Ousadia, meditação e contato com a terra: autor dá dicas de como atingir a realização pessoal

Suryavan Solar, fundador da Organização Cóndor Blanco Internacional, lança nesta quinta-feira, em Florianópolis, sua nova obra

Suryavan
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Autor de mais de 50 livros, Suryavan Solar, fundador da Organização Cóndor Blanco Internacional, lança nesta quinta-feira, em Florianópolis, sua nova obra, As quatro chaves para a realização ilimitada – como usar as tecnologias ancestrais para ser feliz, próspero, cultivar a cultura e a liberdade mesmo quando o mundo parece um caos. O livro será lançado às 19h, no BeiraMar Shopping.

O fio condutor do livro é a ousadia. Para o autor, esse é o motor que permite ao ser humano se adaptar às mudanças constantes da vida. Mais que isso, é o ser ousado que inova, empreende e promove todas essas mudanças. Nesta entrevista, ele fala sobre o tema.

Neste livro, a ousadia é apontada como palavra-chave para a realização. De que forma ela pode ser aplicada no cotidiano?

A primeira fase seria pensar e se estruturar para o progresso, desenvolver um trabalho de preparação para saber usufruir do que for conquistado. Para libertar-se de qualquer prisão, o primeiro passo que o convida a realizar a ousadia é o de tomar decisão. A ousadia o impulsiona a lançar a flecha, mas você precisa primeiro ter claro o alvo para onde dirigi-la. É certo que errar faz parte da fórmula de êxito, mas o erro que se transforma em acerto faz parte de uma estratégia clara e inteligente. Não se trata de errar por errar, de atuar por atuar ou correr para qualquer lado porque todos correm desesperados. Sem uma visão clara, a ousadia se reduz a um arranque de impulsividade e intrepidez excessiva. Especialmente nos momentos de agitação e caos, tomar uma decisão requer discernimento para que as ações não sejam explosões do ego ou resultados do medo, do desespero e da angústia que despertam o adentrar-se em um terreno desconhecido. Para desenvolver o discernimento e ampliar a visão antes de lançar-se a decidir com ousadia, recomendo passar por um processo em três passos, que denomino os 3 Ps: parar, purificar-se e preparar-se. A segunda fase é justamente a da purificação, que dá força ao ser humano e ninguém sabe disso. Porque quando você se liberta de qualquer peso, isso vira força. Tem o terceiro aspecto que é o estudo e a meditação. É preciso utilizar as ferramentas que estão no caminho, como os livros, os seminários, a leitura, o aprendizado, etc. A quarta fase da ousadia é conquistar a montanha interior, ou seja, conseguir trabalhar o silêncio. Estabelecer uma conexão com a natureza e pensar sobre qual seria sua missão aqui na terra. Cada pessoa tem uma missão, mas esta só vai se cumprir se a pessoa se preparar adequadamente. É preciso entender todas essas conexões para só assim cumprir sua missão.

O senhor avalia que o medo de ousar, de correr riscos, é um fator limitador na busca pela felicidade?

A maioria das pessoas enfrentam obstáculos que se tornam verdadeiras pedras no caminho, são eles: o sofrimento e o medo. Nos dias atuais, vemos pessoas com muito medo, medo de tudo. Antigamente as pessoas não eram mais corajosas. Hoje nós temos muitas informações, mas ao mesmo tempo muitas incertezas. As pessoas precisam entender que independente do que façam elas precisam ter ousadia, porém os dois os grandes obstáculos são a preguiça e o medo (ansiedade, tensão, estresse, angústia – tudo isso se caracteriza como medo). Se você quer ser ousado, tem que vencer esses obstáculos. Outro problema a ser combatido é a ignorância, aí vem a importância de estudar e buscar conhecimento. A última questão que deve ser observada é a sombra na mente: o direcionamento dos pensamentos. E para isso é preciso trabalhar o silêncio, reflexão, quebrar paradigmas. Hoje em dia são poucas pessoas que se dedicam à meditação, ninguém se atreve a meditar profundamente e o segredo do equilíbrio está nesta prática. O livro As quatro Chaves para a Realização Ilimitada ensina como é possível despertar a coragem para sermos nós mesmos e avançar com ousadia em direção a nossos sonhos por meio de cinco passos: o poder da escolha, sair da zona de conforto, enfrentar o que mais tememos, criar redes de apoio e nos superarmos constantemente.

