Coloque sua personalidade na decoração de sua casa

Conforto clean: em esquema cromático neutro, almofadas, vasinhos de plantas, arandela e cortina fluida com xale xadrez garantem o clima acolhedor do projeto do escritório Theiss Girardi. (Foto: Mariana Boro)

A coluna deste fim de semana é para inspirar e incentivar a decoração efêmera em casa. Decorar como sinônimo de enfeitar, como quando a gente prepara a casa para receber amigos. Mas, a ideia é enfeitar sem motivações externas, é enfeitar a vida. Porque prestando atenção na casa, prestamos atenção em nós mesmos. Vários elementos te ajudam nisso, e a poética está justamente em sua efemeridade e transitoriedade. Não precisa ser para sempre. O que vale aqui é acordar os sentidos, provocar sensações e buscar pertencimento no lugar onde você está. Flores, velas, capas de almofada, luzes indiretas de abajures e arandelas, mantas, fotos, livros, aromatizadores… Troque as coisas de lugar, invente cenários e crie experiências sensoriais com formas, texturas, cores, cheiros e afeto – na mesa de refeições, num móvel de apoio da sala, na cama, na cozinha, no banheiro… Enfeita, enfeita mesmo!

“Onde você está, esse é seu lar.”

Emily Dickinson

Cenários domésticos

No seu lar, não tente fazer algo que não tenha a ver com você só porque é tendência. Busque a sua verdade nesse oceano infinito de possibilidades estéticas que se põe diante de nós. A casa mais bonita será sempre a mais verdadeira, a que te representa intimamente. Um truque importante para dar uma cara nova, ainda que temporária, à casa, é adicionar elementos que se conectem visualmente com o que você já possui. Essa conexão pode se dar através de materiais, cores, estilos recorrentes ou mesmo pela oposição de informações visuais entre o que predomina e o que é novo. Por exemplo, numa ambientação mais escura, experimente um vaso de flores brancas. Numa varanda onde prevalece a madeira natural, insira potes de metal ou cerâmica branca pintada. Equilibre no cenário coisas simples e inusitadas junto a outras de mais qualidade e/ou raras, que surpreendam ao olhar, ao usar ou ao sentir.

 

Equilíbrio cool: limões, porcelanas pintadas e folhagens em contrastes de cor, forma e texturas na composição assinada por Lica Paludo. Foto: Divulgação.

Decorando o cotidiano

Vários itens são capazes de transformar a aparência de um cômodo e de modificar a relação que estabelecemos com ele. Permita-se arriscar, testar, brincar com a beleza. É divertido e gratificante. Veja:

– Almofadas: podem corrigir as proporções e a ergonomia de sofás e poltronas muito profundos ou rígidos, e com novas capas –  fáceis de trocar e lavar – trazem outras textura, cores e aconchego a salas, quartos e varandas.

– Mantas: adicionam despojamento e conforto a assentos diversos, podem equilibrar tons e texturas em ambientes de estar e cobrir os mais friorentos no inverno.

– Tapetes e tatames: em fibras naturais, como algodão, viscose e lã, ou em sintéticas de nylon, poliester ou borracha, lisos ou com estampas, eles são opções certeiras para aquecer um espaço. Fuja dos tapetes “cabeludos” e prefira os retangulares ou quadrados.

– Luz indireta: luminosidade baixa é sinônimo de acolhimento e serenidade. Ao invés de luz plena, acenda uma luminária. Crie ambientes com luz e sombra. E lembre-se das velas.

– Velas: a efêmera energia termo luminosa do fogo nos traz à experiência do presente. Velas geram calor e luminosidade sutis. Esculturais ou de forma puras, em copinhos de cachaça ou em lanternas artesanais, elas deixam tudo mais bonito. Prefira as brancas ou em tons de bege.

– Flores: um vaso do tipo solitário com uma única flor já faz toda a diferença num ambiente. São infindáveis as opções de flores. Esqueça os arranjos-ostentação. Coloque-as despojadamente dentro de um vaso de silhueta reta, como se as tivesse colhido no jardim, mesmo que ele não exista! Flor artificial, pode? Não.

– Acervos pessoais: muitas pessoas guardam relíquias e memórias em locais seguros longe dos olhos. Proponho trazer o que nos é significativo às nossas vistas, para usufruirmos do valor simbólico e material daquele bem. Livros, fotos, peças de família, recordações da infância contam nossas histórias. Exponha-as em caixas de vidro, molduras, dentro de vasos-redomas.

