Como ter qualidade de vida na menopausa

Estima-se que 50% a 70% das mulheres neste período manifestem sintomas

Foto: Pexels

O aumento da expectativa de vida da população brasileira, notadamente maior na região Sul do país, trouxe à tona um novo desafio: envelhecer com qualidade de vida.
Não é segredo que o aumento da idade da mulher está relacionado a alterações hormonais, principalmente o déficit estrogênico, caracterizando o período que chamamos de menopausa. Na verdade, a menopausa é a data da última menstruação desde que ela esteja sem menstruar há um ano. Antes disso, a irregularidade menstrual característica do período chama-se climatério.

Independe de tratar-se do climatério ou menopausa, essa fase é caracterizada não só pelo encerramento da vida reprodutiva feminina, mas também por uma série de sintomas e fatores de risco para o aparecimento de doenças graves e, muitas vezes, de fácil prevenção.

Estima-se que 50% a 70% das mulheres neste período manifestem sintomas como os famosos calorões ou fogachos, suor noturno, irritabilidade, insônia, depressão, ansiedade, mudanças de humor, perda de memória, incontinência urinária, infecção urinária de repetição, diminuição da libido, ressecamento da pele, olhos e mucosas, incluindo a vaginal, dores articulares, dor de cabeça, entre outros.

Como se não bastasse, a deficiência hormonal aumenta o risco de doenças cardiovasculares como, por exemplo, o infarto, e também o risco de osteoporose.

A avaliação do ginecologista é fundamental para o diagnóstico e manejo adequado da mulher. O tratamento medicamentoso tem suas indicações precisas e algumas contraindicações.

É importante ressaltar que nesse contexto a mulher pode contribuir para uma melhor qualidade de vida. Os estudos mostram benefícios quase milagrosos dos hábitos de vida saudáveis, incluindo a atividade física, com aumento da longevidade e menor taxa de mortalidade e morbidade. Assim, o exercício físico regular é utilizado como abordagem não farmacológica na prevenção e/ou no tratamento de diversas doenças, como a hipertensão arterial, o diabetes mellitus, as dislipidemias e a disfunção sexual comuns ao diagnóstico
de menopausa.

Uma alimentação balanceada com nutricionista especializado preferencialmente com diminuição do açúcar e rica em ômega 3, grãos, frutas e verduras é fundamental para a saúde física e mental.

A demência senil, a doença de Alzheimer e o Parkison podem ter pouca melhora com a reposição hormonal ou outras medicações. A cognição e a memória afetam as relações interpessoais e provocam um grande isolamento social da mulher neste período. Por isso, uma reabilitação cognitiva parece somar nesse tratamento. Exercitar o cérebro com atividades mentais tais como palavras cruzadas, quebra-cabeças, pinturas, bordados, costura ou tocando um instrumento musical comprovadamente melhora a relação da mulher com suas habilidades prejudicadas.

O tratamento para menopausa é indicado para mulheres que manifestam sintomas muito intensos que comprometem sua vida profissional, familiar e afetiva ele pode e deve ser multidisciplinar.

Leia também:

Qual a idade limite para engravidar?

Leia mais colunas de Dra. Luísa Aguiar

Dra. Luisa Aguiar
Luísa Aguiar da Silva Especialista em Ginecologia e Obstetrícia pela AMB Especialista em Uroginecologia pela Unifesp Professora da disciplina Materno Infantil da Universidade do Sul de Santa Catarina Proprietária junto com a Dra Raquel Aguiar – minha mãe – da Clínica Urogine