A festa da tradição em Lages

Amorinha, coquinho, butiá, laranja do vizinho Otto, caqui da casa da Lu, limão da dona Laura… tinha de tudo onde eu morava em Joaçaba. Tudo mesmo, até quatro araucárias no quintal de casa. Eram lindas, nos davam uma trabalheira – a mãe vivia chamando para juntar as grimpas e encher os dedos de espinhos – mas também tinha o lado saboroso: o pinhão. Começava a esfriar, caíam as pinhas e aproveitávamos o quentinho do sol para catar a semente. Até hoje o pessoal lá em casa curte um pinhão, assado, bem tostadinho na chapa. Mais tarde, já na adolescência, o pinhão virou festa! Sim, legal era fazer um bate e volta até Lages, de busão mesmo com a turma, só para ver os shows. Agora, um tantinho mais velha, o pinhão voltou a ser sabor: paçoca, pastel, estrogonofe… tudo fica delicioso.
Se para mim a semente tem tantos significados, imagina então para quem vive em Lages, para quem participa da organização da festa, para quem faz os vestidos das rainhas e princesas. As estilistas Berenice e Ana Lopes, do La Unica Ateliê são responsáveis pelos vestidos da realeza e nos contam como é a responsabilidade de vestir as meninas com cada item da cultura e da tradição serrana. Por falar em tradição, neste ano, Lages comemora 30 anos da Festa do Pinhão, e para isso resgata as provas campeiras, uma forma de homenagear as origens do próprio evento. Provas como gineteada, vaca parada e apresentações de invernadas artísticas dos CTGs voltaram à programação. E estão fazendo muito sucesso, bem como a Sapecada da Canção Nativa e 18a de Sapecada da Serra Catarinense.
Se o frio inspira, o colunista Beto Barreiros traz duas receitas salgadas e uma sobremesa deliciosa para fazer nos dias mais gelados. Não faltam sabores lá na página 13. Friozinho também é ótimo para um café com leitura da Versar. Bom fim de semana!