Roteiro por cervejarias artesanais é nova aposta da Grande Florianópolis para o verão

A proposta é alinhar o potencial turístico, principalmente do verão, com a produção crescente da região

Foto: Betina Humeres

A onda das cervejas artesanais chegou em Florianópolis há pouco tempo, cerca de cinco anos. De lá para cá, a quantidade de cervejarias surgindo na região tem chamado atenção do setor, tanto que o Sebrae decidiu dar atenção especialmente para esses produtores.

— Estamos desde 2015 com esse setor, com um trabalho de desenvolvimento e associativismo. A ideia é dar suporte e orientação para esses empreendedores, acompanhando o amadurecimento das empresas e a criação de uma rota turística na Grande Florianópolis — informou Soraya Tonelli, Coordenadora Regional do Sebrae/SC na região.

Foi dessa parceria que surgiu o Caminho Cervejeiro. A proposta é alinhar o potencial turístico, principalmente do verão, com a produção crescente da região. Trabalho que, segundo a responsável pela comunicação da cervejaria Nefasta, Gabriela Acari Drehmer, tem surtido efeito.

— Tem muita alternativa de turismo aqui na região que sai do convencional sol e praia. A gente está aqui, nessa rota entre praias. Então a ideia de nos tornar um ponto turístico é maravilhosa.

Cervejaria de São Jose está na mira de quem aprecia cerveja artesanal (Foto: Betina Humeres)

Preparados para o verão, Gabriela comenta sobre a quantidade de tipos e opções de cervejas para a temporada, que desmistificam a cerveja artesanal como “forte e amarga”, com sabores que combinam com a época de calor extremo.

— No verão temos as cervejas mais leves, refrescantes, como as cítricas e frutadas. Aqui, por exemplo, temos uma opção de cerveja com Butiá, que combina muito com a época do ano, ou essa outra que leva pitanga e pimenta rosa. Lançamos outra opção perfeita para a estação, uma cerveja sour com goiaba, acerola e laranja. Ou seja, são tipos pensados para o verão.

A cervejaria, em São José, tem capacidade para produção de 9 mil litros por mês e atende cerca de 30 restaurantes nessa região litorânea. Segundo o mestre cervejeiro Mathias Acari Drehmer, o processo de produção leva entre 25 e 30 dias.

— É uma produção sem nenhum estabilizante ou conservante. Por isso é mais demorado, mas também o resultado é melhor, tem mais qualidade.

O mestre cervejeiro Mathias Acari Drehmer é responsável pela produção artesanal da Nefasta (Foto: Betina Humeres)

Turismo de experiência

Para o mestre cervejeiro Filipe Correa da Costa, da Sambaqui, as cervejarias oferecem um turismo de experiência que vai além do sol e praia.

— Floripa criou uma cultura cervejeira hoje e é muito importante ter ações como o Caminho Cervejeiro ou o movimento Eu Bebo Cerveja Local. São essas iniciativas que vão manter as cervejarias artesanais, já que essas não têm por trás uma estrutura gigante de fabricação. E o interessante é que não tem exclusividade, os bares têm parceria com várias cervejarias e disponibilizam nas torneiras, criando uma rede mesmo.

Filipe Correa da Costa, mestre cervejeiro da Sambaqui, aposta no lançamento da cerveja stout para este verão (Foto: Tiago Ghizoni)

Capital quer abrir as portas para as cervejarias

Neste cenário, a prefeitura de Florianópolis pretende investir para atrair os cervejeiros para a ilha. Com a dificuldade da liberação para abertura de fábricas na cidade, as cervejarias estavam se instalando na região continental e em outros municípios. Mas, de acordo com a entrevista do vice-prefeito João Batista Nunes à CBN Diário, um projeto quer atrair cervejarias artesanais para a capital.

— Nós estamos dando para o empreendedor, aqueles que já estão na área ou querem entrar, segurança jurídica e ambiental para desburocratizar essas ações.

A proposta, vista com bons olhos pelo setor, deve movimentar ainda mais a rota turística dos cervejeiros, e colocar Florianópolis em destaque em Santa Catarina, além de Blumenau e Pomerode, que já têm tradição no setor.

— Quando fala em cerveja catarinense as pessoas logo pensam em Blumenau, mas a região da Grande Florianópolis tem muito potencial e queremos explorar isso. Ganhamos recentemente, no Festival Brasileiro da Cerveja, nossa primeira medalha com a nossa Viena, logo no primeiro concurso que participamos. É emocionante e é a prova que estamos ganhando força nesse mercado — reforçou Gabriela.

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