Cantora Claudia Bossle retorna a Floripa e fala do lançamento do EP com músicas feitas com Champignon

Catarinense foi casada com o baixista do Charlie Brown Jr., que morreu em 2013, e chega a Florianópolis para show de jazz

Claudia Bossle
Foto: Divulgação

Com repertório que resgata os maiores expoentes do jazz como Frank Sinatra, Billie Holiday, Ella Fitzgerald e Chuck Berry, a cantora Claudia Bossle, de Florianópolis, radicada em São Paulo, chega à Capital catarinense nos dias 11 e 12 de outubro. A convite do Jazzinn Late Night Bar, ela irá participar no projeto “INN Conexões”, que tem como proposta trazer para a cidade músicos nacionais e internacionais que estão em destaque no cenário musical do jazz, bossa nova, blues, instrumental, entre outros estilos.

Para as apresentações, Claudia traz do berço a herança pela preferência musical. Em seu novo trabalho, Le Boss Jazz 4et, ela resgata a influência da mãe, também cantora, apaixonada por jazz e bossa nova. E para acompanhá-la nos shows da Capital, ela convidou algumas referências locais já consagradas na música instrumental: Tiê Pereira (baixo), Richard Montano (bateria) e Luis Gustavo Zago (piano), para a primeira noite, e Léo Garcia (piano), Rafael Calegari (baixo), Richard Montano (bateria) e Fábio Mello (sax), na segunda.

Claudia carrega em seu currículo importantes passagens internacionais. Após uma temporada na Ilha dos Açores, em Portugal, carregando a bandeira da música brasileira, a cantora também fez escola em cruzeiros marítimos pela Europa, Norte da África e Oriente Médio. Ela morou um período em Dubai, onde compôs trilha sonora para alguns curta-metragens, e atualmente é cantora residente do renomado Baretto, bar do Hotel Fasano, na capital paulista.

Além disso, até o final do ano a cantora irá lançar um EP (álbum com até seis faixas) com músicas que escreveu em parceria com o seu marido, o também músico, Champignon, que foi baixista da banda Charlie Brown Jr. e morreu em 2013. A primeira composição feita pelos dois, Bright Light, foi escrita no dia em que se conheceram, em 2009, e é a primeira a ganhar um clipe. Confira:

A sua escolha pelo jazz vem de berço?

Posso dizer que sim, minha paixão pelo jazz veio de berço, já que minha mãe ouvia em casa muita música brasileira de qualidade. Isso foi me levando a um interesse maior pela música, até que um dia conheci Billy Holiday, Frank Sinatra, Sarah Vougan, Ella Fitzgerald, e vi que isso era algo que realmente me transportava a um êxtase auditivo. E, dali em diante, o jazz fez parte da minha vida.

Como foi o seu processo de formação? Podemos dizer que a temporada de cruzeiros internacionais foi a sua grande escola?

Estudei música e violão na adolescência, e com 20 anos começaram os convites para cantar música brasileira fora do país. Foram grandes temporadas no Cassino de Mônaco, em Cruzeiros pela Europa e até nos Emirados Árabes consegui levar a música brasileira, em um festival que ajudei a organizar. Neste levei muita bossa nova e capoeira. Foi incrível. Mas acho que minha grande escola foi na noite paulistana nas casas de jazz e ao lado do lendário maestro Mário Edison, com quem cantei por muitos anos no Baretto, bar do Hotel Fasano, e que faleceu a menos de um mês, com 81 anos. Os shows em Floripa serão inspirados no repertório que fazíamos juntos.

No seu novo trabalho, Le Boss Jazz 4et, quem são as tuas inspirações?

Minhas inspirações são Cassandra Wilson, Billy Holiday, Ella Fitzgerald, Lenny Andrade, Rosa Passos, Herbie Hancock, Caymmi, etc.

Entre os projetos que estão para ser lançados até o final do ano está o seu EP em parceria com o Champignon. Como foi a construção desse trabalho? E o que o público pode esperar?

Esse meu projeto com Champ começou de forma muito espontânea e despretensiosa há quase 10 anos, quando nos conhecemos. Mas foi depois do casamento, em 2012, que ele começou a ficar mais sério. Passávamos boa parte do nosso tempo em casa compondo, criando harmonias, melodias, letras, linhas de baixo. O público pode esperar um trabalho diferente, um lado dele nada roqueiro. O trabalho tem letras que falam do nosso amor, de pensamentos dele, meus, com uma influência bem jazzística, que é o que ouvíamos em casa (ele também era apaixonado por jazz).

Claudia Bossle e Champignon
Foto: Reprodução/Divulgação

Como você vê o atual cenário da música instrumental?

O cenário da música instrumental brasileira é de uma riqueza infinita e tem muito bons músicos. Nosso suingue é único. Só lamento que aqui a música boa não seja tão valorizada como deveria. Mas tenho muito orgulho de ver o quanto somos admirados fora do país. Em São Paulo o cenário da música instrumental é forte, com casas que valorizam exclusivamente a música sem texto, sem letra, sem canto. Outro universo lindo de se ouvir, cheio de criatividade, improvisos, virtuosidade, em que um músico bom interage com outros numa gig de jazz instrumental.

Serviço

O que: Claudia Bossle “INN Conexões”
Quando: 11 e 12 de outubro
Horário: 22h
Local: Jazzinn Late Night Bar – Beiramar Shopping
Valor: R$ 40 couvert
Reservas: (48) 99694-9755