Conheça a escritora Catarina Lins, de SC, finalista do Prêmio Jabuti

O livro Teatro do Mundo, um único poema, dividido em 12 partes, garantiu que a autora fosse indicada na categoria Poesia na mais tradicional premiação literária do país

Foto: Arquivo Pessoal

Catarina Lins tem 27 anos, nasceu em Florianópolis, mora no Rio de Janeiro, publicou três livros e acaba de ser anunciada como uma das finalistas do Prêmio Jabuti, a mais tradicional premiação literária do Brasil. O livro Teatro do Mundo, um único poema, dividido em 12 partes, garantiu que a autora fosse indicada na categoria Poesia.

— É um único poema, dividido em várias partes, de modo que não precisar ler tudo de uma vez. Foi todo pensado nesse fluxo. Tanto que eu tinha dificuldade de saber quando eu ia acabar, mas uma hora meu editor falou que eu tinha que achar um fim — conta a escritora.

A obra é difícil de descrever para a própria Catarina.

— Tem uma parte que só descrevo a tatuagem de um jogador de basquete. Mas o livro é alguém encontrando alguém num teatro do mundo. Basicamente tem duas pessoas, uma que está escrevendo e uma que está em algum outro lugar — resume. É difícil de explicar, mas instiga a ler.

Foto: reprodução

A trajetória de Catarina na literatura é “cheio de descaminhos”, como ela define. A jovem estudava Cinema em Florianópolis, área de atuação de seus pais, e também Teatro. Tinha vontade de cursar Letras, mas acabou deixando o plano de lado.

Em 2010, decidiu se mudar para o Rio de Janeiro para se desenvolver na área do cinema. Não imaginava, mas seu caminho mudaria.

— Vi que tinha na PUC um curso de Letras que se chamava “Formação do Escritor”. Pareceu ótimo pra mim, parecia dar muita base pra trabalhar com texto — explica.

Prestou vestibular, mas antes mesmo de ser aprovada, já estava “apaixonada pelo curso”. Paixão que só aumentou no decorrer dos estudos. O curioso é que foi somente no último ano que a poesia, hoje sua área de atuação, apareceu como uma possibilidade a ser explorada.

— Foi mais para o fim da faculdade que tive uma aula que ensinava a ler poesia. A gente sabe muito bem ler prosa, mas pra ler poesia a gente as vezes não está tão instrumentalizado. Tem também a questão do som, que é muito importante na poesia. Pra mim, qualquer coisa tem que ter muito ritmo. Nessa aula eu aprendi a ler poesia e também descobri que havia muitos tipos diferentes. Quando alguém me diz que não gosta de poesia, eu penso que essa pessoa só não encontrou o poeta que ela gosta. Tem muita coisa que a gente não considera poesia que poderia ser — afirma.

Nesta aula, o professor pediu alguns exercícios, e Catarina começou a escrever. Um dos trabalhos foi inscrito em um prêmio da própria PUC, e a jovem catarinense venceu.

— Tirei primeiro lugar e pensei que valia à pena investir minha energia e tempo nisso. Eu nunca tinha pensando “taí uma carreira que quero seguir: poeta” — brinca a autora. Mas o caminho que se desenhou foi esse.

Catarina ingressou no mestrado, onde aprofundou seu estudo da literatura. Com isso, também dedicou mais tempo a escrever. O primeiro livro foi lançado em 2015, Músculo. Nele, apresentou sete poemas. No ano seguinte, lançou Parvo Orifício, outra reunião de poemas. Já o terceiro, Teatro do Mundo, publicado em 2017, “foi pensado pra ser um livro”.

Catarina na casa da poeta Elizabeth Bishop em Ouro Preto, uma das escritoras preferidas da catarinense (Foto: Arquivo Pessoal)

O retorno dos leitores era positivo, o que motivava Catarina. Mas foi na manhã da última quinta-feira, 4, quando respondia uma entrevista por e-mail, que as mensagens mais enfáticas de “parabéns” começaram a surgir. Seu nome havia sido anunciado como finalista do Prêmio Jabuti.

— Eu tinha até esquecido da inscrição. É muito legal ter reconhecimento por algo que você trabalhou muito para fazer. Lógico que eu quero vencer, mas ser indicada é muito legal. Um prêmio como esse te leva para outros lugares — avalia.

Catarina já trabalha em seu novo livro, A Capital Sul-americana do Porco Light, que pretende lançar até o fim do ano no Rio e no início do ano que vem em Floripa.

— São poemas que escrevi depois do Teatro do Mundo e acho que eles têm uma pegada diferente. Mudou muito a minha relação com escrever poesia. O que vem depois do Teatro do Mundo é completamente diferente — apresenta a escritora.

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