Mães de gêmeos fazem campanha por carrinhos duplos de supermercados

Foto: Pixabay

Por: Camila Maccari

Uma mãe que vai sozinha com o filho pequeno ao supermercado sabe bem: sem o carrinho com cadeirinha para criança seria praticamente inviável fazer as compras. Agora, e se ela tiver filhos gêmeos ou de idades bem próximas? O que fazer com a outra criança?

Na última semana, uma campanha tomou as redes sociais chamando a atenção para um desses perrengues que mães de dois ou mais passam: ir ao supermercado. Lançada pela plataforma de conteúdo especializado em gêmeos MeTwo, a hashtag #CampanhadoCarrinhoDuplo mostra muitas mães se virando nos trinta para fazer as compras com os filhos dividindo o espaço dos produtos. A iniciativa quer que redes de supermercado invistam em carrinhos com espaço para duas crianças.

– Ir ao supermercado é algo que faz parte da vida cotidiana e conseguir fazer isso sozinha com os filhos, sem precisar de ajuda, é importante para a mobilidade da mulher. A questão do carrinho duplo, por exemplo, facilitaria muito uma coisa que, quando tu tens um filho só, nem questiona. E quando a mãe de gêmeos ou múltiplos se dá conta de que já consegue fazer as coisas sozinha com as crianças, se sente muito mais segura, realizada e feliz – diz Elisa Scheibe Marty, mãe de Franco e Martin, cinco anos, e uma das criadoras da MeTwo, ao lado de Thais Reali e Vanessa Rocha, que também têm gêmeos.

Modelo de carrinho duplo é comum em supermercados lá fora. Na foto, Isabela e Gabriel, de cinco anos, filhos de Vanessa Rocha, uma das criadoras do MeTwo/ Foto: acervo pessoal

Mãe de Marina, cinco anos e de Vicente, três, a advogada Renata Guidolin comemora a campanha pelo carrinho duplo. Ela conta que a impossibilidade de organizar os dois filhos de maneira confortável se transforma numa saga na hora das compras:

– A gente chega ao mercado e já começa a discussão sobre quem senta na cadeirinha e quem vai dentro do carrinho. Muita conversa depois e combinamos que os dois vão dentro, o que traz o próximo problema: e as compras vão onde? Sem contar as brigas por espaço e o inevitável “acidente” de uma das crianças se machucar nas grades de ferro – claro, carrinhos são feitos para transportar produtos e não crianças. E, por fim, sempre ir embora esquecendo alguma coisa, geralmente o item mais importante da lista.

A psicóloga Melisa Botz, mãe de Henrique, seis anos, e dos gêmeos Matheus e Lorenzo, três, acrescenta que outro ponto crucial é que as redes disponibilizem esses carrinhos já no estacionamento.

– Quando as crianças já caminham, você consegue dar jeito. Mas, quando são duas ou mais pequenas, precisar do carrinho deles torna a logística impossível. Não tem como dar conta sozinha.

Mas a questão não se encerra no supermercado. Confira outras demandas e dificuldades do dia a dia de quem têm mais de um filho pequeno.

Falta de cadeirinhas em restaurantes
Formada em Publicidade, Ana Clara Bonzanini Oliver desistiu de contar com as cadeirinhas para crianças na hora de ir ao restaurante. Para a mãe do Lucas, nove anos, e dos gêmeos Carolina e Nicolas, cinco anos, fazer qualquer refeição fora de casa exigia um tanto de sorte.
– Muitas vezes, demos a comida com os gêmeos sentados no próprio carrinho, porque os estabelecimentos não tinham lugar para eles. Depois disso, optei por comprar duas cadeirinhas de alimentação de acoplar. Assim, garantia que teria cadeirinha
para todos.

Pouco espaço nos estacionamentos
Estacionamentos com vagas apertadas não deixam espaço o suficiente para um carrinho duplo do lado do carro, o que representa um desconforto para mães que têm de dar conta de mais de um. Essa foi uma das dificuldades que Ana Clara encontrou depois que teve os gêmeos. Na hora de levar o mais velho para a escola, não sobrava espaço onde pudesse colocar o carrinho duplo ao lado do veículo enquanto tirava ou colocava os filhos no automóvel.
– Precisava deixar o carrinho na frente do carro e tentava fazer o mais rápido possível, porque ficava aflita em deixar um sozinho sem ser do meu lado. Em função disso, optei por mandar o mais velho de van para a escola por um tempo.

Não poder usar escada-rolante
Para a jornalista Clarissa Mendes Bandeira, mãe dos gêmeos Antônio e Rafael, um ano e quatro meses, e de Theodora, três anos e sete meses, depender apenas de elevador faz com que o passeio no shopping perca o status de uma programação prática.
– Quando engravidei dos gêmeos, já me preocupei em comprar um carrinho duplo que passasse por todas as portas e elevadores. Em shoppings, sempre preciso levar esse carrinho, porque nunca encontrei um duplo. Então, acabo dependendo completamente de elevadores porque nenhum carrinho de bebê pode ser usado em escadas rolantes. Dependendo da organização dos shoppings, costumamos perder muito tempo em filas.