Comida de rua: conheça três lugares tradicionais de Florianópolis

Muito antes da existência dos food trucks, com a crescente “gourmetização” do setor, a comida simples já tomava conta das ruas

Erno, da Cia do Espetinho (Fotos: Renata Diem)

Comer na rua é uma das melhores maneiras de conhecer as particularidades de um determinado lugar. Podemos mergulhar nas raízes do local e todas suas idiossincrasias. Faz parte da cultura alimentar de caráter popular; é fácil, rápido e econômico.

Muito antes da existência dos food trucks, com a crescente “gourmetização” do setor, a comida simples já tomava conta das ruas com suas mesinhas na calçada, atendimento informal e sem firulas.

Esse tipo de alimentação nunca perdeu a majestade e sempre foi democrática. As pessoas gostam de consumir o que já conhecem e há espaço para todos.
Em Florianópolis, fui conhecer três histórias de negócio familiar onde as pessoas trabalham com alimentação na rua. Trabalhadores anônimos que dão duro todos os dias para alimentar os clientes. Confira!

Cia do Espetinho

Churrasquinho de gato: Quem nunca ouviu falar este termo preconceituoso em relação aos espetinhos assados na rua? “O que mais me perguntam é se a picanha é picanha mesmo”, diz seu Erno, gaúcho de Bento Gonçalves que comanda com a família o trailer da Cia do Espetinho.

Faz 12 anos que vieram do Rio Grande do Sul para Santa Catarina e se instalaram em Florianópolis, vendendo espetinhos há uma década. De domingo à quinta-feira, Susara, a esposa, é quem limpa as carnes, começando a trabalhar às 5h até quase 23h. O filho Éder ajuda a assar e vender de segunda à sexta-feira.

Pergunto a seu Erno o que o motivou a iniciar o negócio. Como trabalhou muitos anos como garçom, já presenciou muita coisa durante a profissão que não concorda, inclusive em relação à qualidade do produto. Ele mesmo confessa que não come nada na rua. Trazer um produto de qualidade e oferecer um bom serviço foi a direção que resolveu tomar para abrir o negócio.

Alcatra, mignon, picanha, peito de frango, sobrecoxa, coração, calabresa e ainda queijo coalho são as opções servidas nos seus espetinhos grelhados na brasa. O aroma de churrasco toma conta das redondezas, atraindo clientes de longe. “Tinha uma pessoa que nunca comia nada; vinha várias vezes acompanhar o amigo e só ficava olhando. O dia que resolveu experimentar, virou cliente”, conta rindo seu Erno.

Endereço: Cruzamento da Avenida Mauro Ramos com Avenida Hercílio Luz, Centro, Florianópolis.

Quiosque do Mozo

O Quiosque do Mozo funciona há 30 anos na Praça Pereira Oliveira, no centro de Florianópolis. Quem gerencia o estabelecimento é Rodrigo, genro dos proprietários Jucemar (mais conhecido como Mozo) e Ilda. O ramo de lanchonetes e restaurantes está intrínseco no sangue da família. Eles começaram com o Restaurante Silvelândia, próximo à Catedral, e foi lá que surgiu a receita da famosa almôndega que é vendida até hoje no quiosque.

Todos os salgados fritos são feitos por eles, somente os assados são terceirizados, mas o que faz mais sucesso com certeza é a almôndega e Rodrigo não fez mistério em relação aos ingredientes: alho, cebola, cheiro verde, pimenta, mostarda, uma boa carne e miolo de pão para dar liga. “O segredo é a temperatura da fritadeira, os processos e medidas. Se tentarmos reproduzi-la em casa, nunca fica igual”. O resultado é uma generosa almôndega com sabor caseiro, bem temperada, macia por dentro e crocante por fora, vendida ao valor de R$ 5. “Como é o salgado que mais vendemos, é difícil o cliente consumir uma almôndega com mais de 20 minutos parada na vitrine, então ela está sempre quentinha e fresca”.

Endereço: Praça Pereira Oliveira, 20, Centro, Florianópolis.

Estação do Lanche

O nome surgiu para combinar com a Estação da Luz, onde fica estacionado o trailer que vende cachorros-quentes e lanches tipo X. A empresa é tocada por três membros da mesma família, o casal Marcelo e Daniela e a filha Bruna. Marcelo faz cachorros-quentes há 30 anos e iniciou como funcionário, abrindo o próprio negócio mais tarde junto à esposa. Entre idas e vindas, já teve dois estabelecimentos antes deste último situado na Avenida Mauro Ramos, na área de estacionamento da Estação da Luz.

O cachorro-quente prensado e o X Bacon competem entre si como o lanche mais pedido do lugar. O cardápio inclui até um cachorro-quente com aproximadamente 30 centímetros, um “super mata fome”. Daniela destaca que a maionese verde é o diferencial e tem cliente que vem de bairros distantes só para comer o lanche deles, principalmente por conta do condimento.

Endereço: Avenida Mauro Ramos 1.099, Centro, Florianópolis.

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