– Arte: as obras que colecionamos ao longo do tempo dizem muito mais sobre nós do que podemos imaginar. Se você possui gravuras, fotos e outras artes em papel, sem moldura, pode colocá-las em sacos plásticos de boa qualidade e expô-las num “varal”, sustentadas por grampos. Ou apoie as obras emolduradas em prateleiras, bancadas, mesas laterais…

– Cheiro: difícil explicar o poder de um cheiro bom. Ele pode despertar memórias de lugares, pessoas, comidas… Decore a casa com temperos, ervas e sementes, frutas e flores que exalem perfumes. Ou use aromatizadores, mas não exagere na dose e nem na intensidade dos odores.

– Música: certamente uma das manifestações humanas mais representativas das pulsões vitais, a música pode nos transformar e nos transportar para outros lugares e vibrações. Precisamos cuidar das trilhas sonoras de nosso cotidiano. Música boa, por favor!

Galeria pessoal: estrutura de cabos de aço, perfis metálicos e sacos plásticos que você pode fazer em casa para expor arte impressa, fotos e recordações. Foto: Divulgação.

Confira o passo-a-passo

Neste tutorial, eu, Sandro Clemes, designer de interiores, vou contar como construir um “varal” com ares industriais pra expor ilustrações e outras artes impressas.

É bem fácil montar um varal como o da Black Buffalo Studio. Você pode adaptar as dicas e quantidades de materiais ao seu objetivo e às suas necessidades e características do seu espaço.. Pra isso, é legal você saber que:

– O pé-direito (distância entre piso e teto) de nosso espaço é de 3,20m.

– Para cada ilustração, reserve 48cm entre os cabos de aço que sustentam a barra que servira de “linha” de exposição.

– Toda obra de arte ou objeto que esteja exposto numa parede deve ser fixada  na linha dos olhos de uma pessoa de estatura média. Sugerimos que o centro da obra/objeto fique a uma altura de 1,55m do piso. Não posicione quadros alinhados por cima ou por baixo.

– Se você estiver em dúvida sobre a altura correta, é sempre melhor errar colocando o quadro mais para baixo do que para cima.

Você vai precisar dos seguintes materiais:


  1.  4m de barra de alumínio p/ trilho bitola 6x6mm (pra facilitar o transporte, compre 2 barras de 2m de comprimento cada)
  2. 7,20m de cabo de aço espessura 2,4m
  3. 12 botões-fixadores cromados pra cabo de aço
  4. 3 grampos/clips pra cabo de aço
  5. 6 sacos plásticos tamanho 35cm(L) x 54cm(C)
  6. 12 grampos de roupa de madeira
  7. 3 ganchos com rosca e respectivas buchas para fixar na parede/teto

Como montar:

  1. Leve as barras a um serralheiro de seu bairro e peça pra cortar em 04 partes iguais de 1m de comprimento. Peça também pra ele fazer 03 furos com broca de bitola 3mm em cada barra, sendo um no centro e os outros dois a 0,5cm de cada extremidade.
  2. Quando comprar o cabo de aço, peça que o pessoal da loja corte-o em três partes iguais de 2,40m cada.
  3. Instale um botão-fixador numa ponta de cada um dos 3 cabos de aço
  4. Passe um cabo em cada furo de uma das barras. Ela será a que ficará mais baixa no conjunto.
  5. Coloque essa barra no chão e estique os cabos. Meça uma distância de 53cm e fixe um botão-fixador nesse ponto, repetindo a operação para cada cabo de aço.
  6. Coloque a segunda barra, passando os cabos de aço pelos seus furos.
  7. Repita as etapas 5 e 6 para acrescentar as demais barras.
  8. Faça os furos para as buchas na mesma distância dos furos das barras e fixe os ganchos com rosca no alto da parede (5cm abaixo do teto) ou no teto.
  9. Em cada cabo de aço, faça uma alça na extremidade e fixe-a com um grampo/clip. Deixe pelo menos uns 5cm de cabo sobrando pra regular a altura do conjunto, caso necessário.
  10. Pendure o varal colocando uma alça de cabo de aço em cada gancho fixado à parede.
  11. Coloque cada ilustração num saco plástico e pendure-a no varal passando a parte superior (da abertura do saco) por sobre a barra e fixe-a com um grampo de madeira em cada lado do saco.

Está pronto! Você pode pendurar pequenos objetos e outros impressos nesse varal, como desenhos de infância, fotos, caligrafias, aquarelas, gravuras… Use sua imaginação e divirta-se!