“Poderíamos ter sido vítimas”, diz Cláudia Abreu sobre João de Deus, denunciado por abuso sexual

Artista contou que levava a filha para as sessões de cirurgia espiritual em Abadiânia

A atriz Cláudia Abreu se disse decepcionada com o médium João de Deus, de quem buscava auxílio espiritual. Foto: Reprodução / Instagram

Os famosos também buscavam auxílio de João de Deus, entre eles Cláudia Abreu. Nesta quarta-feira (26), a atriz de 48 anos decidiu se manifestar sobre a experiência que teve frequentando as sessões de cirurgia espiritual promovidas pelo médium de Abadiânia, interior de Goiás, agora denunciado por dezenas de mulheres por cometer abuso sexual.

Cláudia fez um longo relato contando que ficou decepcionada com os escândalos que envolvem o nome do médium mais famoso do Brasil. Disse que ia até a casa em que ele trabalhava acompanhada da filha e que, diante da onda de denúncias, comoveu-se por entender que elas duas poderiam ter sido vítimas.

“Refletindo sobre esse meu desconforto, pensei nas inúmeras mulheres fragilizadas que foram convidadas a ir para uma sala fechada e também foram obrigadas a fazer algo que não queriam. Levei minha filha, então com 13 anos, e não me canso de pensar que poderíamos ter sido vítimas também, caso eu não fosse conhecida. Isso me estarreceu. Porque isso toca num lugar muito mais profundo, que é a descrença no ser humano, na bondade, na caridade”, escreveu a atriz.

Confira o relato completo:

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Nem sei por onde começar. Sempre fui arredia às redes sociais, não tenho o hábito de postar muito sobre a minha vida cotidiana, nem de me posicionar sobre tudo a todo momento. Mas não posso deixar de falar sobre assédio. Demorei um tempo pra digerir a decepção que tive com João de Deus. Fui à Abadiânia duas vezes, fui bem recebida por ele, por sua família e sua equipe. Nunca fui totalmente crédula, mas como presenciei cirurgias feitas diante de todos, com cortes feitos na hora e sem dor, foi difícil não acreditar em algum poder mediúnico. Mesmo assim, é preciso estar sempre alerta aos sinais da sua intuição. Pessoas famosas eram sempre chamadas pra segurar os instrumentos das cirurgias diante de uma multidão. Fui convidada duas vezes e fui contrariada, pois era delicado dizer não. Lá ficávamos todos vulneráveis. Ao mesmo tempo, isso me obrigava a legitimar alguém que eu mal conhecia. Refletindo sobre esse meu desconforto, pensei nas inúmeras mulheres fragilizadas que foram convidadas a ir pra uma sala fechada e também foram obrigadas a fazer algo que não queriam. Levei minha filha, então com treze anos, e não me canso de pensar que poderíamos ter sido vítimas também, caso eu não fosse conhecida. Isso me estarreceu. Porque isso toca num lugar muito mais profundo, que é a descrença no ser humano, na bondade, na caridade. Muito triste.

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