intervenções cirúrgicas desnecessárias sem abrir mão da segurança.

— O uso do mapeamento corporal e seguimento digital para o diagnóstico precoce do câncer de pele, especialmente o melanoma, foi uma grande revolução na dermatologia. O paciente é fotografado em poses padronizadas, suas fotos são arquivadas para controle ao longo do tempo e as lesões suspeitas são selecionadas para acompanhamento digital. Desta forma, é possível detectar muito mais precocemente pequenas mudanças que ocorram nos sinais ou lesões novas que venham a surgir — explica Mariana.

Esse método é atualmente consagrado como o mais indicado para detecção precoce de lesões suspeitas nos maiores centros mundiais de pesquisa sobre câncer de pele. Um procedimento não invasivo, que permite o diagnóstico da mancha ou pinta na pele, lesão do couro cabeludo, unhas e mucosas. O aparelho utiliza uma câmera e um microscópio com aumento de 20 a 70 vezes. Por se tratar de um software extremamente preciso e avançado, permite avaliar o surgimento de novas lesões, assim como controlar precocemente a evolução dos sinais pré-existentes, evitando intervenções cirúrgicas desnecessárias sem abrir mão da segurança.

É considerada uma ferramenta diagnóstica fundamental e cada vez mais usada pelo dermatologista para o check-up anual do paciente com tendência ao aparecimento de câncer de pele.

Mês de conscientização

As ações de prevenção contra o câncer de pele e de conscientização para a proteção solar são intensificadas nessa época do ano. É em dezembro que a Sociedade Brasileira de Dermatologia realiza um dos movimentos mais importantes ligados à área da saúde do país. Batizado como Dezembro Laranja a campanha, que acontece desde 2014, tem o objetivo de ampliar o debate de informações sobre este, que é o tipo de câncer mais comum no Brasil.

As ações da entidade visam lembrar a população de como evitar o câncer mais comum do país. O de pele. Este ano o tema da campanha nacional de prevenção ao câncer de pele é “Se exponha, mas não se queime”, cativando o interesse da população ao fazer um trocadilho entre a exposição solar e a exposição nas redes sociais.

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