O livro fala de quatro chaves para a realização ilimitada. De forma breve, consegue resumir quais são elas?

É importante saber decidir, o poder da decisão é de extrema relevância. É preciso decidir mudar e é preciso mudar para alcançar a realização. Você precisa tomar uma decisão importante, mas está em dúvida? Dê uma pausa e respire! É comprovada cientificamente que a prática meditativa ativa a ínsula posterior do cérebro, região relacionada com o processo racional de tomada de decisões. O americano Andrew Hafenbrack, investigador da Insead (escola de administração de empresas na França), realizou estudo sobre a tomada de decisões em situações que implicam lidar com “o custo perdido” nas empresas – custos irrecuperáveis por investimentos em projetos que não dão certos, mas continuam sendo prolongados. O estudo demonstrou que após meditar por 15 minutos levando a atenção à respiração, os voluntários do estudo concentravam-se melhor e tomavam decisões complexas com mais facilidade. Se você não tem o poder de decisão não passa para a segunda fase, que é a ação. A ação tem que ser produtiva, tem que ter um foco e buscar evolução. A terceira questão é que a mente deve estar direcionada, é preciso ter um planejamento estratégico. E, por último, que o conhecimento seja compartilhado. Para você avançar é preciso compartilhar conhecimento, trocar informações.

Também fala do uso de tecnologias ancestrais para ser feliz. Acredita que as tecnologias atuais prejudicam a busca pela realização?

A ciência atual e a tecnologia estão separando o homem da natureza. A tecnologia traz o conforto e o homem se acostuma, isso gera a preguiça. Hoje essa é a maneira “natural” de viver, por isso o ser humano não quer fazer esforço para nada: você aperta um botão e as coisas aparecem ou se resolvem. A tecnologia é excelente, mas tem que ser bem aproveitada. Atualmente a máquina é mais importante que o ser humano, e é ai que mora o problema.

Quais são as tecnologias ancestrais que podemos buscar?

O cultivo da terra é algo que tem que ser resgatado. O homem moderno não sabe plantar nada, ele consome os alimentos, mas não sabe como cultivá-los. Mesmo quem cultiva hoje em dia, faz isso tudo com máquinas, ninguém mexe na terra atualmente. Mais uma vez a tecnologia substituindo o homem. Uma criança vê o leite na caixinha (na prateleira do supermercado) e não imagina de onde vem esse leite, isso é inacreditável. Nós precisamos resgatar o contato com os quatro elementos: terra, água, ar e sol. Antigamente nós sabíamos amar os animais, mas atualmente muitos se encontram em extinção. É preciso pensar no futuro, daqui há 50 ou 100 anos podermos ficar sem alimentos, sem água, precisamos pensar nisso. Precisamos resgatar nossa essência.

Acredita que é possível nos sentirmos realizados em todas as áreas da vida simultaneamente?

São pouquíssimas pessoas no mundo que se sentem realizadas plenamente. Acredito que seja preciso passar por muitas vidas para o ser humano se sentir pleno e realizado. Precisamos refletir: por que estamos aqui, por que nascemos, como podemos contribuir para um mundo melhor? Temos que traçar nossos projetos de vida pensando como estará o mundo daqui há 30 ou 50 anos e refletir de que forma podemos fazer para que a essência do ser humano não se perca ainda mais. A humanidade está passando por um momento de turbulência e ela precisa se reencontrar.

Sobre Suryavan Solar

Suryavan Solar fundou a Organização Cóndor Blanco Internacional há mais de três décadas. Junto com a filha Sol Nyma, redefiniu o método Cóndor Blanco no final da década de 1990, vocacionado a formar seres humanos integrais e apoiar o despertar de seres autônomos. Para isso, utiliza ferramentas ancestrais, adaptadas ao mundo moderno.

Suryavan já realizou expedições nas quais resgatou técnicas ancestrais e modernas que o tornaram especialista nas áreas de Naturismo, Liderança, Coaching e Meditação. Com isso, é também instrutor de liderança, meditação e Coaching. Foi nomeado Holy Man (Homem Sagrado) pelos índios Lakota e recebeu ensinamentos do Budismo Tibetano diretamente do Dalai Lama.

Atualmente, vive na montanha da Organização Cóndor Blanco, no sul do Chile, meditando, escrevendo, divulgando seus livros e realizando conferências e seminários. Por meio dessas atividades, treinou centenas de aprendizes, dispostos a se tornarem líderes servidores.

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