Como tornar a felicidade uma prioridade

O que estaria acontecendo em sua vida se você pudesse dizer que a sua vida está nota 10 em cada uma das áreas?

Foto: Syda Productions/Shutterstock

Precisei parar por 5 minutos antes de escrever essa matéria. Acordei já ocupada com a reunião MEGA organizada de um time exemplar em nossa empresa, depois tinha agendado um encontro nota 10 – na sequência comecei a responder o Whatsapp – repleto de coisas boas – e logo já estava na minha hora de escrever, mas não estava com o “modo inspiração” ligado. Escrever requer inspiração e algum silêncio para mim. E nunca estive tão maravilhosamente cercada de tanto barulho. Então me dei uma pausa curta – coloquei uma música que funciona como uma oração e um mantra*, respirei e me conectei com esse texto – porque amo escrever.

Tenho um cliente que me fez refletir sobre as escolhas da vida, de uma maneira muito nova – resgatando parte do que já tinha visto, sem ter observado. Ao avaliar como a vida estava em cada uma das áreas, suas notas estavam todas muito altas. Normalmente os processos de autodesenvolvimento estão carregados de algum cansaço inicial – algum desgosto no trabalho, um desacordo no casamento, uma gestão difícil no tempo ou uma dor do passado residindo no presente, tirando nosso sono. Daí confessamos que não estamos muito bem e pedimos ajuda, finalmente. E a pergunta inicial é: Que resultado você deseja alcançar com a minha ajuda? E, o que não está bom hoje? O que estaria acontecendo em sua vida se você pudesse dizer que a sua vida está nota 10 em cada uma das áreas? – que já podemos aproveitar para responder.

Só que o princípio desse cliente – que logo virou um fraterno amigo – era que se a vida pode ser boa, então só deve melhorar. Ele me disse: “Em cada área da vida me vejo próximo de escolhas tão boas que quero ajuda para contemplar escolhas que estejam cada vez mais próximas dos meus valores, porque tudo que faço é bom e me faz feliz”. Ele queria avançar para além do 10, inclusive desapegado dos formatos de suas notas máximas, desafiando-se a acreditar que há mais maneiras – ainda desconhecidas – de provocar-se e de avançar para o íntimo em seu autoconhecimento. E, também, o que ficou claro é que ele é leve e realmente feliz, desprovido de pretensão ou de frases que tentassem provar a sua felicidade. O que também é um contraponto. Encontro um forte movimento voltado para a autopromoção mais forte do que o voltado para dentro de si. Ele é diferente.

Quando meu irmão faleceu recebi – e continuo recebendo, mesmo 5 anos depois – uma quantidade imensa de gratidão partindo de todos os lados. Meu irmão era médico obstetra e acupunturista, pai de dois meninos lindos, casado, atleta de tênis, jogava futebol, andava de bike, fazia musculação e surfava, dava aula, tinha consultório, trabalhava no hospital, fazia pós, desenvolveu um método de coaching para grávidas, tinha uma turma grande de amigos de infância com quem se reunia com frequência, fazia aula de cavaquinho, tinha a turma do pagode e do samba com quem fazia churrascadas, lia livros, era um filho exemplar – e favorito (rs!), um irmão companheiro, polêmico e protetor, uma das pessoas mais profundas que eu conheci, que fez mais de 5 mil partos na discrição de toda sua genialidade. Era como o Marcelo, esse meu cliente e amigo. Sem tempo para postagens, o Junior não aparecia mas vivia onde e com quem estava – e logo sobrava tempo para tudo. Ele se fazia presente, com compaixão, perdão e um bem querer. Queria mais da vida, que já estava repleta do fluxo das escolhas que respeitavam a sua natureza – certamente viveu mais do que 40 anos.

Viver tem muito de descobrir-se desafiando o medo do não saber o que nos faz felizes, até depois ver-se imerso em possibilidades infinitas de alegria e de relacionamentos – como o que estou vivendo no dia de hoje. Um barulho que nos convoca a descobrir nas relações que criamos, e com quem convivemos, a vida que reside por detrás das fotografias. O Marcelo e o Junior têm um denominador comum que explica a sobra de tempo para tanto – discrição, inspiração voltada para estudar as próprias convicções e a humildade de viver plenamente as relações que, de fato, nos acompanharão para a vida inteira.

*A música que cito chama-se: Light of LOVE 432 Hz Jay-Jagadeesh Editing by Pioneer of the Future


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