“Assédio”: Globo transforma caso do médico Roger Abdelmassih em série de ficção

Produção estrelada por Antonio Calloni está disponível no Globoplay

Antonio Calloni
Antonio Calloni interpreta o médico da ficção. Foto: Ramón Vasconcelos / TV Globo/Divulgação

Assédio, série disponível na plataforma Globoplay, é uma obra ficcional que conta a história de uma rede de mulheres que se forma para denunciar uma série de abusos sexuais cometidos por um médico bem-sucedido e respeitado.

A saga começa quando uma dessas mulheres rompe o silêncio e torna público o que até então era restrito ao consultório. Só que essa história é baseada em um história real bem conhecida dos brasileiros: o caso do médico Roger Abdelmassih, condenado a 278 anos de prisão por estupro contra 39 mulheres, em 2010.

Escrita por Maria Camargo, a minissérie é livremente inspirada no livro A Clínica: A Farsa e os Crimes de Roger Abdelmassih, de Vicente Vilardaga. Cabe a Antonio Calloni o papel de interpretar o tal médico, chamado aqui de Roger Sadala, um especialista em reprodução humana e profissional até então com carreira irreparável. Porém, quando um grupo de mulheres se une em busca de justiça, a máscara dele começa a cair.

Stela (Adriana Esteves), Eugênia (Paula Possani), Maria José (Hermila Guedes), Vera (Fernanda D’Umbra) e Daiane (Jéssica Ellen) têm uma situação forte que as une. Todas foram iludidas pela figura de Dr. Roger. Referência na reprodução humana assistida, o renomado profissional usa todo o seu poder de persuasão e influências social e profissional para envolver as mulheres que o procuram. Todas são suas pacientes, com exceção de Daiane (Jéssica Ellen), que trabalha na clínica, mas também sofre com seu assédio. Ao lado dessas mulheres está Mira (Elisa Volpatto), uma incansável jornalista que vai atrás obsessivamente de provas dos crimes cometidos pelo médico.

– O maior desafio da direção foi falar sobre a pluralidade das vítimas e sobre como o assédio está presente em situações inimagináveis, como, por exemplo, dentro de um consultório médico – relata a diretora artística, Amora Mautner.

Ramón Vasconcelos / TV Globo/Divulgação
Hermila Guedes, Jéssica Ellen, Adriana Esteves, Paula Possani e Fernanda D’Umbra. Foto: Ramón Vasconcelos / TV Globo/Divulgação

Cena de estupro logo no primeiro capítulo

A minissérie, que tem 10 episódios, foi construída como se fosse um documentário. Vítimas como Stela, personagem de Adriana Esteves, relatam seus sofrimentos, enquanto os casos são rememorados como flashes. No primeiro episódio, Sadala, interpretado por Antonio Calloni, vive com sua tradicional família, mas esconde um outro lado, bem mais obscuro do que a traição a mulher, Glória (Mariana Lima), com Carolina (Paolla Oliveira), casada com um de seus amigos. O temperamento do médico é apresentado como o de um sujeito instável. Durante um jantar, por exemplo, ele perde a paciência e quebra objetos porque suas filhas não gostam da sua receita apimentada.

– Foi difícil de fazer porque tive que acreditar nele, mas nada do que é humano me é estranho. Há todas as possibilidades dentro da gente. Tirei perversão, ódio e até amor das minhas gavetas  – disse Calloni à Folha de S.Paulo.

Logo no início, a cena de estupro de uma de suas pacientes já revela a outra face do médico. Nela, Stela aparece semi-acordada quando é assediada por Sadala, logo após o procedimento de inseminação artificial.

Atrizes defendem a importância da produção em debater o assunto.

– A maioria das cenas de estupro em filmes são construídas a partir do olhar do homem, sempre com erotização. Estupro não é sexo, mas tem a ver com poder. É um crime de ódio e essa série retrata muito bem isso – argumenta Monica, que vive Carmen, uma das vítimas do médico.