Saiba mais sobre a região de Champagne e a produção das melhores espumantes do mundo

Fotos: Arquivo Pessoal
Saímos de Chablis e fomos para a região dos famosos vinhos espumantes de Champagne. Começamos visitando Épernay, um lugar que transborda luxo na Avenida da Champagne, que conta com nomes como Perrier Jouet e Moët & Chandon.

Os únicos espumantes do mundo que podem levar o nome de Champagne devem obrigatoriamente vir de uvas cultivadas na região de Champagne, além de outras exigências como o método tradicional, ou Champenoise, que implica na segunda fermentação (carbônica), dentro da garrafa e uma rotação constante, chamada Remuage. O monge Don Pérignon, é considerado o pai da champagne, por refinar a técnica dos espumantes na Abadia de Hautvillers, porém Don Ruinart teve grande participação neste processo.

O champagne antigamente era turvo, mas Nicole Ponsardin, a viúva de François Clicquot (Veuve Clicquot), desenvolveu um sistema para retirar todo o fermento da garrafa.
Após a segunda fermentação, onde açúcar e fermento são adicionados para gerar CO2, uma camada de resíduos fica dentro da garrafa, com uma inclinação para baixo, todo o resíduo fica acumulado no gargalo, onde então é retirado manualmente sob pressão.

​Hoje apenas as melhores champagnes passam por esse processo, a maioria tem o gargalo congelado com os resíduos e então a garrafa é aberta. Com a pressão a camada sólida congelada é expulsa deixando o líquido clarificado.

O líquido perdido neste procedimento, é completado com uma mistura de vinho e açúcar, chamada vinho de dosagem. A quantidade de açúcar nesta mistura é que vai decidir o tipo de champagne. Podendo ser classificado em seis categorias, conforme o teor de açúcar adicionado: Doux (Doce), Demi-Sec (Meio-seco), Sec (Seco), Extra-Sec (Extra-seco), Brut (Bruto) e Extra-Brut (Extra-bruto) e o “Nature” (Pas Dose).

Existem alguns champagnes que não acrescentam o açúcar e completam as garrafas apenas com vinhos. Visiamos Moët & Chandon e Veuve Clicquot, os dois ícones de Champagne!

Entre uma visita e outra, demos um pulo em Paris, na região de Brie para provar os originais e não pasteurizados Brie de Meaux. Fomos presenteados pelo dono com um tour na Fromagere de la Brie, onde os queijos são feitos com leite cru.

​Assim como o Roquefort, o Brie cai muito bem com mel, mas especialmente com geleia de pimenta. Na saída ganhamos vários queijos e um Pinot Noir local, daqueles que não chegam ao supermercado.

Voltando a Champagne, visitamos Ruinart – para nós uma das melhores – e Mercier.

O processo de envelhecimento das champagnes duram de 1 a 3 anos, sendo que as melhores e as vintages podem ficar 10 ou mais anos envelhecendo na garrafa.

A maioria das champagnes passam pela fermentação malolática para suavizar a acidez, porém, a Champagne Lanson é conhecida por não passar por esse processo, o que causa uma acidez que pode ser sentida com a sensação de “água na boca” e aquela travadinha na lateral do maxilar.

Falamos lá em cima da segunda fermentação, mas não falamos da primeira. A primeira é igual a qualquer outro vinho, em tanques de aço inox, chamada de fermentação alcoólica, que produzem os vinhos chamados tranquilos.

Uma curiosidade:
Para se produzir a champagne, são usadas mais uvas tintas
(pinot Noir e pinot meunier) que a uva branca chardonnay

​Com uma prensagem suave evita-se que a casca libere cor ao suco de uva, assim pode-se produzir uma champagne cristalina, a partir de uvas tintas. Porém, quando vemos no rótulo a frase “Blanc de Blanc”, significa que a champagne é 100% com uva chardonnay.
O “Blanc de Noir” é elaborado apenas com uvas tintas e para se fazer o rosé, geralmente mistura-se vinho tinto (5 a 20%) ao vinho branco antes da segunda fermentação ou deixa-se o vinho um pouco mais de tempo em contato com as cascas na primeira fermentação, para extrair cor. Algumas garrafas explodem, devido à alta pressão produzido pelo gás, por isso, um formato especial com um cone no fundo, foi criado para aliviar a pressão nas garrafas. Apenas as safras excepcionais de champagne levam o ano na garrafa, caso contrário a legislação permite que safras de anos diferentes sejam misturadas.

Outra classificação importante, quando o vinho vem de um solo excepcional (Grand Cru) e envelhecido por muitos anos, é o nome “ Cuvée de Prestige”, ou seja, o melhor que a casa pode oferecer. As duas primeiras Cuvée a serem lançadas, ainda dominam o mercado. São elas: Dom Pérignon da Moët & Chandon e Cristal da Louis Roederer.

A cidade de Reims, assim como Épernay, é magnífica! A maioria das casas são túneis cavados no giz, cavernas imensas que já foram usadas como hospitais, albergues e abrigo de guerra que hoje guardam uma das bebidas mais conhecidas do mundo.

De saideira visitamos a tumba de Don Perignon, na Abadia de Hautvillers e passamos em um produtor local na região de Ay, um dos 17 Grands Crus de Champagne.

No domínio Pierre Lebouef, ainda cultivam os métodos originais na fabricação de champagne, com todo o método Champenoise feito à mão.

Qual foram as melhores?

Para mim, Ruinart Blanc de Blancs 2004, para a Karla Moët & Chandon Grand Vintage 2006. ​Depende de pessoa para pessoa, se você gosta de uma champagne menos complexa, mais “crocante” e com mais frescor, fique com as menos envelhecidas, com até três anos de garrafa, que não tem erro. Passear pela Rota das Champagnes realmente é como andar pela Champs Elysées dos vinhos.
Próxima parada, Alsace, a Região mais alemã da França.